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O PODER: Reflexões sobre Maquiavel e Etiene de La Boétie


Autoria:

Soraia Conceição Dos Santos Nascimento E Laiane Santos De Almeida


Estudantes do 10º período do curso de Direito da AGES - Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

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Texto enviado ao JurisWay em 10/02/2011.

Última edição/atualização em 16/02/2011.



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O PODER: Reflexões sobre Maquiavel e Etiene de La Boétie

 

Soraia C. S. Nascimento[1]

Laiane Santos de Almeida[2]

RESUMO:

O presente trabalho visa fazer uma abordagem resumida da obra de Gabriel Chalita. Trata-se de uma análise sobre o poder, onde o autor faz uma comparação das obras de Nicolau Maquiavel, O Príncipe, e Etienne de La Boétie, Discurso da servidão voluntária. Tal comparativo é feito no contexto histórico que cada obra se insere, contudo, sempre promovendo uma compreensão do tema na atualidade. Os dois filósofos traçam linhas acerca da relação do poder entre governante e povo. Maquiavel dá mais importância à fortuna e a virtude, enquanto La Boétie se concentra na discussão da servidão e da obediência.

 

1 - INTRODUÇÃO

 

            A discussão sobre o poder parece nunca se esgotar e por isso mesmo é um assunto sempre atual. Ao longo dos anos vêm sendo feitas abordagens diversas acerca das características do poder, das formas de obtê-lo, enfim.

            Maquiavel e La Boétie discutem as formas de poder, porém, de pontos de vista diferentes. O primeiro vê o poder na posição de príncipe, e em relação ao povo, só tem interesse no relacionamento com o governante. O outro vê o problema do poder exercido de maneira autoritária, que leva à opressão do povo.

            La Boétie discute a legitimidade do poder e é contra autoritarismo. Maquiavel defende o Estado unitário, discute as formas de se chegar ao poder e se manter nele, sem se ocupar com a moral. Para ambos o poder não tem nada de divino, pelo contrário, é humano, e todos devem lutar por ele para que o obtenham.

Cada um com sua maneira de pensar torna-se imprescindível para a discussão política, isso explica a o fato de Chalita tê-los escolhido como ponto de sustentação da sua discussão. Contudo, devido a extensão do tema faz-se necessário conceitos e teorias de outros filósofos políticos.

2 – A QUESTÃO DO PODER

 

            O poder é algo difícil de ser definido precisamente. Para Russell o poder é o objeto principal das ciências sociais, entre outras posições. Chalita considera que o tema primordial da ciência política é o estudo do poder exercido no Estado moderno.

            O poder tem diferentes faces, havendo inúmeras possibilidades de abordagem. Pode ser examinado, por exemplo, do ponto de vista dos dominados ou dos dominadores. Os pensadores podem ter como questão central o poder como um fenômeno, ou a sua legitimidade.

            A palavra poder é usada no cotidiano para uma infinidade de situações. A primeira noção que se tem é a da capacidade de se impor a vontade de alguém numa relação social. As definições de poder encontradas derivam desta primeira noção.

            Apesar da dificuldade de classificar o poder, há duas características comuns: é um fenômeno social e é bilateral. É social porque jamais será explicado a partir de considerações de fatores individuais. E bilateral, porque há sempre uma relação entre duas ou mais vontades, onde uma prevalece.

            O poder é a capacidade de transformar a realidade impondo sua vontade, e por isso mesmo é que corrompe. É o maior desejo do homem. Atualmente, esse desejo ocupa lugar onde quer que se encontre o homem, a conquista do poder, ainda que irrelevante para a sociedade, é importante no espaço em que foi conquistado, seja em casa, na empresa, no bairro. Percebe-se como é atual a questão do poder.

 

3 – O PODER: PANORAMA HISTÓRICO

 

            O ser humano sempre viveu em sociedade, e toda sociedade tem uma finalidade, qual seja o bem comum. Para que isso ocorra é necessário que os comportamentos sociais sejam ordenados. É aí que surge o poder, como uma forma de controle social. Desta forma, fica claro que o poder sempre existiu entre os homens.

            Por antiguidade oriental se entende as formas de civilização surgidas no Oriente Mediterrâneo onde o poder se encontra ligado diretamente à religião, chegando a ser sua manifestação, havendo uma estreita relação entre o divino e detentor do poder.

            Na Grécia antiga houve a primeira expressão do poder descentralizado. Era constituída por polis, onde pode se falar no poder de uma sobre as outras, não havia um soberano. Situa-se o nascimento da democracia, porém nem todos eram titulares desse poder. A contestação da legitimidade do poder surge com os cínicos, para estes o homem devia viver de acordo com a natureza, sem se submeter às leis.

            Roma passou por diversas mudanças políticas ao longo de sua história. O cristianismo foi perseguido pelos imperadores por condenar o poder absoluto destes. São Paulo afirmava que todo poder vem de Deus.

            Durante a Idade Média surge, com Santo Agostinho, a negação do poder terreno. Fica clara a afirmação da ilegitimidade do poder de alguns homens sobre os outros.

 

4 – O RENASCIMENTO

 

            O renascimento possibilitou grandes progressos na cultura, na política, na economia e na religião. A filosofia desse período permitiu ao ser humano a crença nos seus valores. É possível concluir que houve um fenômeno importante no Renascimento: o individualismo como um ideal. Cada indivíduo era responsável pela história e por seu destino como ser humano.

             É característica do humanismo a tendência a assumir valores da Antiguidade. Um humanista se dispõe a seguir o pensamento dos antigos, seu modo de viver. No humanismo há uma preocupação exagerada com a beleza, havia requisitos demais para uma única pessoa, que devia ser a mais bela, mais perfeita, inteligente e completa de todas as criaturas.

            Na política, o Renascimento possui três fundamentos: a constituição dos grandes Estados, o patriotismo e o individualismo estatal. O termo “grande” tem relação com a concepção de Estado soberano e não territorial. O absolutismo surge nas monarquias nas monarquias como resultado do humanismo e do patriotismo. No absolutismo o rei detém todos os poderes do Estado, e é identificado como um deus. O individualismo dos Estados se confunde com o do indivíduo, dessa forma cada monarquia também deseja ser a mais perfeita de todas. O desejo de ser o melhor estimula a disputa, assim as guerras se sucedem. Maquiavel trata da arte de guerrear em O príncipe.

            Com o Renascimento e o humanismo o modo de produção sofre mudanças. O fato de maior relevância é o chamado capitalismo comercial. O homem burguês é humanista, encarna, produz e oferece beleza. Para a Igreja Católica o lucro, elemento que constitui o capitalismo, era condenável. O capitalista mantém o Estado em dificuldades financeiras, que retribui instituindo impostos que auxiliem o pagamento aos capitalistas, porém, os juros fazem com que a dívida seja paga completamente, alimentando o capitalismo.

            Temos, atualmente, uma falsa idéia do Renascimento, pensando em livre-comércio e monarcas absolutos. Porém, ele ampliou fronteiras em vários aspectos da vida do ser humano, como a arte, as relações sociais, a política. Aparece nesse contexto a polêmica obra de Maquiavel, ele “é um homem de seu tempo, preocupado com as questões de sua época”.

 

5 – A QUESTÃO DO PODER EM MAQUIAVEL: O PRÍNCIPE

 

            Maquiavel se preocupou com as maneiras de conquistar o poder. Retratou o poder de maneira realista, conceituando a partir de exemplos, dizendo o que é, e não o que deveria ser. Para ele deve-se usar o mal quando necessário. Afirma que nenhum príncipe pode ser tão sábio quanto o povo, o príncipe deve se esforçar para se manter no poder, mas o povo pode deixar de obedecer ao príncipe e chegar ao poder.

            A virtù é a primeira condição para se chegar ao poder e mantê-lo, está ligada ao conhecimento da realidade. O homem virtuoso quer reinar e não espera que a sorte apareça, é ousado e sábio, porém cauteloso, conhece o mal antes que se alastre.

            A fortuna é a ocasião, e conhecê-la é privilégio daqueles que não ficam esperando os acontecimentos. A fortuna e a virtù andam juntas e quem deseja o poder, ou mantê-lo, não deve desprezá-las.

 

 6 – A QUESTÃO DO PODER EM LA BOÉTIE: DISCURSO DA SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

 

            La Boétie discute os fatores que levam o ser humano à servidão. Nesse ponto, seu pensamento é divergente de Maquiavel. Há três razões para a existência da servidão: o costume, a covardia e a manutenção da tirania. Ele expõe sua indignação quanto ao fato de que as nações modernas tenham de se sujeitar ao domínio de um único homem.

            Para La Boétie não há lógica em um só homem dominar muitos, não compreende essa realidade, pois vê a liberdade como direito natural do homem.

 

7 - CONCLUSÃO

 

            Ficou claro que Maquiavel e La Boétie abordam as formas de poder e igualmente falam aos governantes e aos governados. Contudo, é nítido que o primeiro está preocupado em oferecer mecanismos que possibilitem a chegada ao poder, bem como a permanência nele. Ao aconselhar os príncipes Maquiavel pretende chegar à unificação da Itália, não quer o poder para a opressão do povo. Já o segundo visa fazer com que o povo abandone o tirano e tenha a sua liberdade de volta.

            É certo que ambos se tornaram imprescindíveis ao estudo do comportamento político. Um propõe um Estado livre e outro, apesar de aconselhar aos príncipes, propicia ao homem comum, com a leitura de sua obra, ferramentas necessárias para que se cresça.  

                       

                                   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

CHALITA, Gabriel. O poder: reflexões sobre Maquiavel e Etienne de La Boétie. 3. ed. São Paulo: 2005, RT.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Graduando em Direito pela AGES Faculdade de Ciências Humanas e Sociais.

[2] Graduando em Direito pela AGES Faculdade de Ciências Humanas e Sociais.

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