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Luto e Melancolia


Autoria:

Marielsa Klatter Braga


Advogada e escritora. Graduanda em letras. Extensão: Filosofia e Sociologia,Direitos Humanos,Criminologia,Transtornos da mente entre outros. Escritora: Violinos Vermelhos 2ª edição editora Multifoco. A venda em todo Brasil pela livraria cultura.

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Resumo:

Luto e Melancolia de Freud

Texto enviado ao JurisWay em 06/01/2011.



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Luto e Melancolia

 Freud apresenta no texto em questão, algumas considerações a respeito do que são luto e melancolia comparando-a ao afeto natural do luto e limitando a discutir apenas as manifestações psicogênicas. Demonstrando nas duas situações os efeitos da perda de um objeto amado sobre o ego, a relação colocada por ele entre luto e melancolia justifica-se pela semelhança no quadro geral dessas duas manifestações. Diferencia luto e melancolia e os aspectos presentes em cada um, acreditando que o luto poderá ser formado após certo tempo, sem haver uma interferência e também encontrar nele, traços como desânimo profundo, perda de interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar e inibição de atividades. Para ele o desinteresse pelo mundo externo é causado pelo fato de que este não invoca mais o objeto perdido, há a perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor para substituir o que foi perdido e o afastamento de atividades que não estejam ligadas a pensamentos sobre esse objeto.

O luto impede a libido de se movimentar para outro objeto, as pessoas não abandonam de forma tão simples uma atividade dessa libido, ainda que surja um substituto. 

  A respeito desse assunto gostaria  de mencionar o filme “Reine Sobre Mim” onde evidencia o aspecto do luto no personagem Charlie em conseqüência da tragédia do dia 11 de setembro quando perde a esposa e filhas isolando-se do mundo externo. O luto não implica condição patológica desde que seja superado após certo período de tempo. No caso de Charlie a partir do luto, da perda do objeto amado que era a família dele, desenvolveu outras características como a culpa que não está presente no luto comum e sim no luto patológico. 

Segundo Freud, no luto há uma perda relativa a um objeto e na melancolia o sujeito sofre a perda, mas não sabe exatamente o motivo e também pode instituir reação à perda de um objeto amado, uma perda objetal transformada na perda do ego levando a noção de narcisismo. Nas palavras de Freud, (pág. 251, 2º parágrafo linha 4/6), onde diz que “o objeto talvez não tenha realmente morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor”. Além dos sintomas que estão presentes no luto, como o desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, inibição de atividades, na melancolia há uma diminuição da auto-estima e empobrecimento do ego em grande escala. Evidencia-se no melancólico a culpa e a punição, ou seja, ele se auto-recrimina, se auto-envilece, o que significa dizer que se degrada. No luto o mundo torna-se vazio e na melancolia é o ego que se torna vazio.

Outro filme entre tantos que poderia citar aqui é “PS: Eu Te Amo”, onde uma jovem plenamente realizada na carreira e na vida afetiva casa-se com seu grande amor que inesperadamente morre. Antes de morrer deixa para ela algumas cartas com mensagens surpreendentes terminando todas com “P.S Eu Te Amo”, sua mãe e suas amigas preocupam-se porque as cartas a mantém presa ao passado, mas na verdade as cartas a ajudam. O filme evidencia bem o estado de luto comum nesse caso, diferentemente de “Reine Sobre Mim” onde o luto de Charlie manifesta outros aspectos como disse antes, um luto patológico.

Para Freud, o melancólico perde o amor próprio e tem razões suficientes para que isso ocorra, a perda do objeto, que o melancólico aponta como tendo sido uma perda relativa ao seu próprio ego. Diz ainda que na auto-avaliação, sua maior preocupação não é com o corpo ou sua infelicidade diante dos outros, mas o medo da  pobreza, o melancólico não se envergonha nem se oculta porque tudo que dizem de deselegante sobre ele, refere-se à outra pessoa que ele ama ou deveria amar. Ao invés de demonstrar inferioridade e submissão tornam-se pessoas importunas, evidenciando propositalmente que são injustiçadas e desconsideradas. Evidencia o desapontamento proveniente da pessoa amada, a quem foi realizada a escolha objetal, ou seja, a ligação da libido a uma pessoa. A partir desta desconsideração sofrida, a catexia objetal (a busca do objeto) foi liquidada, a libido não foi deslocada para outro objeto e sim foi retirada para o ego. Assim pode ser estabelecida uma identificação do ego com o objeto que fi abandonado. Pode-se dizer que a sombra do objeto caiu sobre o ego e assim este pode ser julgado como se fosse o objeto abandonado. Daí, “Uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego enquanto alterado pela identificação” (pág. 254/255 da obra já citada).

Para Freud, a melancolia  é a forma patológica do luto, neste o sujeito consegue desligar-se progressivamente do objeto perdido, na melancolia ao contrário, ele se intitula culpado pela morte da pessoa perdida, identificando de tal maneira com ela que sente os mesmos sofrimentos que imagina que o morto tenha sofrido. Também observou que por ser o luto extremamente doloroso, a pessoa enlutada deve tentar minimizá-la ou evitá-la por completo, daí a importância de que menciona no texto, da família e dos amigos.

Segundo Freud, mania em nada difere do conteúdo da melancolia, como se ambos lutassem contra o mesmo complexo. Na melancolia o ego sucumbiria ao mesmo e na mania já o teria superado resultando disso um estado de alegria por alívio, de economia de energia. Neste último caso a libido fora liberada para novas catexias objetais, Freud situa a melancolia como uma afecção narcísica.

Concluindo, Freud em sua analogia entre luto e melancolia, destaca que no primeiro perdeu-se o objeto amado e no segundo, houve a perda do eu. Na melancolia o sujeito é invadido pelo outro, pela dor, a perda do objeto do eu. “No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego” (pág. 251, último parág. Linhas 8/9). Segundo Freud o sujeito com potencialidade melancólica identifica-se com o objeto perdido, fantasiosamente para evitar a perda, tornando-se estranho para si mesmo. No luto simples não há uma condição patológica e é superado após um determinado tempo, na melancolia o objeto pode ser real ou não, há condição patplógica e só é superado se o melancólico for tratado, surge na consciência do melancólico o ódio em forma de culpa e auto-repreensão, no estado de melancolia o eu se divide. Uma parte se volta contra a outra condenando pela perda ou pela incapacidade de viver sem aquilo que se perdeu, se identificando com aquilo que se perdeu.

O melancólico vive aquilo que se perdeu de uma forma narcisista, onde só existe pra ele, como a história grega de Narciso que adorava a si mesmo e morreu adorando seu próprio rosto. O sentido do narcisismo está relacionado à noção de identificação narcisista que corresponde ao processo psíquico do qual os investimentos objetais são abandonados e substituídos por identificações. A afecção melancólica como a perda de um objeto de amor conduz a libido, retirada dos objetos, e se desloca para o próprio ego do indivíduo sendo utilizada para o estabelecimento de uma identificação do ego com o objeto perdido. Freud investiga luto e melancolia ressaltando o aspecto natural do primeiro e o aspecto complexo do segundo e ao final ele supõe um esquema funcional que explicaria a melancolia como depreciação de si, insônia, ausência de apetite, falta de vontade de viver entre outros aspectos.

Na tentativa de uma dedução do seu mecanismo ele diz, em resumo, que o principal que está em jogo na melancolia parece ser o fato de que o investimento do objeto é substituído por uma identificação. Aproxima o luto normal do luto melancólico, como já foi mencionado anteriormente, faz algumas comparações no luto e melancolia evidenciando na segunda a perturbação da auto-estima que na primeira é ausente na segunda, ou seja, a melancolia, à perda do objeto se mostra muito grave e ameaçadora para o eu. A diferença entre a melancolia e o luto se marca principalmente pelo fato de, no primeiro caso, a dependência do homem em relação a esse objeto se mostra mais profunda, a ponto de tornar-se patológico.

Fim

 

 

 

 

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