JurisWay - Sistema Educacional Online
 
Kit com 30 mil modelos de petições
 
Cursos
Certificados
Concursos
OAB
ENEM
Vídeos
Modelos
Perguntas
Eventos
Artigos
Fale Conosco
Mais...
 
Email
Senha
powered by
Google  
 

Carta de Suicídio


Autoria:

Nelson Olivo Capeleti Junior


Bacharel em Direito pela Faculdade Cenecista de Joinville. Aprovado no XX Exame de Ordem. Advogado - OAB/SC 51.501 Contato: capeleti.legis@gmail.com Rede Social: Nelson Capelletti

envie um e-mail para este autor

Resumo:

O calor de um raio de Sol, quando se esta prestes a abandonar as sensações de quente e frio, acarreta singulares questionamentos, e, diante do afago da estrela comum, o horizonte de Ana se confundiu nas inúmeras Cláudias que fora até então.

Texto enviado ao JurisWay em 05/12/2017.



Indique este texto a seus amigos indique esta página a um amigo



Quer disponibilizar seu artigo no JurisWay?

 

 


 

Decidira, Ana Cláudia, que era hora de morrer. A vida social que levava lhe era estranha. Seus afetos lhe eram estranhos. Nada se encaixava neste universo de plástico e tijolos.

Sentou-se para escrever sua carta de suicídio:

- Amigos; parentes próximos e distantes; colegas de trabalho; afetos de hoje e de ontem; estou decidida a deixá-los. Na realidade, há tempos que vem crescendo em minha consciência a consciência de que não pertenço a este lugar, a vossas coloridas realidades.

- Não encontrei realização em meus afazeres profissionais; minha vida conjugal é apenas vida, eis que não a conjugo com ninguém e, quando me deleito no afeto de outrem, sou deixada de lado, porque tudo o que quiseram foi o corpo e não a alma. Hoje, deixo para trás o corpo e parto enquanto alma.

- Na realidade; à bem da realidade, vejo apenas dissabores na realidade.

- Dentre tantas mascaras nas multifaces de meu “eu”, qual delas me constituiu realmente o “ser”? Qual dos fantoches que fui me constituiu a personagem que sou?

- O fato é que, não se trata apenas de meu “eu”, mas da relação de meu “eu”, com as demais personagens no palco da vida, que estou prestes a abandonar.

- Não somos o que somos, senão uma representação daquilo que verdadeiramente somos e, representando as personagens que adotamos, no palco da existência, sinto-me na impotência de barganhar com o roteirista um melhor cenário.

- Será que as outras personagens ainda não perceberam a falácia do enredo? As tramas da vida são desenvolvidas com base em valores que em nada refletem seu objetivo teleológico. A ética e a moral são mascaras nas quais se escondem feições de prazeres inferiores. A moral religiosa é um verniz que cobre a rudeza da personalidade e seus matizes de imbuia e fosco são fantoches destas relações falsas que ocultam a natureza rústica de nossas vontades rameiras.

- O melhor a se fazer é deixar a vida!

- Deixar a vida para aqueles que ainda não perceberam no espelho seu reflexo multifacetado e a sensação de estar em degredo.

- Não obstante, as relações líquidas destes tempos líquidos, em que a mídia nos convenceu a todos de que, a felicidade, é afinal, abrir uma coca cola. A felicidade é ter e não “ser” e “ser” só é “ser” se a personagem puder ter aquilo que lhe convenceram de que, tendo, seria aceita.

- Ter para “ser”.

- Na ausência de realizar-me na aquisição de bens materiais e na liquides de minhas relações insólitas o que me resta é a morte.

Ana Cláudia levantara-se da cadeira enquanto alma decidida a abandonar seu corpo. Direcionou-se à sacada do apartamento no décimo segundo andar e lá, ao se inclinar no parapeito, sentiu o calor de um raio de sol no fim de tarde, que lhe alcançou a face ante a fresta de uma nuvem carregada e cinza.

O calor de um raio de Sol, quando se esta prestes a abandonar as sensações de quente e frio, acarreta singulares questionamentos, e, diante do afago da estrela comum, o horizonte de Ana se confundiu nas inúmeras Cláudias que fora até então.

A sensação de queda lhe precipitou o corpo. Sentiu o estremecer das pernas; Caiu...

Caiu sentada no porcelanato da sacada e verteu copioso pranto.

Importante:
1 - Conforme lei 9.610/98, que dispõe sobre direitos autorais, a reprodução parcial ou integral desta obra sem autorização prévia e expressa do autor constitui ofensa aos seus direitos autorais (art. 29). Em caso de interesse, use o link localizado na parte superior direita da página para entrar em contato com o autor do texto.
2 - Entretanto, de acordo com a lei 9.610/98, art. 46, não constitui ofensa aos direitos autorais a citação de passagens da obra para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor (Nelson Olivo Capeleti Junior) e a fonte www.jurisway.org.br.
3 - O JurisWay não interfere nas obras disponibilizadas pelos doutrinadores, razão pela qual refletem exclusivamente as opiniões, ideias e conceitos de seus autores.

Nenhum comentário cadastrado.



Somente usuários cadastrados podem avaliar o conteúdo do JurisWay.

Para comentar este artigo, entre com seu e-mail e senha abaixo ou faço o cadastro no site.

Já sou cadastrado no JurisWay





Esqueceu login/senha?
Lembrete por e-mail

Não sou cadastrado no JurisWay




 
Copyright (c) 2006-2021. JurisWay - Todos os direitos reservados