JurisWay - Sistema Educacional Online
 
JurisWay - Servidor Público na Lei 8.112 com Certificado
 
Cursos
Certificados
Concursos
OAB
ENEM
Vídeos
Modelos
Perguntas
Notícias
Artigos
Fale Conosco
Mais...
 
Email
Senha
powered by
Google  
 

A OBSERVÂNCIA DA CRISE JURÍDICA EM CONFRONTO COM O PENSAMENTO DE EDGAR MORIN


Autoria:

João Marcel Araujo De Souza


Acadêmico do curso de Direito da Faculdade AGES, Paripiranga/BA.

Resumo:

Este artigo realça uma pesquisa de campo realizada. As entrevistas estão em uma totalidade estruturada, se atentando às opiniões e sentimentos que o entrevistado possui a respeito do atual ensino jurídico.

Texto enviado ao JurisWay em 14/04/2011.

Última edição/atualização em 29/04/2011.



Indique este texto a seus amigos indique esta página a um amigo



Quer disponibilizar seu artigo no JurisWay?

A OBSERVÂNCIA DA CRISE JURÍDICA EM CONFRONTO COM O PENSAMENTO DE EDGAR MORIN [1]

 

 

João Marcel Araujo de Souza[2]

 

 

 

RESUMO:

Este artigo realça uma pesquisa de campo realizada na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – AGES. As entrevistas estão em uma totalidade estruturada, se atentando às opiniões e sentimentos que cada entrevistado possui a respeito do papel atual do ensino jurídico presente em nosso país, sendo inter-relacionadas com os pontos de vista de Edgar Morin e Horácio Rodrigues. As entrevistas feitas foram utilizadas com o intuito de provocar uma manifestação nas opiniões e pontos-de-vista diversos na temática do assunto. Servindo-se desta para a obtenção de informações sobre o que as pessoas sentem, pensam ou fazem a respeito do assunto abordado.

 

 

Palavras-Chave: entrevistas, ensino jurídico, Morin, Rodrigues, opiniões, informações.

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Com o intuito de se expandir o nosso conhecimento a respeito da questão referente à crise do ensino jurídico no Brasil, busca-se neste artigo destacar os contextos deste tema presente na realidade da comunidade acadêmica por meio de uma pesquisa de campo realizada na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – AGES. Almejando compreender os diversos aspectos de opiniões e posicionamentos dos acadêmicos e professores do curso de Direito, a respeito do ensino jurídico. Realizando-se uma pesquisa sobre certo fenômeno em seu contexto real, por meio de uma exploração intensiva de mais de uma unidade de estudo, sendo uma análise comparativa, por meio da pesquisa de campo voltada para o estudo em cima das respostas dadas pelos entrevistados.

Utilizando das respostas destes com o intuito de explorar as situações da vida real perante o contexto trabalhado.

 Chegando a finalidade de se abranger os aspectos presentes no curso de Direito, conseguindo informações e obtendo conhecimento acerca da problemática apresentada aos entrevistados. Tentando entender as transformações e problemas.

Pretendendo, inclusive, identificar o posicionamento que cada docente possui, coligando os diversos olhares perante os temas abordados. O artigo apresenta como referencial teórico as pesquisas de: Morin (2003); Rodrigues (1993); Lafer (1988), entre outros. A proposta metodológica faz uma abordagem quantitativa, visando coletar dados que demonstrem os contextos e as organizações presentes nos métodos de ensino jurídico, presentes nas instituições de Ensino Superior.

Vale destacar o Método de Coleta de Materiais, sendo apoiado em uma observação direta e intensiva, que possui uma restrição assistemática, participante, individual, conforme a realidade. As entrevistas são estruturadas, focalizando e dirigindo-se a um determinado tema, a crise no ensino jurídico. Utilizada para a obtenção de informações sobre o que as pessoas sentem, pensam ou fazem a respeito do assunto tocado. Podendo, assim, verificar fatos, opiniões e sentimentos, se averiguando os planos de ação de cada um. Destacando-se a observação direta extensiva que é feita durante a pesquisa, sendo realizada através da aplicação de questionários, que promoveram respostas que irão proporcionar os dados requeridos para esclarecer o problema desta pesquisa.

Os resultados mostram a importância do conhecimento da estrutura organizacional no válido método de ensino, seus resultados futuros para com a sociedade e realidade, assim como as atitudes dos acadêmicos ao saírem formados. Concluí-se ser interessante essa busca pelo aperfeiçoamento no ensino jurídico, conhecendo suas perspectivas futuras e a contínua busca pelo processo qualitativo do ensino-aprendizagem.

 

1. REFLETINDO SOBRE O ENSINO JURÍDICO

 

A crise presente no ensino jurídico ainda é bastante notável, já que o ensino exige muito a compreensão de que a educação é a forma mais eficaz de intervenção no mundo. Edgar Morin considera que a educação deve ser a responsável pela promoção da inteligência geral, de modo multidimensional e presente na concepção global.

Para que possamos falar a respeito do ensino de Direito, é deverás a necessidade de se saber o que realmente seja o Direito. Ensinar Direito não significa apenas a reprodução de dogmas. Sem sombra de dúvidas a função principal do docente é problematizar a própria crise que vem afetando o direito, para que assim se possa desvendar os caminhos que contribuirão para a construção de uma nova sociedade, em que exista um novo Direito que promova a verdade e a justiça.

De acordo com Horácio Wanderlei Rodrigues, em sua obra Ensino Jurídico e Direito Alternativo, é elaborada uma divisão das grandes crises que afetam o ensino jurídico de graduação no Brasil contemporâneo. Sendo afirmado pelo autor que a crise funcional se desdobra em crise do mercado de trabalho e em crise de identidade e legitimidade dos operadores jurídicos. Segundo ele o Direito Alternativo é tido como um novo paradigma epistemológico viável, possibilitando a recuperação da legitimidade da instância jurídica pela busca da realização concreta da justiça nas situações de conflitos que se apresentam. Incorpora também o novo parâmetro teórico para o ensino jurídico.

O Direito impõe um conhecimento dogmático, abstrato, divorciado da realidade e que solidifica o mito de que o sistema jurídico tem respostas para todas as questões apresentadas pela sociedade. O que se vislumbra é o despreparo dos operadores do direito para resolverem questões cada vez mais complexas.

O Direito não pode estar direcionado apenas para a doutrina, visto que estas prendem o paradigma em outro tempo. Ou seja, o Direito deve está voltado para o futuro e não devendo se preocupar com problemas passados. Não podendo ser admitida uma educação na qual ainda está condicionada e limitada à sala de aula, e inclusive a uma realidade já ultrapassada e que ainda é imposta por doutrinadores. Assim como percebemos nos dizeres de um dos entrevistados “(...), repetir-se desmedidamente o que a doutrina majoritária assevera impede que o contexto social seja ponderado com mais efetividade.”

De acordo com o próprio professor Horácio Wanderlei Rodrigues, em sua obra o Ensino Jurídico e Direito Alternativo

"a constatação da existência de uma crise concomitantemente político-ideológica e epistemológica do Direito acarreta a necessidade da construção de uma alternativa viável, que possibilite a sua recuperação enquanto instância representativa das aspirações sociais.

       O reducionismo de grande parte dos movimentos críticos existentes ao nível acadêmico acabou inviabilizando-os como opções concretas de superação do positivismo. Nesse espaço surge o Direito Alternativo como possibilidade de resgate da integralidade do jurídico." [3].

    (...)

“O que o movimento Direito Alternativo traz então de novo se encontra exatamente na fixação de critérios básicos a serem adotados, em cada caso, na escolha da decisão a ser tomada. O princípio (que consciente ou inconscientemente é sempre político-ideológico) deve ser a opção pelos pobres, pelos oprimidos, pelas classes e grupos marginalizados e geralmente expropriados de qualquer Direito. O pressuposto interpretativo deve ser o comprometimento com o bem comum, entendido com o bem da maioria da população."[4]

 

Desta forma, este Direito novo tratado pelo autor nasce como uma passagem duradoura que servirá para a construção de um sistema jurídico capaz de regular a vida e de contribuir para a construção de uma sociedade, promovendo uma melhora para todos.

Este direito novo formulado por Rodrigues deve surgir em uma nova sociedade com a finalidade se valer como resposta para a crise. Trata-se da questão da crise como o ponto de mutação, a transformação que se dá devido à anormalidade existente, Capra é quem apresenta esta compreensão.

Um dos principais fatores que ocasionam esta anormalidade presente no sistema educacional jurídico é tido como resultado da grande crise que está presente na sociedade. Como sabemos, a crise da sociedade repercute no interior do sistema jurídico.

Neste foco, sabemos que o direito novo deve ser proveniente de uma sociedade nova, devendo este estar voltado para o futuro, estimulando-se condutas. Não sendo um sistema que apenas sirva para amordaçar sonhos e desejos, assim como é muito percebido nos questionários.

O Direito deve ser um elemento que almeje a harmonia social, servindo-se como uma base para a conscientização, promovendo grandes avanços para a realidade social. Demonstrando a importância para com o direito do próximo. É imperativo que se ensine com base na condição humana, respeitando-se a dignidade da pessoa humana. Não deve se constituir em instrumento de proteção dos detentores do poder político. Não pode ser arma de manutenção dos privilégios dos detentores do poder econômico.

A reforma do pensamento precisa ser feita com grande urgência, com o fim de se sintonizar com uma nova ótica, través da qual mostre que o mundo vem sendo redescoberto pelas ciências. Promovendo uma compreensão da realidade, conjuntamente com uma educação que liberte, conscientize e promova a solidariedade, a felicidade e o amor, em consonância com Morin ao afirmar que “a sabedoria resulta da síntese harmoniosa entre o conhecimento fundamento na razão – a prosa da vida – a dimensão poética e a loucura sábia do amor” (Morin, 2001).

Em a cabeça bem-feita, Morin dedica especial devoção a questão do impasse Sociedade-Escola e ao “buraco negro” o qual existe com a finalidade de engolir as diversas tentativas de reforma do pensamento.

Nos questionários apresentados aos acadêmicos do curso de direito, é bastante explicito a conscientização que cada um tem de quanto é importante para a formação profissional e a valoração da sociedade-cidadania, principalmente a respeito da abordagem que deve ser feita em cima dos direito humanos.

Os alunos de direito devem ter a cabeça voltada para os direitos humanos, visto que o simples fato de possuir um direito inerente a sua vontade, já se ocasiona em um direito humano. O direito de ser feliz, de viver bem, de alcançar desejos e objetivos, porém devendo estes desejos serem limitados no momento em que se choquem com os desejos ou, até mesmo, o bem estar de uma outra pessoa.

Uma proposta apropriada ao Curso de Direito, com o fim de se atingir uma condição com o fim de se melhorar a situação de direitos humanos, poderia estar atrelada às contribuições das culturas que é trazida pela condição humana, apresentada por Edgar Morin.

Desta forma, o curso de direito não pode apenas está emparedado no positivismo falho. De acordo com a reposta de um dos entrevistados percebemos que “o estudante de direito tem somente, ou se prende, sobretudo na lei para tomar as decisões e não numa visão transdimensional.” É importante que seja feito um estudo da linguagem, por meio dos elementos proposto pela literatura e poesia, responsáveis por nos promover uma viagem até o caráter real da condição humana, constituindo desta maneira uma farta contribuição reflexiva sobre a condição humana. O romance também tem grande importância para este enfoque, porém ainda é um elemento invisível nas ciências humanas. São disciplinas como estas, assim como o Direito, responsáveis por ocultar ou dissolverem características existenciais, subjetivas, efetivas do ser.

É nessa ordem de idéias que se insere a sugestão de Morin, de que a Literatura seja escolhida, como um dos possíveis eixos transdisciplinares, nos futuros currículos. É urgente a re-humanização e a rearticulação interativa do Ensino.

Não será por meio do positivismo, imposto em sala de aula, nem mesmo através de dispositivos ou da doutrina arcaica e defasada, que os alunos do curso de direito começarão a enxergar as relações do ser humano com o outro, com a sociedade, com o mundo.

Segundo Morin, a ciência não tem mais a missão de afastar a desordem de suas teorias, mas sim, de estudá-las. Não se deve abolir a idéia de organização, mas concebê-la e introduzi-la para englobar disciplinas parciais. Esta pode ser a melhor solução para que possa surgir um novo paradigma. Em harmonia com outro professor entrevistado “(...) O ensino pautado na interdisciplinaridade proporciona ao aluno uma visão macro do conhecimento, possibilitando ao mesmo encontrar a solução para resolver os problemas da sociedade, de acordo não somente com as técnicas jurídicas, mas, sobretudo com os ensinamentos das diversas áreas do saber.”

As obras, são as responsáveis por nos ensinar a ver o mundo de uma outra forma, podemos perceber a profundidade da condição humana.

Segundo Celso Lafer, os “Direitos Humanos provém de uma elaboração no campo dos valores, derivada da percepção de um comum universal nas formas de conceber a vida em sociedade que ultrapassa as concepções tradicionais de interesses de soberania, pois diz respeito à questão da legitimidade”. [5]

O curso de Direito tenta nos transparecer a idéia de que os Direitos Humanos são construídos por meio de uma invenção ligada à organização da comunidade política, sendo dessa forma, difícil, conseqüentemente atribuir uma dimensão permanente, não-variável e absoluta para direitos que se revelaram historicamente relativos.

É necessário o surgimento de uma educação verdadeira, uma educação que possui como objetivo principal preparar o indivíduo para a vida, com o fim de que possa este contribuir para com a transformação da realidade.

Assim, o ensino que é aprovisionado nas faculdades de direito não aprovam ao estudante a classe de solucionar os novos conflitos existentes na sociedade, visto que conjuntamente com a evolução social, ocasionam-se novas necessidades a serem supridas, e a ciência do direito se encontra bastante engajada no paradigma anterior, por conta disto é muito importante que o aluno aprenda a pesquisar, e principalmente entenda que a pesquisa de uma forma correta lhe dará a sustentação suficiente necessária no exercício de sua profissão, esta posição encontra-se em um dos questionários apresentados aos professores entrevistados.

Para João Mauricio Adeodato, pesquisar é quase sinônimo de estudar, significando uma forma especial de estudo. O grande problema no curso de direito é que os alunos apenas se atem ao uso de manuais e livros, sem mesmo saber como se efetua a devida pesquisa. A doutrina que é tão bajulada nos cursos de direito, é uma das maiores causadoras de erros do conhecimento, já que além de sujeitar nossas idéias ao erro, ainda protege os erros e ilusões nela escritos. É a doutrina racionalizadora, da qual Edgar Morin trata, em que deixa de ser racional por obedecer a um modelo mecanicista e determinista, se consistindo no erro da razão.

Ao tratar a respeito da visão crítica da realidade que os operadores e estudantes de Direito possuem, no questionário apresentado, um dos professores reza que:

“A inovação no mundo jurídico depende de forma direta da capacidade de compreensão da realidade que nos cerca. Dessa forma, faz-se necessário um profundo questionamento sobre a realidade que, de forma fática, nos apresenta. Ao instrumentalizar o direito muitas vezes nos esquecemos que, o mesmo, está diretamente ligado aos acontecimentos na sociedade, ao nosso dia a dia, e que, o direito, não é um compartimento estanque, mas sim dependente de vários fatores externos. É impossível termos uma visão crítica do direito sem que tenhamos a visão do todo. A tendência atual é que haja uma maior conciliação entre esses vários fatores influenciadores; aliás, sem uma visão acurada e crítica não se há falar em modificações, e, cabe ao estudante de direito, aos professores e a todos os militantes na esfera jurídica uma aprofundada reflexão, pois, somente dessa forma será possível uma nova visão sobre o mundo jurídico. Em não agindo assim, a doutrina permanecerá imutável, descompassando-se da realidade, transformando-se em letras mortas. Cabe, então, aos operadores do direito, essa missão e creio que a tendência atual do ensino é seguidora desse norte. Portanto vejo, com satisfação, uma visão mais crítica por parte dos professores e alunos ao trabalharem os institutos do direito, adequando-os a uma realidade diferente daquela existente quando se firmaram determinados conceitos.(...)”

Com relação à posição apresentada pelo professor, podemos dizer que o processo de educação jurídica tem um papel muito importante para com a superação de problemas e para construção de uma nova realidade.

Repetir o que é posto pela doutrina, será a causa principal que impedirá que o contexto social seja ajuizado com uma carga maior de efetividade. Sendo preciso, que os professores possuam a competência necessária para manter o acadêmico estimulado pela sede de conhecimento e aprendizagem, para que este possa ser posto em direção à pesquisa.

 É de grande importância que o aluno aprenda a pesquisar, e inclusive entenda o que a pesquisa feita da maneira correta lhe trará um maior sustento necessário para o exercício de sua profissão, até mesmo por conta das novas ocasiões que acabam fugindo do alcance dos ensinos postos pelas faculdades de Direito, assim como nos ensina um dos professores.

Segundo Morin, não se pode reformar uma instituição, sem uma prévia reforma das mentes, mas não se podem reformar as mentes, sem uma prévia reforma das instituições. Essa é uma impossibilidade lógica que produz um duplo bloqueio.

 

 

1.1 Questionários passados para os alunos do Curso de Direito

 

Foi por meio dos questionários passados para os 10 acadêmicos do Curso Superior de Direito da Faculdade AGES, no município de Paripiranga/BA, que podemos constatar o nível de conhecimento dos alunos acerca do assunto abordado nos questionários, graças às aulas lecionadas nas disciplinas de Técnica de Pesquisa Jurídica I e Direito Humanos.

Os questionários foram respondidos por nove alunos do nono período do Curso de Direito e um aluno do décimo período do Curso d Direito. No percentual de 100% dos alunos 80% deles é do nono período de Direito e 20% dos alunos faz parte do décimo período de Direito.

 

 

1) Dominar o saber científico e pedagógico, saber ensinar de forma que o aluno aprenda e saber lidar com fatores do contexto sociocultural e institucional, são características importantes para o perfil de um professor universitário no curso de direito. A problematização e o estimulo em produção de soluções harmônicas com conteúdo social, ainda são características escassas no curso de Direito.

Diante disto é importante que haja uma correção no processo tradicional de ensino jurídico no Brasil? Por quê?

Ao fazermos esta pergunta, obtivemos dos 10 alunos entrevistados 10 respostas “Sim”. No percentual de 100% dos alunos que acham que seja importante que haja correção no processo tradicional de ensino jurídico no Brasil, veja o gráfico abaixo:

2) Quais as dificuldades que você tem na faculdade ao longo do seu curso de Direito?

 

Quando foi feita esta pergunta, foi notado um grande dificuldade da boa parte dos alunos, com exceção de apenas 2 alunos que responderam que não tinha dificuldades, no entanto, todo o resto se queixou de dificuldades presentes nos métodos de ensino, com a falta de qualificação dos professores, o desestímulo, entre diversas outras causas. Veja gráfico a seguir:

 

3) Você esta satisfeito com a sua escolha de curso?

 

Dos alunos que responderam esta questão, 7 afirmaram que “Sim”, enquanto os demais confirmaram que “Não”. Conforme demonstra o gráfico:

 

4) Por ser bastante influenciado pelo ambiente cultural, acabou tendo o seu conhecimento emparedado, levando-o a um engaiolamento Dogmatico-positivista. Diante disto podemos dizer que o curso de Direito está preso à um modelo de educação e de visão cientifica sem senso crítico? Por quê?

 

Partindo de um pressuposto de que o ensino jurídico se encontra em uma crise, foi feita esta pergunta, na qual tivemos um percentual de 90% de respostas positivas, enquanto apenas 10% responderam que “depende do foco da instituição de ensino (...)”. Observe o gráfico seguinte:

 

5) Susana Albornoz Stein, por seu turno, sustenta que a escola reproduz a injustiça da sociedade. Em diferentes níveis do "inconsciente coletivo", na sociedade do mundo ocidental, faz-se notar expectativa de que a escola corrija a injustiça social.

Em sua opinião um sistema novo de ensino poderá conduzir realmente à melhoria da situação em termos de direitos humanos em todo o mundo?

 

Com base nos resultados obtidos pelos questionários, notamos que 8 dos alunos entrevistados acreditam que sim. E apenas 2 acham que um sistema novo de ensino não conduzirá à uma melhora da situação em termos de direito humanos, por afirmarem que esta questão interior de cada individuo, advindo da índole própria. O outro acredita que o ensino não afetará esta questão de direito humanos. Vejamos o gráfico exposto a seguir:

 

 

6) Sabe-se que o mercado de trabalho do curso de direito é bastante abrangente. Até onde vai essa abrangência para você?

 

Quando foi feita esta pergunta, a maioria afirmou que o curso de direito é bastante abrangente, podendo alcançar o limite da ciência do direito, podendo mesmo ser ampliado de forma infinita. Outros afirmaram que esta “abrangência só existe para quem está bem preparado (...)”. Um dos entrevistados não enxerga esta abrangência. Enquanto o outro diz que esta abrangência chega até o STF, abrangendo um todo. Veja o gráfico:

Fonte: Acadêmicos do curso superior de direito da Faculdade AGES

 


1.2 Questionários passados para os professores da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

 

 

Foi com o mesmo intuito e perspectiva de realizar um levantamento a respeito do nível de conhecimento e opiniões que os professores e profissionais do ramo do direito têm acerca do Ensino Jurídico no Brasil, que aplicamos questionários para cinco professores. Destacados como professores de ensino superior, no município de Paripiranga/BA, na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – AGES. O nosso objetivo foi analisar as diversas opiniões a respeito deste tema que traz tantas desavenças e diversos pontos de vista.

Entre os cinco professores que responderam aos questionários, percebemos que eles ensinam em diferentes disciplinas. Sendo que, um deles leciona a disciplina de Processo Civil, dois trabalham com Processo Penal, um atua com as disciplinas de Direito Internacional Público & Privado, o outro com Direito Civil e Direito Processual Civil.

No percentual dos professores 40% ensinam Direito Processual Penal, 40% ensinam Direito Processual Civil, 20% Direito Empresarial e 20% dos professores ensinam Direito Internacional Público & Privado.

 

 

 

 

 

Após analises dos questionários, percebemos que a maioria dos professores tem conhecimento acerca do determinado assunto.

 

 

1-      O ensino ministrado nas faculdades de direito possibilitam ao estudante a condição de solucionar os novos conflitos existentes na sociedade?

 

Baseados nos resultados obtidos através dos questionários pudemos constatar que dois dos professores entrevistados acreditam que o ensino ministrados nas faculdades de direito possibilitam sim ao estudante a condição de solucionar os novos conflitos existentes na sociedade e um deste acredita que seja necessário que o estudantes entenda como principio fundamental a pesquisa cotidiana e rotineira.

Os outros dois professores acreditam que isto dependerá da formação e da visão desenvolvida de cada individuo, afirmando que esta função não é de responsabilidade exclusiva apenas da faculdade. Como podemos ver no gráfico abaixo:

 

 

2-      Atualmente, os estudantes e profissionais do Direito possuem uma visão crítica da realidade repensando a aplicação dos institutos jurídicos desenvolvidos pela doutrina?

 

Ao perguntarmos aos professores se atualmente, os estudantes e profissionais do Direito possuem uma visão crítica da realidade repensando a aplicação dos institutos jurídicos desenvolvidos pela doutrina, dos 5 professores 2 responderam que “Sim”, 2 responderam que “Não”. E apenas um respondeu que dependeria “da capacidade de compreensão que temos da realidade que nos cerca”. Conforme o gráfico abaixo:

 

 

3-      O ensino jurídico ministrado nas universidades consegue transmitir ao acadêmico, conhecimentos nas diversas áreas do saber, como por exemplo, sociologia, psicologia, filosofia e economia?

 

Perguntamos também no questionário se o ensino jurídico ministrado nas universidades consegue transmitir ao acadêmico, conhecimentos nas diversas áreas do saber, como por exemplo, sociologia, psicologia, filosofia e economia, a maioria dos professores respondeu que “Não”, enquanto a minoria optou por uma resposta positiva, alegando que não há como existir um conhecimento neutro, sempre estando ensejado conjuntamente com outras áreas.

As respostas mostraram que as instituições oferecem disciplinas que tenham relação com a área jurídica, porém, não há um vinculo entre as essências destas áreas. Veja o gráfico abaixo:

 

4-      Você acha que algo deve ser modificado na formação acadêmica dos profissionais do direito? Em sendo positiva a afirmação, quais os principais pontos a serem melhorados?

 

Ao analisarmos estes questionários, percebemos um resultado satisfatório, visto que os professores acreditam que seja necessária uma modificação na formação acadêmica dos profissionais, com base em argumentos como a necessidade de se desenvolver uma postura critica com o fim de que estes alunos possam aplicar a lei de forma correta. Outro professor acredita que esta mudança deva ser feita não apenas no direito, mas em todas as áreas do conhecimento. Como exposto pelo gráfico abaixo:

 

 

 

5-      O ensino jurídico proporciona ao estudante o desenvolvimento do conhecimento técnico, prático e humano, fornecendo-lhe a capacidade de ministrar os conflitos da vida?

 

Quando perguntamos aos professores se o ensino jurídico proporciona ao estudante o desenvolvimento do conhecimento técnico, prático e humano, fornecendo-lhe a capacidade de ministrar os conflitos da vida. Os resultados foram variados, pois dos 5 professores, 2 responderam que “Sim”, 2 responderam que “Não”, enquanto apenas um respondeu que dependeria da individualidade e formalidade de cada um. Conforme o gráfico abaixo:

 

Fonte: Professores do curso superior de direito da Faculdade AGES

 

 

6-      O ensino atual possibilita ao estudante o desenvolvimento da capacidade de gerenciar os problemas subjetivos, tais como: as fraquezas emocionais e afetivas, bem como, o relacionamento com os outros?

 

Mediante os dados coletado, percebemos que os professores, não tiveram duvida alguma ao responderem esta questão. Três dos professores responderam que “Não”, um se destacou ao responder apenas que “só ocorre com a prática”.

Outros 2 alegaram que dependeria, tendo em vista a disposição do individuo para que se possa ser desenvolvida a capacidade do individuo de gerenciar os problemas subjetivos. Veja o gráfico abaixo:

 

Fonte: Professores do curso superior de direito da Faculdade AGES

 

 

Esses resultados obtidos através desta pesquisa utilizando questionários servem para comprovar que ha um total descontentamento com o ensino jurídico de forma geral, tanto dos alunos da Faculdade AGES, quanto por parte dos professores da mesma instituição. Acredito que esta pesquisa tenha servindo para a concretização de um desabafo por parte de todos, proveniente de um inconformismo e indignação diante da forma e do tipo de saber que vem sendo propagado pelas escolas de Direito.

 

2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Diante de todo o exposto, é imprescindível que reflitamos a respeito das questões que foram tratadas. A educação realmente tem a chave principal que servirá de auxilio durante a nossa jornada em busca de uma melhor relação do universo jurídico com a cidadania e com os direitos humanos.

É grande a expectativa que temos, ao desejarmos que chegue um dia em que finalmente a formalização do Direito acabe trazendo resultados positivos para a nossa realidade, com o intuito de atender aos anseios da sociedade em que vivemos. Para isso é importante que ocorra a criação de um espaço verdadeiramente público em uma sociedade estruturada pelas premissas do Direito.

É Necessário, que tenhamos coragem e determinação para que possamos colocar em ação a proposta de criação de uma sociedade mais comprometida, justa e que propague igualdade para todos. Para isso é preciso que sejam utilizados e postos em pratica todos os elementos que estão presentes nos papeis, ou seja, tudo aquilo que é encontrado no universo das idéias deve ser posto para fora, incorporado no mundo real, diante da realidade social que vivemos e presenciamos todos os dias.

É preciso que o indivíduo se liberte da tradição e abra em seu espírito o espaço para o novo e o inesperado, permitindo que surja a sua face crítica. Que ocorra o despertar do espírito científico. Sem uma visão crítica o aluno e operador do direito, será apenas um receptor do que já está escrito, sem a capacidade precisa para enfrentar as incertezas, por conta desta época rica em mudança e em que tudo se mantém ligado.

O direito se molda conforme a sociedade, ou seja, se uma sociedade nova surgi, o deve direito renascer como uma forma de resposta eficaz e imediata, e o individuo deve estar preparado para enfrentar as incerteza ligadas ao conhecimento. Vemos que os objetos de estudos passam por transformações contínuas, ou seja, o inesperado nos surpreende, isso é o que nos mostra Edgar Morin, por isso devemos estar prontos para o inesperado, para que quando o imprevisto enfim nos alcance, consigamos rever nossas teorias e idéias, por isso que a educação do futuro deve estar voltada para as incertezas do conhecimento.

O ensino jurídico é muito velho e atrasado para a atualidade, se encontrado preso em um paradigma envelhecido, ainda comprometido com a ideologia das classes dominantes. É preciso que o ensino jurídico seja repensado com urgência, devendo deixar de ser um meio de reprodução, se tornando um meio de construção significativa do conhecimento. Sendo obrigado a modificar a ciência jurídica, abandonando a produção de saberes presentes no curso atual e substituindo, assim, a presente abordagem por um mais atual e renovado, condicionando o ensino às melhores formas de se aplicar o Direito.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

CAPRA, Frijof. O Ponto de Mutação. 2º ed. São Paulo: Cultrix, 2001.

LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia das Letras, 1988.

 

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. Ed.São Paulo: Cortez, 2000.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

MORIN, Edgar. Amor, poesia e sabedoria. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

RODRIGUES, Horácio Wanderlei. Ensino jurídico e direito alternativo. São Paulo: Acadêmica, 1993.



[1] Artigo apresentado como um dos requisitos avaliativo na disciplina de conclusão de curso, sob orientação do Professor Ms. Jaldemir Santana Batista.

[2] Universitário – acadêmico do IX período do curso de Direito da faculdade AGES, Paripiranga/BA. E-mail: marcel_desouza@msn.com

 

[3]RODRIGUES, Horácio Wanderlei. Ensino jurídico e direito alternativo. São Paulo: Acadêmica, 1993p. 151.

[4] RODRIGUES, Horácio Wanderlei. Ensino jurídico e direito alternativo. São Paulo: Acadêmica, 1993p. 162.

[5] LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Cia das Letras, 1988.

Importante:
1 - Conforme lei 9.610/98, que dispõe sobre direitos autorais, a reprodução parcial ou integral desta obra sem autorização prévia e expressa do autor constitui ofensa aos seus direitos autorais (art. 29). Em caso de interesse, use o link localizado na parte superior direita da página para entrar em contato com o autor do texto.
2 - Entretanto, de acordo com a lei 9.610/98, art. 46, não constitui ofensa aos direitos autorais a citação de passagens da obra para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor (João Marcel Araujo De Souza) e a fonte www.jurisway.org.br.
3 - O JurisWay não interfere nas obras disponibilizadas pelos doutrinadores, razão pela qual refletem exclusivamente as opiniões, ideias e conceitos de seus autores.

Nenhum comentário cadastrado.



Somente usuários cadastrados podem avaliar o conteúdo do JurisWay.

Para comentar este artigo, entre com seu e-mail e senha abaixo ou faço o cadastro no site.

Já sou cadastrado no JurisWay





Esqueceu login/senha?
Lembrete por e-mail

Não sou cadastrado no JurisWay




 
Copyright (c) 2006-2019. JurisWay - Todos os direitos reservados