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A arte de pensar e a argumentação teórica


Autoria:

Marcos Antonio Duarte Silva


Doutorando em Ciências Criminais,Mestre em Filosofia do Direito e do Estado(PUC/SP), Especialista em Direito Penal e Processo Penal(Mackenzie), Teólogo e Bacharel em Direito, Professor de Direito, Pesquisador Grupo GEDAIS/PUC Pesquisador CNPq.

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Resumo:

E esse pensar que se pode questionar não é simples, não são aqueles pensamentos soltos, perdidos, sem objetivo, sem razão, sem controle que o temos com frequência e surgem sem se saber por que naquele exato momento está ali.

Texto enviado ao JurisWay em 23/11/2014.



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A arte de pensar e a argumentação teórica

 

Tema tratado no: Curso de Argumentação e lógica Jurídica.

 

Resumo: E esse pensar que se pode questionar não é simples, não são aqueles pensamentos soltos, perdidos, sem objetivo, sem razão, sem controle que o temos com frequência e surgem sem se saber por que naquele exato momento está ali; o pensar é aquele advindo da arte, da entrega a pensamentos nobres, intelectuais, controlados, desejados, inspirados, preparados, buscados, plantados em nossa mente.

Palavras Chaves: Lógica, Argumentação, Pensar, Teoria.

Abstract: And that think that one can question is not simple, are not those loose, lost thoughts, aimless, without reason, without control that have come frequently and without knowing why at that moment is there; thinking is that art arising, delivery to noble, intellectual thoughts, controlled, desired, inspired, prepared, Hot, planted in our mind.

Keywords: Logic, Argumentation, Thinking, Theory.

 

Sumário: Introdução à arte de pensar; 1. O que lemos: como lemos?; 1.2 O que assistimos: como assistimos?; 1.3 O que falamos: com quem falamos?; 2.  É preciso proceder do conhecido ao desconhecido (premissas e pressupostos); 3.  Os princípios lógicos; 3.1 O princípio de identidade; 3.2 O princípio da contradição; 3.3 O princípio da Exclusão do meio; Conclusão.

Introdução à arte de pensar

Quando se fala da arte de pensar logo se imagina um curso de meditação, reflexão, yoga, etc.

Há uma verdade nesta forma de imaginar, afinal, pensar é um exercício que deve ser desenvolvido como uma atividade física, buscando sim a reflexão, meditando de forma coerente e propositiva para alcançar o melhor. Deve ser constantemente praticado para alcançar seu objetivo maior. Com isso em mente, cumpre se perguntar de forma muito imperativa e particular: Como estou pensando?

E esse pensar que se pode questionar não é simples, não são aqueles pensamentos soltos, perdidos, sem objetivo, sem razão, sem controle que o temos com frequência e surgem sem se saber por que naquele exato momento está ali. O pensar é aquele advindo da arte, da entrega a pensamentos nobres, intelectuais, controlados, desejados, inspirados, preparados, buscados, plantados em nossa mente.

Para alcançar este tipo de pensamento é importante entender que; o que lemos: como lemos; o que assistimos: como assistimos; o que falamos: com quem falamos; entre outras coisas, determinam e muito a forma como vamos pensar, daí ser necessário se buscar uma mudança nesses fatores que determinam nossa forma de raciocínio levando a se pensar de maneira imperativa.

1. O que lemos: como lemos?

Qual tipo de leitura tem sido alcançado? O que se busca na leitura? Ler revistas quais, e por que ler esta ou aquela? E mais, por que especificamente aquela revista? O que impulsiona esta leitura? Que tipo de conteúdo buscamos ao ler?

A seleção da leitura determina o grau e profundidade do que se conseguirá pensar e em quanto tempo isso se dará. Se a leitura for apenas recreativa, para distração, para preencher o tempo, ela pouco ou quase nada contribuirá. (ex. consultório médico, dentário sem nada para fazer, ler o que se tem não o que se quer).

Alguém com muita propriedade afirmavam: “Diga o que você lê que direi o que pensa”. Esta frase demonstra além de tudo que o que se lê determina quem a pessoa consegue ser, em demonstração de entendimento e cultura. Ler é determinante para ampliar horizontes e cultivar a boa e célere capacidade de pensar. Quem lê mais, pensa mais e melhor.

Então para se começar a ler deve funcionar o mesmo critério de quando começamos a aprender a escrever, começamos do mais fácil para o mais difícil. Um exemplo que pode ser muito útil é leitura para os homens de cadernos de esportes, pescaria etc e, para mulheres cadernos de modas, viagens etc, (enfim, algo que nos traga prazer, para desenvolver o hábito), partindo quando se toma gosto por esta leitura a algo mais específico, romance, policial, política, filosofia, direito, doutrina do direito, doutrina filosófica, etc.

O hábito para ser desenvolvido tem que ser como vício, diariamente, constantemente, em todo lugar, a todo tempo. Tem que funcionar como uma necessidade vital, como água, como comida, como dormir, como respirar, só assim incorporará nossa vida a tal ponto de não se conseguir ficar nenhum um dia sem fazer.

1.2 O que assistimos: como assistimos?

 A TV e a internet nos dias atuais têm proporcionado ótimas condições para assistir excelentes programas com ótima qualidade de aprendizado. É claro que há como em qualquer outro mecanismo possibilidades de se ter muita porcaria, porém, a escolha sempre será personalíssima.

Dentre possibilidades que se apresenta para assistir nestes dois ambientes se encontram filmes, documentários, programas de entrevistas. Mas como a pergunta aponta há uma condição sine qua non: o que e como assistir.

Um bom exemplo disso é o estilo de filmes para se começar: épico, histórico, comédia, romântico, terror, drama, etc. Há filmes que atuam mais do que apenas entretenimento, eles conseguem transmitir cultura, informação, criar massa crítica e educar positivamente. É bom que se diga não haver nada de assistir filme só por laser, mas só e tão somente para laser sem outros objetivos fica vazio.

Como sugestão procure saber quem são os autores, atores e como foi dirigida a pesquisa para se chegar ao resultado filme. Já os documentários via de regra elevam muito a condição de simples diversão, costumeiramente são sérios e, mormente trazem bom material de pesquisa, assuntos atuais e provocativos, certamente contribuindo e muito para o crescimento intelectual.

E por fim entrevistas, não são todas que podem oferecer crescimento, e condições de melhora mental. Quem será entrevistado, por quem e até em que canal, hoje se faz necessário se saber para entender como se dará o programa.

Em síntese esta é uma ferramenta muito boa se usada de forma adequada pode e conseguirá proporcionar grande valia aqueles que desprendem do seu tempo.

1.3 O que falamos: com quem falamos?

Nada é mais claro do que a ideia de que escrevemos aquilo que falamos, e por quê? Ora, a escrita é uma reprodução quase que fiel do que falamos e com quem falamos. Nossos pensamentos transmitidos de forma oral, então o falar tem tudo a ver com que falamos se pensamos bem, falamos bem, se convivemos com pessoas que falam bem, certamente falaremos bem, e vice versa.

Associar a fala com que lemos é de essencial importância, se lemos filosofia, por exemplo, teremos maior facilidade de falar em filosofia, se lemos sobre esporte, política, economia, e, por conseguinte, teremos maior ou menor facilidade de falar a respeito se o tema estiver em nossa esfera de conhecimento.

Uma importante informação para melhor desenvolver a arte de falar está em dominar alguns conceitos, informações, definições e principalmente a língua mater. Sem o domínio mínimo necessário falar, escrever, pensar será um obstáculo grande a vencer, daí ser importante se apropriar desta ferramenta vital.

Também ao estar num ambiente acadêmico explorar ao máximo sua virtude a ponto de se permitir ser transformado por ele, transbordando do que há de melhor na Academia.

No livro A Arte de Pensar, assim se expressa:

O Homem, muito frequentemente, dá a impressão de que sua Inteligência é um veículo que, tendo esquecido que possuí cinco marchas, se arrasta em primeira. Foi repetido nos últimos anos que exploramos apenas 10% de nosso cérebro; seria mais correto dizer que 10% de nosso espírito. De fato, todos nascemos com uma inteligência, mas ninguém nasce com o manual de instruções para utiliza-la. Cabe à educação fornecê-lo. (IDE: 2000, VII).

Desta forma o curso que ora se apresenta tem a pretensão de iniciar um processo que caberá a cada aluno desenvolve-lo, o de pensar melhor, com maior clareza, de forma límpida, lógica e coerente, assumindo que a coesão é o fim em si mesmo.

Não há fórmulas mágicas, apenas como disse Churchill por ocasião dos bombardeios nazistas, se referindo que Londres não sucumbiria ao ataque, suas palavras de vigor e disciplina que ecoam pelos séculos foram: “sangue, suor e lágrimas”, estas palavras que alimentaram os ingleses naquele momento difícil é o que se oferece neste momento, não há facilidades, nem tranquilidade, mas se houver “sangue, suor e lágrimas”, até aquilo que parece ser improvável poderá conseguir alento e conquista inexorável.

2.  É preciso proceder do conhecido ao desconhecido (premissas e pressupostos)

Uma lei universal no aprendizado é se aprender do conhecido, ou seja, daquilo que se conhece para o não conhecido. Assim se for escrever ou falar use os termos mais conhecidos os usuais, aqueles que diariamente se usa para um melhor desempenho. 

Mas a título de discussão e aprendizado cumpre a tarefa de trabalhar alguns termos de importância par. Serão tratadas como palavras chaves.

ABSTRAÇÃO – é o processo de Inteligência que extraí (do latim abstabere) das realidades sensíveis, materiais, sua essência inteligível e universal. [...] O fruto da abstração é o conceito.

Exemplo: Pense em algo azedo, que antes de se levar a boca, ela encha de saliva e só de pensar haja a condição de salivar. Limão.

CONCEITO – conceito vem de concepção. O conceito é portanto o fruto da atividade da inteligência.

Exemplo: Como você conceituaria algo azedo, que antes de se levar a boca, faça com que ela encha de saliva? Limão.

DEDUÇÃO – é um raciocínio que vai do universal ao singular.

Exemplo: estou pensando num pomar de frutas, com muitas árvores carregadas de muitos frutos. Agora estou pensando num fruto azedo, que antes de colocar na boca faz com que ela saliva bastante? Limão.

DEFINIÇÃO – é uma operação ou um instrumento da inteligência pela qual ela diz distintamente o que é a coisa.

Exemplo: Como defino algo que é azedo, que pode ser ingerido como alimento, que se produz numa árvore frutífera, que tem normalmente cor verde e seu pé, não é muito alto, sendo seu suco usado costumeiramente para molhos de saladas? Limão.

DIVISÃO – é um instrumento da inteligência que lhe permite pôr em ordem no múltiplo, no confuso.

Exemplo: Artigo 1°, I, parágrafo 1°. (organizar para facilitar encontrar e depois se referir).

INDUÇÃO – o que caracteriza a indução é que ela se baseia numa enumeração de casos singulares para se elevar ao universal.

Exemplo: Claude Bernard observa que certos animais em jejum têm urinas claras (ácidas) e conclui que todos os animais em jejum têm urinas claras.

PREMISSA – é um juízo (portanto um enunciado ou uma proposição compostos de dois conceitos) que fundamenta uma conclusão. O raciocínio comporta sempre duas premissas. A premissa comporta o termo médio, mas não a conclusão, já que o termo médio tem por objetivo unir os termos da conclusão.

Exemplo: normalmente chamada de premissa maior e premissa menor.

Premissa maior: Todos os seres humanos são mamíferos.

Premissa menor: O Marcos é um ser humano.

Conclusão: Logo, o Marcos é um mamífero.

SILOGISMO: O que caracteriza o silogismo é que ele se baseia numa causa que une o sujeito e o predicado da problemática. Como a causa é o vínculo mais forte para mostrar união, o silogismo é o raciocínio mais rigoroso e o mais demonstrativo. [...] o silogismo vai do universal para o universal.

Exemplo: “meu futuro depende de minha liberdade; ora, os astros não podem predizer meu futuro”. O termo médio é uma causa (aqui, é “a liberdade”).

TESE – é a problemática formulada de maneira afirmativa. É, portanto o enunciado de um juízo. As teses numa Universidade têm esse nome porque seu objetivo é demonstrar, defender uma tese (ideia, no sentido restrito).

Exemplo: Crio a problemática que um jabuti se ensinado poderá um dia latir. Faço pesquisa, encontro pessoas que defendam a mesma ideia, e escrevo com uma centena de citações e defendo esta tese e consigo provar que um jabuti poderá latir, desde que...

 (IDE: 2000, IX,X, XI, XII e XIII).

Analogia – estabelecer comparações explicações entre situações distintas e raciocinar, então por analogia.

Exemplo: Dizer que “assim como o ser humano tem boa saúde quando se alimenta bem, esses alimentos também devem ser saudáveis”. Os alimentos assumem a condição de proporcionar saúde.

Argumento de autoridade – quando somos conhecedores de determinado assunto, confiamos na palavra de quem conhece esse assunto. Isso ocorre quando confiamos na palavra de um médico, de um cientista, etc. (SAVIAN: 2011, P.32, 33)

Exemplo: Após citar uma ideia para balizar o que se está falando ou escrevendo se cita uma autoridade reconhecida no assunto.

Entrementes é de vital importância o domínio dos conceitos para uma melhor forma de pensar. O pensamento organizado, bem compartido, racionalizado, tendo controle das coisas abstratas, atingirá o concreto com mais facilidade e terá o domínio na arte de pensar.

Por outro lado, o pensamento desconexo, sem flutuações em abstrações, sem controle nos conceitos, sem organização, sem compreensão dos fatos, dificilmente conseguirá pensar com clareza, tendo dificuldade até para pensar.

O desafio é o domínio destes conceitos para avançar no aprendizado se esmerando em reproduzir o que de melhor se consegue pensar. Daí partir do conhecido para o desconhecido ser de suma importância para ganhar confiança e acreditar que é possível navegar em outras águas. É sempre menos desejável se propor discutir, falar, conversar, discursar, tentar ensinar aquilo que não se tem conhecimento até porque se corre risco real de ser indagado sem alcançar a resposta desejável. Neste ponto a zona de conforto é ideal, imprescindível ter segurança para construir confiança de quem escuta, de quem aprende, de quem está interessado é péssimo quando se percebe que quem se propõe a ensinar, falar, debater é raso no conhecimento e pior ainda, se o público, pessoa, auditório a quem se pretende enfrentar é qualificado, tem formação, ou conhecimento variado o desastre é uma questão de tempo.

Ninguém em absoluto tem o domínio de tudo e quando se está numa ambiente desconhecido, por exemplo, quando não se conhece e nem se tem condições de conhecer com quem falamos ou conversamos a prudência exige que nestes casos considere a maior qualificação possível, e use da cautela ao falar, só transite em temas que se possa estar disposto a responder a alguma pergunta que surja com propriedade e respeito.

Outro erro bem próprio neste caso de pensar é considerar com quem falamos ou discutimos, ou temos que ensinar inferior no conhecimento. Nos dias atuais com acesso rápido a internet, com a comunicação veloz, com acesso a muitas coisas de resposta rápida essa é sem dúvida uma atitude suicida. Nada está mais distante da realidade do que imaginar que as pessoas não irão checar o que se fala pra elas. E pior ainda, que não obterão resposta adequada às indagações. O respeito a quem falamos a quem discutimos, e com quem estamos ensinando é o maior troféu que se pode conquistar na habilidade de pensar bem.

3.  Os princípios lógicos

Um pouco da história para entender como se desenvolveu a lógica ao longo dos séculos. Há o entendimento que a lógica tenha surgido na Índia, já a lógica grega surgiu e se descortinou independente daquela, para tanto cumpre observar o silogismo claro, preciso da Lógica Aristotélica e o silogismo da Escola de Nyaya. Não resta dúvida dívida que os gregos descobriram a razão e a utilizaram para descobrir como as coisas são. (NASCIMENTO: 1991, p.9).

A extensão de raiz da Lógica formal encontra-se na maiêutica de Sócrates que, aperfeiçoada por Platão, veio a ser a dialética. Em Platão há o desenvolvimento das análises do raciocínio.

É importante trazer a lume Parmênides já via a relação entre a coerência do pensamento com a forma de discurso descobrindo o princípio de identidade; “o que é é; o que não é não é: ou A é A.” A importância deste filosofo grego para o desabrochar da Lógica se baseia na sua aplicação rigorosa das condições do pensamento à determinação do ser. (NASCIMENTO: 1991, p.10).

A Lógica formalestuda o pensamento em sua estrutura formal, ou seja, o pensamento enquanto forma que pode ser preenchida por qualquer conteúdo oriundo da experiência. Essa estrutura formal, como já foi dito, não existe por si mesma, é apenas destacável mediante uma abstração, onde desprezamos momentaneamente o conteúdo para por em relevo apenas a forma, de modo artificial.(ALVES: 2005, p. 83).

A origem do termo Lógica não está bem certa, supondo-se que os comentadores de Aristóteles tenha criado o termo. Cícero emprega o termo e depois se torna corrente entre os estoicos.

O termo vem do grego logos, que se traduz por razão, se declinando para o sentido de ciência do raciocínio ou arte do raciocínio, e também ciência do pensamento, em última análise o dever ser.

Para bem conduzir o estudo cumpre observar os princípios traduzidos na lógica. Para tanto se pode observar através deste exemplo:

Deus criou o Universo. – generalidade

A Terra está no Universo. – fato

Logo, Deus criou a terra.

Como princípios que norteiam a lógica os filósofos estabeleceram o chamado princípio do conhecimento subdividido em: Princípio de Identidade; Princípio da Contradição; Princípio da Exclusão do Meio.

3.1 O princípio de identidade

A é A. Homem é Homem. Platão afirma, uma ideia é igual a ela mesma, uma cousa é o que ela é.

A linguagem comum e por exceção algumas vezes a linguagem técnica contém termos equivalentes. (NASCIMENTO: 1991, p.20).

O que significa dizer que este princípio estabelece o sentido das palavras, para que haja coesão no texto, na fala, ou no discurso. Além de buscar a compreensão, o entendimento claro e lúcido para quem escuta ou lê do que se escreve ou se fala. No ato da comunicação é extremamente se fazer entendido, caso contrário como dizem os especialistas haverá ruído que ocasionará em não entendimento, ou compreensão distorcida.

Como afirma o livro Lógica Aplicada a Advocacia:

[...]sem o princípio de identidade seria impossível uma discussão, por isso os escolásticos prescrevem: ‘antes de qualquer discussão dê-se o sentido que devem ter as palavras no decorrer dela. (NASCIMENTO: 1991, p.20,21).

3.2 O princípio da contradição

Neste princípio se propõe que “uma coisa não pode ser e deixar de ser ao mesmo tempo” (NASCIMENTO: 1991, p.21), desta feita o que não pode acontecer é o que o brocardo afirma “não há direito contra o direito” (Idem), assim um ambiente não poder ser gélido e quente ao mesmo tempo, ou ele é quente ou gélido, caso contrário haverá uma contradição impossível de se resolver.

Trazendo para o Direito se pode afirmar:

Todas as vezes que dois homens têm sobre uma mesma cousa um julgamento contrário é certo que um deles está enganado. Há mais: nenhum dos dois está com a verdade, porque se estivesse com a verdade teria uma vista clara e nítida (evidência) e poderia expor a seu adversário de tal maneira que acabaria convencendo.  ((NASCIMENTO: 1991, p.21 e 22).

A lógica exige o mínimo de coerência para poder chegar a um resultado coberto pelos princípios abalizadores, desta forma trazer a baila proposituras contraditórias trará um resultado não desejado e porá por terra a coesão do pensamento.

3.3 O princípio da Exclusão do meio

Neste princípio se encontra a seguinte premissa: “uma cousa deve ser ou não ser” (Idem), por esta ideia se pode entender de “duas cousas contraditórias uma deve ser verdadeira, a outra falsa” (Idem).

Para melhor aplicação deste princípio cumpre entender que uma proposição deve excluir a outra assim, todo homem é mortal; nenhum homem é mortal. A carga do princípio discutido está em ser matéria necessária contra matéria contingente, ou seja, que pode se entender “por necessário o que sempre acontece e contingente que pode acontecer ou não”. (Idem).

Assim se pode entender que para este princípio havendo contradição, uma proposição será verdadeira e a outra proposição será falsa.

Conclusão

Neste primeiro módulo se procurou provocar a ideia através do pensamento e como desenvolve-lo através de alguns conceitos e técnicas próprias para a evolução na forma como se pode pensar, escrever e falar.

É certo que não se trata de tarefa fácil exigindo exercício constante e frequente, mas é possível se atentar para alguns conselhos de aplicação fácil:

a) Procure desenvolver o hábito da leitura – comece por algo fácil, agradável e que desperta a atenção, e avance com o tempo para algo mais técnico e específico até estar lendo com facilidade assuntos mais profundos e complexos;

b) Procure assistir programas que eleve o pensamento – Jornais televisivos, mas não o de uma emissora só, variar é sempre importante. Documentários, reportagens, entrevistas, e programas afins, ajudam muito neste processo.

c) Desenvolva o hábito de relembrar o que leu e assistiu fazendo reflexão crítica - Assim fazendo poderá sem muita dificuldade além de memorizar o assunto, tirar suas impressões formando sua opinião, sem vício do tema.

Acredite é possível ampliar e avançar neste quesito tão importante.

Bibliografia:

ARISTÓTELES. Retórica. São Paulo, Ridel, 2007.

ALVES, Alaôr Caffé. Lógica: Pensamento Formal e Argumentação. 4ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2005.

ILDE, Pascal. A arte de pensar. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

NASCIMENTO, Edmundo Dantès. Lógica aplicada à advocacia. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 1991.

PERELMAN, Chaïm. Lógica Jurídica. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

__________________. Tratado da Argumentação: A Nova Retórica. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

PLUTARCO.  Como tirar proveito dos seus inimigos. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

RODRÍGUES, Víctor Gabriel. Argumentação jurídica: Técnicas de persuasão e lógica informal. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

SAVIAN, Juvenal Filho. Argumentação: a ferramenta do filosofar. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

SCHOPENHAUER, Arthur. Como vencer um debate sem precisar ter razão. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.

 

 

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