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1984


Autoria:

Laiane Santos De Almeida E Soraia Conceição Santos Nascimento


Acadêmicas do X período do Curso de Direito da Faculdade AGES

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Texto enviado ao JurisWay em 07/04/2011.

Última edição/atualização em 12/04/2011.



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ORWELL, George. 1984. Tradução de Wilson Velloso. 23. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1996.


Laiane Santos de Almeida

Soraia Conceição Santos Nascimento

Osvaldina Karine Santana Borges


George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, jornalista ensaísta e romancista britânico, nascido em Bengala, na Índia Inglesa, em 25 de Junho de 1903, morreu em Londres, em 21 de Janeiro de 1950. Com a obra em questão o autor critica o stalinismo, o nazismo e todo o regime totalitário da época. Sua escrita é marcada por descrições concisas de eventos e condições sociais e o desprezo por todos os tipos de autoridade. Mostra ainda a redução do indivíduo à condição de objeto de manipulação do Estado totalitário e ditador.

A obra escrita em 1948 teve seu título invertido pelos editores, a intenção de Orwell era descrever um futuro baseado nos absurdos vividos no presente. Disfarçada de democracia, a Oceania, que na obra não trata-se do continente real e sim de uma congregação de países de todos os oceanos, vive sob um regime totalitário imposto pelo IngSoc, o Partido, sob o comando do onipresente Grande Irmão.

A obra se passa no futuro 1984 e conta a história de Winston Smith, funcionário do Ministério da verdade, que por ser integrante do partido possuía a atribuição de manipular e reescrever dados de forma a atender os escopos partidários. Winston reconstruía os dados transformando a realidade, destruindo os originais, dessa forma a verdade se perdia e o partido jamais poderia ser contradito, se tornando o detentor da verdade absoluta. O personagem é uma crítica a manipulação atual da mídia em razão de determinados interesses da sociedade política.

As diretrizes do partido controlavam não só os atos dos seus membros como também buscavam manipular até seus pensamentos, para tanto implantaram um sistema de monitoramento, onde todos eram vigiados em tempo integral por teletelas, aparelhos que captavam e enviavam voz e imagem, o partido detinha o controle dos cidadãos. As teletelas eram instaladas por toda a parte, locais públicos, casas, empresas, o partido proibia até a comunicação entre as pessoas, não havendo troca de ideias mais difícil seria de encontrar apoio para discordar do sistema.

Assim a Oceania era manipulada, Winston que já descontente com o totalitarismo exercido pelo partido, utiliza-se de um ponto cego, não captado pelas teletelas em seu apartamento e começa a realizar um exercício desautorizado pelo partido, o de escrever seus pensamentos, lembrar e anotar podia ser muito perigoso.

O Partido proibia a comunicação entre membros do sexo oposto, salvo se o assunto fosse o trabalho, permitia somente que o sexo fosse praticado para procriar a espécie, fazer sexo pelo prazer era considerado crime. Pensar de forma divergente ao partido significava cometer crimidéia (crime de ideia em novilíngua, idioma reduzido imposto pelo Partido), como pena para este ilícito o indivíduo era capturado pela Polícia do Pensamento e vaporizado, destruído, implicando no seu desaparecimento. O partido controla não só o presente, mas também o futuro e o passado dos indivíduos, alienando-os completamente. Winston passa a questionar essa opressão e manipulação exercida pelo partido em detrimento dos cidadãos de Oceania revoltando-se contra o sistema, ocorre que não obteve sucesso em sua empreitada, fora descoberto, preso, torturado até voltar a servir fielmente ao totalitarismo do IngSoc, acaba por amar o partido.

Na obra Orweel fez analogias com o socialismo russo liderado por Stalin, com seu totalitarismo e repressão, mas sua base também foi inspirada em Hitler e Churchill, nazismo e comunismo, se inspirando principalmente no terceiro, visto que se buscava a manipulação e controle das vidas e das mentes, do modo de agir e pensar das pessoas, tornando-as oprimidas e tolhidas em sua liberdade de expressão, punindo cruelmente que não se adaptava ou discordava do regime político então vigente.

O autor usa a obra para mostrar com urgência às gerações para onde a política totalitária implantada à época levaria a sociedade, narra as mazelas do presente ao idealizar um futuro previsível diante da repressão que se impunha até então. Inteligentemente o autor critica a inércia da sociedade diante do totalitarismo, demonstrando através do final escolhido para o personagem Winston, que acaba por servir ao partido abandonando seus ideais, se tornando submisso à repressão.

Conforme observa Zygmunt Bauman, a obra 1984 de Orwell trata-se do mais completo inventário de todos os pesadelos de uma época em que a modernidade totalizante sufocava as idiossincrasias, afirma ainda que o cenário do livro é definido na Grã-Bretanha a fim de enfatizar que as raças que falam inglês não são intrinsecamente melhor do que nenhuma outra e que o totalitarismo, se não for combatido, pode triunfar em qualquer lugar.

No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra, segundo ele, o objetivo da guerra não é vencer o inimigo ou lutar por uma causa, mas sim, manter o poder das classes dominantes, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes inferiores, para que estas não se tornem futuras ameaças aos poderosos, por isso o lema do Partido “Guerra é Paz”.

Trata-se aqui de uma forte critica à postura do Estado que admite as incoerências de discursos contraditórios desde que sirvam para embasar os ditames do governo e ainda mais à postura da sociedade que se submete ao comando do governo de tal forma que tem que viver o prazer do amor e do sexo controladamente, desprovida de satisfação e sentimento, monitorada por um "Ministério do Amor"

Hoje vivemos em um Estado Democrático de Direitos onde esses direitos são protegidos pela Constituição, onde não se admite o totalitarismo e a repressão trazidas pela obra, mas nem por isso o Estado deixa de impor seu poder na sociedade, mesmo levando em consideração essas garantias podemos imaginar que somos tão controlados como os personagens de 1984, a exemplo, através de números do R.G. e CPF, pelos quais o Estado pode nos acompanhar por toda a vida, pela televisão que nos vende as informações que lhe convêm, hoje o que sabemos nunca é exatamente o que se passou, mas sim o que querem que saibamos, principalmente em se tratando de interesses políticos, bom que ainda nos resta a liberdade de pensar, pelo menos enquanto não for implantado um novo sistema, ou criada uma nova Constituição.

Desse modo resta demonstrado que o poder que o Estado exerce na sociedade, apesar de hoje sê-lo feito de forma sutil e não de maneira opressiva e totalitária como elencado por Orwell, pode controlar uma sociedade e torná-la, sendo o caso, submissa ao regime implantado, seja ele condizente ou não com a dignidade da pessoa humana.

O livro 1984 é uma obra de reflexão, o raciocínio do autor é de um brilhantismo ímpar, é indicada à todos aqueles que se interessam ou se preocupam com o poder que o Estado exerce na sociedade.

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