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A distância entre ética e moral


Autoria:

Marcos Antonio Duarte Silva


Doutorando em Ciências Criminais, Doutorando em Teologia e Mestre em Filosofia do Direito e do Estado(PUC/SP), Mestre em Teologia, Especialista em Direito Penal e Processo Penal(Mackenzie), Especialista em Filosofia Contemporânea; Especialista em Psicanálise, formação em Psicanálise Clínica, Psicanálise Integrativa e Psicanálise Análise e Supervisão Licenciado em Filosofia, formado em Direito,Jornalista, Psicanalista Clínico,Professor de Pós Graduação.

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Resumo:

Ao longo dos anos há uma ligeira confusão entre ética e moral, principalmente na cultura brasileira, por conta da etimologia da palavra, sendo que a palavra ética é grega, e moral vem do latim, e ambas tratam em parte a questão da conduta.

Texto enviado ao JurisWay em 26/03/2024.



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A distância entre ética e moral

 

Resumo: Ao longo dos anos há uma ligeira confusão entre ética e moral, principalmente na cultura brasileira, por conta da etimologia da palavra, sendo que a palavra ética é grega, e moral vem do latim, e ambas tratam em parte a questão da conduta, contudo, se é possível perceber que ética tem uma maior profundidade e tem atravessado os séculos sem mudanças, pois sua extensão alcance a questão do caráter e lisura, enquanto moralidade, tem sido considerada ao longo dos séculos bem flexível, principalmente no que diz respeito a sua aplicabilidade, só distinguir conduta, realmente não alcança a extensão atingida como a palavra ética, o que em seu cerne tem trazido certa confusão, uma vez que não raras vezes para se explicar alguns deslizes se usa moralidade e outras ética, o que traz em si mesma muita dissuasão até promovendo dúvida se este erro não é proposital e compelido, uma vez que os que causam tal situação, mormente, estão normalmente conscientes da diferenças e o uso é para exatamente causar este tipo de atmosfera duvidosa, então se pergunta da importância de se evidenciar o que significa uma e outra palavra e revitalizar o uso, para que as futuras gerações não tenham dúvida sobre o verdadeiro significado e, principalmente, se conscientize da importância que cada uma tem na sociedade, não pulverizando sua utilização.

 

Palavras Chaves: Ética. Moral. Etimologia. Grega. Latim.

 

Abstract: Over the years there has been a slight confusion between ethics and morals, mainly in Brazilian culture, due to the etymology of the word, with the word ethics being Greek, and morals coming from Latin, and both deal in part with the issue of conduct. , however, if it is possible to perceive that ethics has greater depth and has crossed the centuries without changes, as its extension reaches the issue of character and fairness, as morality, it has been considered over the centuries to be very flexible, especially with regard to its applicability, just distinguishing conduct, really does not reach the extent achieved by the word ethics, which at its core has brought a certain amount of confusion, since it is not uncommon to explain some mistakes when morality and other ethics are used, which brings in itself a lot of deterrence, even promoting doubt as to whether this error is not purposeful and compelled, since those who cause such a situation, above all, are normally aware of the differences and the use is to exactly cause this type of dubious atmosphere, so one wonders why It is important to highlight what each word means and revitalize its use, so that future generations have no doubt about the true meaning and, above all, become aware of the importance that each word has in society, not spraying its use.

 

Keywords: Ethics. Moral. Etymology. Greek. Latin.

1.    Introdução

A palavra ética e moral tem sido usada de forma não distinta e este fato tem causado em grande medida, muita confusão, uma vez que o uso para propósitos outros tem sido e muito questionado.

A palavra ética tem origem grega, o que por si só já leva a entender sua extensão muito maior, pois para os gregos a exatidão dos significados dos termos sempre foi necessário para a boa construção de uma frase, prosa, além de reproduzir com certa exatidão expressão desejada de quem a profere. Como exemplo se pode verificar, no grego koinê, (comum), a palavra amor, e suas variantes; eros, Storgé, Philia, Ágape.

Este é só um exemplo da riqueza encontrada na língua grega, uma vez que não se limita a usar um só termo, no caso amor, porém, o diferencia, aplicando a cada situação exigida seu exato significado.

Já a palavra moral vem do latim romano, e por si só demonstra como pode ser diminuta, uma vez esta língua não possuir a extensão, até por se limitar e muito suas expressões. Usando do mesmo exemplo, no latim a palavra amor, vem apenas cunhada como amare. Sem a extensão grega para a mesma palavra, só a título de exemplo.

Nesta linha não é então difícil perceber que devido à origem diferente das palavras ética e moral, não se pode utiliza-las como sinônimos, pois na verdade não são.

E o que dizer de seu uso indiscriminado, ora usada como ética, quando se quer realmente trazer uma disposição muito diferente da usual, e ora como moral, o que acaba por confundir.

A proposta do artigo é trazer a diferença demonstrando que o uso efetivo de cada uma delas em sentenças (frases, períodos) corretos poderia trazer um esclarecimento muito melhor, para compreensão para entender também o que não é ético e o que não é moral.

É certo que para tal fato se faz necessário se reproduzir, indagações, como, por que se faz importante distingui-las?

Por que não usar ética e moral como se fossem sinônimos? E, qual a amplitude se pode alcançar, em utilizá-las respeitando seu significado etimológico?


2.    A etimologia da ética e da moral

Na busca de melhor compreender o significado da palavra ética, se faz importante se considerar sua etimologia. Do grego ethos, que significa “caráter”, “costume” ou “modo de ser”. (https://www.dicionarioetimologico.com.br/etica/).

Se faz salutar destacar a questão do “caráter”, citado na amplificação da palavra ética, bem como “costume”, além de “modo de ser”. Nestas três variações etimológicas se pode extrair algo muito sério.

O termo caráter vem do grego “kharaktêr, eros” (do lat. Character, -ĕris, em grego, marca, sinal), sinal gravado, “marca gravada, sulcada”, metaforicamente “marca, impressão ou símbolo na alma”.

(https://origemdapalavra.com.br/palavras/carater/#:~:text=Ela%20vem%20do%20Latim%20CHARACTER,%2C%20%E2%80%9Criscar%2C%20sulcar%E2%80%9D).

Na conceituação da palavra caráter percebe-se ser “marca gravada”, “sulcada”, “impressão”, ou seja, algo que se distingue, que aponta para uma certa exclusividade além de trazer o seguinte, “marca”, “sinal”, efetivando a concepção de distinção, de destaque para a questão do “caráter”.

Nesta esteira, se localiza o “costume” e o “modo de ser”, que não pode destoar deste significado de caráter, ao menos não é a ideia que significar traz em seu bojo.

Já a moral, tem seu significado etimológico, assim;

Ela vem do Latim MORALIS, “comportamento adequado de uma pessoa em sociedade”, literalmente “relativo às maneiras, ao comportamento”, de MOS, “costumes, maneiras, modo de agir”.

(https://origemdapalavra.com.br/palavras/moral/)

Com base neste aporte, não é complicado entender a confusão feita entre ética e moral, senão vejamos, moral “comportamento adequado de uma pessoa em sociedade” e ainda “costumes, maneiras, modo de agir”. 

Em contraste com “modo de agir”, “modo de ser”, a primeira expressão se refere a moral e a segunda à ética, ora “agir” não é igual a “ser”. Mas evidentemente numa leitura rápida e confortavelmente sem pretensões (ou sim) pode-se ajustar uma para ser igual a outra, contudo não é.

Nesta base se pode antever o que se reproduz;

Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes. Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório. (https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/ANTONIOCARLOSALESSI/etica_e_moral#:~:text=seu%20meio%20social.-,e%20Moral%20tem%20sua%20origem%20)

A expansão do significado, produz algo extensivo para melhor compreensão, “conjunto de normas” com a finalidade de regular, ou seja, algo que vem de fora, norma, para dentro “regula”.

Diferentemente da ética que traz em sua melhor tradução, “caráter”, algo de dentro para fora.

E aqui o entendimento fica mais claro, uma vez que ética depende do que vem de dentro da pessoa e moral, como ela se adapta as normas externas.

Evidentemente, para se conseguir ser moral, respeitar e atender as normas é extremamente importante se ter caráter, o que acaba por definir como estas normas sociais, legais serão respeitadas.


3.    A ética e política

Na busca de uma compreensão ainda maior, se pode observar um fato que ocorre e se faz necessário entender de forma um pouco mais amiúde: a política conjugada na ética, ou melhor dizendo, a ética e política.

Importa ressaltar que não se trata de ética NA política, isso seria por demais enfadonho, e sem dúvida alguma se tornaria em um artigo de folhetim, não é esta questão.

A ética como exposto é superior e muito a política, uma vez que os valores empreendidos, buscados na ética não se compara a política em nada em sua substância e também em seu tecido social.

Na linha conduzida, cumpre saber o que é política.

Política é a atividade da governança, do Estado e das relações de poder e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses.

O conceito de política tem origem no grego politikós, uma derivação de polis que significa "cidade" e tikós, que se refere ao "bem comum".

(https://www.significados.com.br/politica/)

Exsurge, como importante no contexto desejado, a compreensão do que é política, e neste entalhe se concebe, “Política é a atividade da governança, do Estado”. Também de origem grega, se busca um viés definido e este é a busca do “bem comum”.

Se política é a busca do “bem comum” a ética é caráter, que deve ser um molde único então o que dizer sobre política e ética?

Bobbio em seu dicionário, completando a ideia de política, assim a significa;

O conceito de Política, entendida como forma de atividade ou de práxis humana, está estreitamente ligado ao de poder. Este tem sido tradicionalmente definido como "consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem" (Hobbes) ou, analogamente, como "conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados" (Russell). Sendo um destes meios, além do domínio da natureza, o domínio sobre os outros homens, o poder é definido por vezes como uma relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe ao outro a própria vontade e lhe determina, malgrado seu, o comportamento. (BOBBIO,1998, p.954).

Começando desta feita por política, se pode verificar que na concepção de Bobbio “política” está “ligado ao [...] de poder”, ou quem tem “o domínio sobre os outros homens”. Este domínio deve ser entendido como poder, o que na verdade não pode passar de certos limites nos dias atuais, como por exemplo, decidir sobre a vida e morte, inadvertidamente, dos habitantes do Estado, o que acontecia e muito, no tempo da monarquia, o que também era conhecido como Absolutismo, uma vez que havia um Estado de um único governante.

Diferentemente, nos dias atuais, há uma descentralização deste poder, distribuído no que se chama Congresso, conjugado na figura do Senado Federal e da Câmara dos Deputados Federais.

Ademais, este conceito centra a questão da política dentro de um eixo muito propício.

A discussão então passa por conjugar ética a política, passando pela adoção do termo “caráter”, o que de fato, traduz o que se espera da política, que ao ser conduzida possa trazer o “bem estar” a população, habitantes do Estado, o que se é esperado daqueles que estão no poder.  


4.    A moral e política

Para introduzir este tema tão ululante se faz importante auspiciosamente, verificar este texto muito dileto, dentro da ordem da moral;

 ‘Se a minha autoridade tem para ti algum valor’ – dizia ele – ‘pratica a moral para poderes ser feliz, e não te importes que fulano ou cicrano te ache estúpido. Deixa que os outros te ofendam e te injuriem; desde que possuas a virtude em nada serás lesado por isso. Se queres ser feliz, se queres ser um homem de bem e digno de confiança, não te importes que os outros te desprezem!’ Ninguém conseguirá atingir este nível se previamente não tiver negado qualquer valor a tudo o mais, se não tiver colocado todos os bens em pé de igualdade - porque não existe bem onde não há moral, e a moral é sempre a mesma em todas as circunstâncias.” Sêneca, Carta 71, a Lucilo, 7. (SANTOS, 2016, p. 9).

A moral descrita no texto claramente sobrepõe a ideia de uma conduta definida pelos bons “costumes”, no que tange a prática.

Nesta visão cumpre lembrar;

Na filosofia, a moral é a parte que trata dos valores em si e do sentimento e ações do indivíduo, orientados por esses valores. São as decisões que o ser humano toma, no exercício de sua liberdade, sobre o que deve fazer ou não para manter o bem-estar social. (https://www.significados.com.br/moral/#:~:text=A%20moral%20na%20Filosofia&text=Principalmente%20como%20os%20valores%20s%C3%A3o,constroem%20e%20fundamentam%20a%20moral) .

No texto em comento aparece a oportuna expressão “valores” em referência a moral, o que acrescenta a ideia primal que os “costumes” tem uma métrica que são valores e estes devem ser elencados como valores sociais.

Estes valores não devem mudar a medida que o tempo muda, se assim for, a moral, filosoficamente tratando, não passa de um engodo muito profundo, contudo, o bojo da questão é verificar que esta moral está muito além da proclamada na sociedade, pois, reverbera como valor desassociado da chamada flexibilidade moral.

Neste ponto se faz necessário afirmar que não se tem a pretensão da produção de um texto crivado de conservadorismo, se é que se pode buscar um significado, hoje perdido pelo uso indiscriminado desta palavra.

Precisa-se não perder de vista que a moral apresentada é aquela que formou um quinhão de reserva na sociedade com fim de preservar a ideia de “valores”, tão necessários de ser compreendido pelas pessoas da sociedade.

Com o findo de manutenção mínima de convívio, não de imposição da chamada erroneamente de “moralidade a qualquer custo”. Este embrião inusitado, plantado de conservadorismo, vem devastando sociedades inteiras, pois impõe um código de conduta, quase que impossível de ser alcançado.

O conteúdo [da moral] é sempre concreto e, por conseguinte, imprevisível; há sempre invenção. A única coisa que conta é saber se a invenção que se faz, se faz em nome da liberdade”. A decorrência desse pensamento é a dificuldade em estabelecer os critérios para a fundamentação da moral. Sartre prometeu e não conseguiu cumprir a elaboração de uma ética que não sucumbisse ao individualismo e relativismo já que, segundo ele, “cada homem é responsável por toda humanidade. (ARANHA,1993, p.403).

A riqueza sustentada neste texto interpõe a questão surgente, afinal propõe que em nome da chamada “liberdade” se pode impor critérios não estabelecidos para “fundamentação da moral”, numa análise minimamente criteriosa, sucumbe a qualquer base de convivência, pois como se pode administrar a convivência entre iguais na base de que os desiguais devem ser ofensivos a convivência mínima da sociedade? Nada está mais distante da liberdade, então proclamada.

Ainda neste alinhamento se observa;

A ampliação do grau de consciência e de liberdade, e portanto de responsabilidade pessoal no comportamento moral, introduz um elemento contraditório que irá, o tempo todo, angustiar o homem: a moral, ao mesmo tempo que é o conjunto de regras que determina como deve ser o comportamento dos indivíduos do grupo, é também a livre e consciente aceitação das normas. Isso significa que o ato só é propriamente moral se passar pelo crivo da aceitação pessoal da norma. À exterioridade da moral contrapõe-se à necessidade da interioridade, da adesão mais íntima. (ARANHA,1993, p.406).

Como a política pode ser vista deste prisma?

Eis o ponto nevrálgico, uma vez que a política se põe acima destes valores propostos, e saí como uma moral não revelada nos pensadores, nos livros e também no coeficiente moral da história universal.

Uma moral política que não tem base de sustentação, afinal ela só cabe ao corpo político, não podendo ser usada na justiça, na contabilidade do sujeito, ou qualquer instituição de controle social, assim sendo pode-se dizer que há uma divisão não igualitária, porém vigente dentro da sociedade, uma representada por políticos e outra pela multidão de pessoas que constroem a sociedade.

5.     A ética e a moral relativada nos dias atuais

Em face do todo escrito se chega facilmente a conclusão que há uma relativação da ética, afinal, se percebe facilmente nos noticiários esta dicotomia presente na sociedade moderna (aqui, não se refere ao modernismo como avanço, apenas como tempo).

E como se pode verificar este espírito divisório?

Os conceitos de moral e ética, embora sejam diferentes, são com frequência usados como sinônimos. Aliás, a etimologia dos termos é semelhante: moral vem do latim mos, moris, que significa "maneira de se comportar regulada pelo uso", daí "costume", e de moralis, morale, adjetivo referente ao que é "relativo aos costumes". Ética vem do grego ethos, que tem o mesmo significado de "costume". Em sentido bem amplo, a moral é o conjunto das regras de conduta admitidas em determinada época ou por um grupo de homens. Nesse sentido, o homem moral é aquele que age bem ou mal na medida em que acata ou transgride as regras do grupo. (ARANHA,1993, p.405). (Grifos nossos).

O que deve chamar atenção no texto referendado é que “acata [...]as regras do grupo”, o que torna mais peculiar esta questão usada e muito nos meios políticos é que as regras transigidas por este grupo político tem que ser obedecidos, sem flexibilização por todos os habitantes da sociedade, menos pelos detentores de um poder ainda não compreendido.

A legislação é reproduzida, analisada e aprovada por estes. Só que com a mesma pressa que elaboram normas, regras e leis que estabelecem e proclamam, eles transgridem sem pudor e evocam para si defesa não existente para pessoas iguais na sua concepção, porém não ocupantes dos cargos que ocupam.

É evidente que há um choque de realidade duro de se sustentar em vista desta verdade imanente. 

Culturas diferentes possuem códigos morais que em grande medida se sobrepõe. Existe uma série de valores morais como confiança, amizade, coragem, proibição do assassinato ou do incesto que estão presentes em qualquer sociedade.Não é difícil de compreender porque existem alguns valores universais. A vida em sociedade não é possível com qualquer tipo de norma. É necessário certo nível de confiança e proibições, como do assassinato, para que as pessoas sejam capazes de conviver. Até mesmo uma sociedade de ladrões precisa de um código de ética que proíba a mentira, por exemplo. Do contrário, não teriam a confiança mínima um no outro necessária para levar adiante seus planos. (https://filosofianaescola.com/moral/relativismo-moral/0

No texto integral há um estudo interessante sobre a questão do relativismo moral, com argumentos muito úteis, contudo, se pode prospectar que há sim normas universais aceitas pela maioria absoluta da comunidade internacional, uma vez que desta dependem a convivência mínima entre todas as nações e entre as pessoas em geral.

A própria citação oferece exemplos do que pode ser considerados universal. Nestes exemplos se encontram uma verdade moral e ética não relativada, afinal se entende, sem argumentos enganosos que para se conviver minimamente, há de se ter bom senso, este sim, indivisível.

Novamente, se faz necessário vislumbrar a questão de não estar efetivamente se defendendo pontos obtusos de certo e errado, entrando na seara de um conservadorismo acachapante, pelo contrário, respeitado a questão dos costumes culturais, se pode aceitar de forma sobeja normas que atendam a necessidade universal, não esbarrando em cultura.

Logicamente se está numa fronteira pra lá de íngreme, incerta e rarefeita, contudo é imperativo que os povos consigam conviver dentro de um limite mínimo, e para tanto a aceitação do possível, do ponderável se faz necessário.

O problema na nossa política não é uma questão de convicções morais de mais, mas de menos. Nossa política é tão exaltada por causa do seu essencial vazio, em conteúdo moral ou espiritual. Ela não é capaz de enfrentar as grandes questões que importam a todos. O vazio moral da política contemporânea tem algumas explicações. Uma delas é a tentativa de banir do discurso público a questão dos ideais. Na esperança de evitar confrontos sectários, muitas vezes insistimos em que os cidadãos deixem suas convicções morais e espirituais para trás ao entrar na arena pública. (SANDEL, 2016, p.19).

Esse vazio proclamado é a total ausência de qualquer projeto, planejamento ou feitura de alguma obra que não vise unicamente a tão sonhada reeleição ou, na mesma esteira, indicar o sucessor de quem está no poder.

“O vazio moral” que a política arrasta a população, além do “discurso político”, vem acompanhado da ideia visceral, da deidade que os políticos sentem em relação a si mesmos, uma vez que não erram, nem se enganam, não cometem crime, mas o chamado deslize moral, e principalmente, o povo é apenas uma ferramenta útil para pagar por sua vida riquíssima e confortável, sem nenhum retorno social.

Frente a esta conclusão óbvia, ética e moral realmente não ocupam o mesmo universo do cidadão comum que ocupam dos políticos.

Evidentemente, esta certeza não é sem fundamento, basta verificar a história do Brasil desde seu descobrimento até os dias atuais, e se pode perguntar, em que momento o povo que viveu e vive nestas terras teve algum político cem por cento preocupado em apenas e tão somente se dedicar ao bem estar da vida dos cidadãos?

A resposta é NUNCA, pois se houvesse existido este país certamente estaria entre os cinco primeiros em muitos dos quesitos que hoje trazem desespero na população. E ao contrário do que se divulga, o IDH (índice de desenvolvimento humano) está baixo, baixíssimo, porque nos fatores mais importantes o Brasil falha de forma vexatória.

A ética e a moral nos discursos tratando deste tema é realmente relativada, afinal, para os políticos brasileiros estes índices que só pioram são perfeitamente aceitáveis.


Considerações Finais

Quanto mais distância houver entre ética e moral, mais será possível se chegar na ética. Quanto mais proximidade entre ética e moral, mais distante a ética estará.

Não é pessimismo, muito ao contrário é reconhecimento do que se tem vivido há anos no país, sem nenhuma mudança para melhor nem sequer aparente, apenas definido como algo aquém do aceitável.

A orla ou melhor séquito real composto por governo após governo, para acompanhar a tragédia social nos rincões do país, tem chegado cada dia mais as grandes capitais demonstrando que a cada ano a pobreza se instala em todos os lugares, sem exceção.

Para piorar, o debate não saí do chão promessas de campanha não de um candidato, mais de todos que postulam poder, não passa de vazias, pois uma vez que assumem o tão sonhado posto, simplesmente são esquecidas em prol do bem maior, reeleição e ou indicação do favorito a substituir o que está no poder.

E por mais que se tente, há aqueles que são cegos e fanáticos por estes poderosos a ponto de não enxergarem seus erros, suas falhas gritantes e até criminosas em busca do reconhecimento próprio, da conquista de ser “idolatrado” e nesta esteira sem fim se caminha.

Há sem margem de dúvida a necessidade de uma reconstrução nos valores nacionais, baseados não na herança política que se tem, mas em busca de valores básicos de respeito e dignidade da pessoa humana.

Se torna absolutamente claro que o modelo político brasileiro fracassou e nada sobrou para sequer retomá-lo. As aventuras tem que cessar.

As gerações futuras não podem, não devem herdar esta mesquinharia de país. O Estado está falido, financeiramente e moralmente falando. A ética além de flexibilizada numa atitude nunca antes vista está à deriva, sem nenhuma condição de se reerguer.

A sugestão? Apostar em algo que traga uma ideia real de política social (não envolvendo os asseclas, familiares, amigos que tenha que se pagar uma dívida impagável), desta forma poucos são aqueles que no atual cenário se habilita.

A ideia aqui é provocar os valores expostos, a ética verdadeira a moral envernizada em outras localidades, para poder voltar a sonhar. É possível...


Referências Bibliográficas

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando Introdução à Filosofia. Editora São Paulo: Moderna, 1993.

BOBBIO, Norberto. Dicionário de política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1a ed., 1998.

SANDEL, Michael J. O que o dinheiro não compra [recurso eletrônico]: os limites morais do mercado. 1. ed. - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. Recurso Digital

 

SANTOS, Bento Silva. Filosofia política I [recurso eletrônico] / Bento Silva Santos, Ricardo da Costa. - Dados eletrônicos. - Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2016.

https://origemdapalavra.com.br/palavras/carater/#:~:text=Ela%20vem%20do%20Latim%20CHARACTER,%2C%20%E2%80%9Criscar%2C%20sulcar%E2%80%9D

https://www.dicionarioetimologico.com.br/etica/

https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/ANTONIOCARLOSALESSI/etica_e_moral#:~:text=seu%20meio%20social.-,e%20Moral%20tem%20sua%20origem%20

https://www.significados.com.br/moral/#:~:text=A%20moral%20na%20Filosofia&text=Principalmente%20como%20os%20valores%20s%C3%A3o,constroem%20e%20fundamentam%20a%20moral.

https://www.significados.com.br/politica/

 

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