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ENSINAR, COMO APRENDER?


Autoria:

Sebastião Fernandes Sardinha


Bacharel em ciências jurídicas pela UGF, pós-graduado em Docência do Ensino Superior pelo IAVM/UCAM, Gestão Estratégica pelo IAVM/UCAM, Sociologia, Política e Cultura pela PUC-Rio - Professor Universitário

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Resumo:

Os caminhos para aprender a ensinar - Ensaios sobre a compreensão do fracasso escola

Texto enviado ao JurisWay em 17/09/2010.



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ENSINAR, COMO APRENDER?

Os caminhos para aprender a ensinar

- Ensaios sobre a compreensão do fracasso escolar

 

                     KANITZ (Veja, 2002), assevera com propriedade a inadequação das fórmulas de ensino-aprendizagem instituídas na base educacional gradeadas pelo MEC.O docente despreparado continua sendo o centro reator das mensagens tidas como educativas colocadas através de aulas expositivas, que em verdade são meras repetições do pouco que aprendeu e apreendeu.A atividade andragógica é demonizada, pois retrata indícios de fragilidade professoral, rejeitando o docente as horas informativas, traduzidas em experiências pelos educandos. Estes por sua vez não têm consciência da conquista e esnobam os interlocutores do sistema (docentes) classificando-os de atrasados e fora de forma. Desta maneira não há o perigo de dar certo, pois os métodos são ultrapassados e os dispêndios com a Educação brasileira, em todos os níveis não resultam na proporção do investimento realizado. Não existe a preocupação com o retorno necessário do investimento feito em formandos que cursam as universidades públicas com desprezo a responsabilidade social decorrente da falta de consciência da conquista.           As técnicas e ferramentas, quando não são ultrapassadas, são inadequadas, transformando a Escola num verdadeiro “inferno à brasileira”, onde todos penam, mas são felizes, porque nada dá certo.                   Para ASSIS, (2006) à luz de Bakhtin (2003) e Schneuwly (2004 e 1988), que retoma Vygotsky (1991), faz-se a defesa de que é pela prática, ou seja, no interior da atividade social, que se torna próprio o que antes era alheio, estranho.

                        Nessa medida, a aprendizagem supõe ações de elaboração próprias, estímulo à autonomia, reflexão sobre a atividade em que o sujeito se engaja, o que também implica a adoção de princípios e procedimentos de correção de textos orientados por uma concepção de avaliação mediadora (cf. Hoffman, 1994 e 2003), educadora, comprometida com o aprender.                     A natureza monetarista das soluções apresentadas pelo governo é outro grande obstáculo, a se imaginar que o capital (dinheiro) resolverá todos os questionamentos.                  O uso e o abuso da Teoria do Capital Humano, na formação da massa discente tem contribuído para a construção de “robôs humanos” à serviço do capital. Nada ou pouco se faz para a construção do conhecimento, fatia reservada a poucos iluminados.

                     Sem o planejamento estratégico necessário continuaremos como estamos, de mal à pior, sempre ofuscados por algumas ilhas de excelência, alardeadas pela máquina da propaganda governamental.               A formação continuada é ferramenta nuclear na ressignificação da atividade docente. As velhas práticas permeadas pelo paternalismo intervencionista dão a noção de proteção como mera comodidade ao educando.                 A máxima popular do que “arde cura e o que aperta segura”, também deve ser dirigido ao Docente no exercício de sua atividade. Num mundo de mudanças constantes, não devemos ensinar o que os outros pensam (copismo) ou pensaram, mas desenvolver técnicas que municiem nossos docentes à formação da consciência de que o aprendizado é permanente e o conhecimento é volátil na sociedade contemporânea. O Brasil não tem problemas ecológicos, tem problemas sanitários, pela falta de infra-estrutura no saneamento básico e a ausência de consciência da população de como lidar com as questões da natureza. Não temos problemas com a Educação e sim de como torná-la útil e atraente aos clientes cativos que são as crianças, jovens e adultos, e incitá-los a aplicá-la pelo bem do Estado Nacional brasileiro. Há uma contumaz desvalorização dos atributos pessoais e da experiência interior (privada) adquirida no passar da vivência em sociedade, passando a valer aquele que tem a identidade pública construída artificialmente através de mecanismos que importam na construção subjetivista datada do tempo dos bacharéis.     A importação dos ideais liberais pelos bacharéis de Coimbra foi um marco na educação como mecanismo de imposição da igualdade formal para todos, desde que não incomodasse as elites dominantes e ao seu modus vivendi. Portanto, todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros.    Mériti DE SOUZA (1999) arremata argumentando que a premissa que sustenta a emancipação do homem, através da difusão da educação, foi adotada a partir da “adaptação” realizada pela nossa elite. Nesse aspecto, prevaleceu a educação superior, mesmo que voltada para uma parcela ínfima da população. Como vemos, privilegiou-se a formação de quadros dirigentes, compostos por originários dos altos extratos econômicos e sociais do país, originando-se os famosos bacharéis (pag. 39). Outro grande obstáculo para se aprender a ensinar é a sistematização federalizada dos livros escolares, revelando a descompreensão da diversidade regional que o Brasil continental e diverso representa.     

                     Importante frisar que não se trata tal processo de desconhecimento pelas hostes centrais do poder, mas de estrito cumprimento de um dever de uniformizar as informações escolarizantes na formação de uma massa de “formandos”. Isto é, uma população uniforme para uma nação disforme.        Falta-nos identidade, somos híbridos, assolados pelo mulatismo que desqualifica nossa identidade, pois nosso sentimento de existência é fraco, pueril.

                     Custa-nos a ensinar como aprender, pois enfrentamos o dilema “entre o que foi prometido e o que foi efetivamente realizado”.            BOBBIO (1986b) problematiza a questão afirmando que existe uma grande diferença, que explicita a democracia real, marcada pela impossibilidade do cumprimento das promessas realizadas pelo ideal democrático. O autor (agora referenciado por Mériti de Souza, 1999, pag.30) comenta as principais promessas não cumpridas citando, inicialmente a distribuição de poder que, prevista para contemplar o indivíduo, passa a privilegiar os grupos, ou seja, paulatinamente grandes associações, sindicatos e partidos dos mais diversos matizes ocupam o lugar, como centro do poder decisório originalmente reservado ao indivíduo. Assim a educação, como pressuposto para a ação democrática deveria ser oferecida a todos pelo Estado, restringindo-se, no entanto em parcelas cada vez menores da população (idem, pag. 31).

                     O apontamento do homem moderno inicia-se a partir do estabelecimento da internalização da subjetividade como “um EU”. Pensar como indivíduo enaltece a figura identitária do educando em suas relações sociais, elevando a certeza de que a criação de sua figura pública não é artificial como nos regimes absolutistas. O educando expõe-se à violência simbólica representada pela área de permanente conflito que é a escola, como nas lições de Pierre Bourdieu (1997), em troca da dignificação pelo Estado e pela Sociedade de sua figura pública; o “ser alguém na vida”.     Já vaticinava o Professor Joaquim FALCÃO (Folha de São Paulo, 2004) em memorável texto intitulado o “Brasil ilegal”, de que “nós não nos somos”, pois o outro, dependendo do “sabe com quem você está falando? ” estabelecerá qual o seu lugar no contexto social, que poderá importar no “céu” (sim senhor!) ou no “inferno” (Se segura malandro de Moreira da Silva).            O sujeito brasileiro não aprendeu a ensinar, justamente porque a estrutura do sistema não o ensinou a aprender e apreender as lições a serem multiplicadas às gerações seguintes. Ora, é óbvio que quem não aprendeu jamais poderá ensinar. Apesar da ingenuidade da afirmação aguça-se um grau de verdade. Será tarde, em pleno século XXI, redefinirmos nossas prioridades educacionais? O que aprender? Como aprender?  A volatibilidade das informações nos torna obsoletos em pensamentos e atos em curtos períodos da nossa história.   Assim, sem abandonar a base teórica das ações, devemos repensar o projeto educacional para o Brasil no século XXI – Aprender a aprender inicialmente. E concorrentemente nos debruçarmos sobre as questões da natureza, da família, do Estado.     O exercício da liberdade na educação  não poderá jamais traduzir-se em anarquia, mas não poderá a instituição em foco ser tratada de forma customizada como as demais relações do Estado.         Obviamente, não se poderão abandonar as raízes iluministas na formação do novo pensamento educacional onde se eleva a pretensão da extensão da crítica racional a todos os campos da experiência humana no desvelamento da verdade.

                     A construção de uma consciência nacional em torno do projeto Educação é tarefa de pelo menos três gerações, com a dedicação exclusiva da família, do Estado e da sociedade em geral. Iniciar o mais breve possível ditará o horizonte a ser traçado.    Necessitamos da reconstrução de valores que dignifiquem a vida do cidadão sem oprimir o outro, muito embora saibamos que o direito de uns importa no dever de outros e assim sucessivamente. No entanto, a subsunção aos valores universais consolida a sociedade.                        Antes de sermos submetidos à igualdade legal, refletida no poder de imperium do Estado, possuidor do monopólio da violência, façamos a opção pelo exercício da Igualdade moral.  A igualdade moral afirma que todos somos seres humanos, unidades biológicas idênticas, orientando a prática de um “eixo vertical situacional”, entendido como necessidades específicas que particularizam cada situação. Englobando a igualdade de direito. Assim, essa igualdade abrange a de direito, em situações onde as necessidades vivenciadas suplantam a igualdade legal e jurídica. Ela se corporifica na especificidade das situações que particularizam determinado indivíduo, discriminando-o, positivamente, em relação aos outros (SOUZA, 1999, p. 87).

                     Paulo FREIRE (1999) confirma que fazendo pesquisa, educo e estou me educando com os grupos populares. Voltando à área para por em prática os resultados da pesquisa, não estou somente educando ou sendo educado: estou pesquisando outra vez. No sentido aqui descrito pesquisar e educar se identificam em um permanente e dinâmico movimento. Destarte, deveríamos abolir as escolas tradicionais e instituir laboratórios, cenários de práticas experienciais visando a promoção do real aprendizado.

                     Sebastião F. Sardinha

Gestão Estratégica

         

                    

 

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