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O marxismo de Marx e o marxismo de Aron


Autoria:

Sérgio Ricardo De Freitas Cruz


Bacharel em Direito pelo UniCeub(Centro Universitário de Brasília)(2014), monografia publicada, mestre em Direito e Políticas Públicas no UniCeub(2017).Doutorando em Direito. Especialista em "Criminologia" e Filosofia do Direito, curso de MEDIAÇÃO na CAMED- CÂMARA DE MEDIAÇÃO do UNICEUB com estágio no Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes-TJDFT, Estagiário Docente em Filosofia do Direito e Teoria dos Direitos Fundamentais.Cursos vários em especial: "História das Constituições brasileiras" ministrado extensivamente pelo Dr Carlos Bastide Horbach , "Seminário avançado sobre o novo CPC ", ministrado por S. Exa. Ministro Luiz Fux entre setembro e dezembro de 2014 (UniCeub).Participante do Seminário avançado: "Sistemas Jurídicos na visão dos jusfilósofos: Herbert Hart, Hans Kelsen, Carl Schmitt, Tércio Sampaio Ferraz Jr. e Alf Ross" ministrado pelo professor Drº. João Carlos Medeiros de Aragão. O doutorando é membro do IBCCrim e IBDFAM. CV: http://lattes.cnpq.br/2851178104693524

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Resumo:

Análise do pensamento de Karl Marx sob a crítica do filósofo liberal Raymond Aron.

Texto enviado ao JurisWay em 20/09/2015.

Última edição/atualização em 24/09/2015.



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Marx e Aron

 “Vincit qui se vincit”

 

“Talvez ninguém como nós ponha tanto coração no trabalho.”

 

Vladimir Maiakóvski

 

“O leitor que procurar numerosas citações de Marx, de Engels ou de seus principais discípulos, fechará, decepcionado, este livro. Contrariamente a todos os autores de manuais econômicos marxistas, nós nos abstivemos rigorasamente – com algumas raras exceções de citar textos sagrados ou de lhes fazer a exegese.  Nós citamos em compensação abundantemente os principais economistas , historiadores econômicos, etnólogos, antropólogos, sociólogos, psicólogos de nossa época, na medida em que formulam julgamentos sobre fenômenos que caracterizam a atividade econômica passada, presente  ou futura das sociedades humanas. O que procuramos demonstrar é que , partindo dos dados empíricos das ciências contemporâneas, pode–se reconstituir o conjunto do sistema econômico de Karl Marx. Melhor: procuramos demonstrar que somente a doutrina econômica marxista permite essa síntese do conjunto das ciências humanas”

 Ernest Ezra Mandel in “Traité d’Économie Marxiste- Editions Julliard, Paris, 1962 (v.1, p.13-1962) – tradução livre do autor deste artigo.

 

Resumo

 

Nesse artigo, procuramos analisar o uso da metodologia de Raymond Aron, na qual as noções de marxismo e liberalismo têm um lugar central, com o objetivo de entender conceitos internos como biografia e trajetória em sua teoria do marxismo. Nossa intenção nesse estudo é além de situar e apontar a relevância da obra de Aron, extrair desses debates possíveis aplicações de sua teoria e propor procedimentos de análise dos materiais biográficos e da teoria marxista.

 

Palavras-chave: Aron, Marx, Filosofia,  Marxismo.

 

 

 O ópio dos intelectuais

 

Raymond Aron (Paris, 14 de Março de 1905 —Paris, 17 de Outubro de 1983), foi sem um dúvida um pensador ímpar na história da filosofia e do entendimento da teoria marxista. Aron, doutorado em filosofia em 1930 na  École Normale Supérieure apresenta uma análise profunda do marxismo sem a dogmática interpretativa  vigente nas décadas de 1940/50 e 60. Criador do termo “Guerra Fria” (1955), quando articulista do jornal Le Figaro, função que executou por trinta anos a partir de 1947, posteriormente redigiu para o jornal L’ Express até sua morte em 1983. Aron foi  o pensador europeu representante da chamada “direita liberal”, e a sua autoridade intelectual estava alicerçada numa larga cultura sociológica e econômica, tendo sido um terrível adversário para os intelectuais de esquerda franceses, característica essa da sua trajetória, que é saliente numa troca de opiniões virulenta com Jean-Paul Sartre no seio da revista “Os Tempos Modernos”, acerca do papel da União Soviética e da idéia de esquerda que queriam divulgar e cultivar, não somente Jean-Paul Sartre mas a grande maioria dos intelectuais franceses.

Para Sartre, antigo colega do tempo de formação em filosofia, o modelo a ser seguido era o modelo russo, o comunismo adotado pela União Soviética, tendo uma visão completamente oposta a de Aron, tornando a relação entre ambos, ao longo dos anos, insustentável.A análise de Sartre era a análise feita pelo filósofo a apartir dos fatos, errando quase sempre em suas deduções, Aron analisava os fatos a partir da filosofia, usando-a e por isso aproximando-se mais da interpretação rígida do historiador. Sartre foi sempre o ídolo do pensamento politicamente correto, mesmo quando se verificava, poucos anos depois, que tinha apoiado um erro – o pensamento politicamente correto não tem memória. Aron foi sempre diabolizado pelo pensamento politicamente correto – as injustiças da História (ou seja, os fatos que tramaram o pensamento politicamente correto) são imperdoáveis para aqueles que tomam as suas idéias como valores absolutos. Aron se antecipa e  pressentiu o que adviria com a ascensão do nazismo. Para ele, o dizer não a Hitler deveria ter ocorrido em Março de 1936 (ocupação militar da Renânia) e não após Munique. O espírito de Munique nascera em 1936. Pelo contrário, Sartre sempre pensou que Hitler passaria , seria um epifenômeno transitório e mesmo quando dos acordos de Munique, não se apercebeu logo da dimensão exata do que estava em jogo. Após a derrota, Aron foi para Londres, enquanto Sartre, saído do cativeiro, dedicou-se à escrita em Paris. Foi, segundo ele, un écrivain qui résiste, et non un résistant qui écrit”(1), porque resistir não pode ser uma finalidade em si. Tentaram, mais tarde, fazer dele um resistente, mas como afirmou Jean Claude Casanova num debate recente “Si la résistance consiste à discuter dans un café, alors il y a eu beaucoup de résistants en France!”(2).

Aron ocupou a Cátedra de Sociologia na Universidade de Sorbonne em 1955, tendo passado o restante da sua vida entre a reflexão política e a escrita de opinião no jornalismo. As análises de Aron eram revestidas de um senso crítico e atinadas com os fatos históricos, frases célebres como: “Guerra improvável, paz impossível” e “Os bolcheviques são os jacobinos que obtiveram sucesso” são presentes em seu livro “O ópio dos intelectuais” de 1955. Aron se assemelha a Alexis de Tocqueville em sua metodologia de reflexão, para aquele esse é: Demasiado liberal para o partido de onde ele provém não muito entusiasta por idéias novas aos olhos dos republicanos, ele não foi adotado nem pela direita nem pela esquerda, ele permanece suspeito a todos”(3) o que Aron fala de Tocqueville lhe é plenamente aplicável. Em seu livro O Marxismo de Marx, logo na primeira página, no prefácio de Jean-Claude Casanova, esse fazendo menção a aula inaugural de Aron na Sorbornne, em 7 de novembro de 1962, ao longo da última folha, alude ao fato de Aron ter escrito como uma espécie de mensagem melancólica dirigida a si mesmo: “Faz hoje 31 anos que comecei o estudo do marxismo” (4) . O olhar de Aron para os textos de Marx assemelha-se ao olhar de um exegeta longe do calor intempestivo que motiva os ânimos das massas nas revoluções. Aron chama a atenção para o fato dos escritos de Marx, em sua grande maioria, surgirem em publicações posteriores a 1932. Basicamente teríamos o manifesto comunista de fevereiro de 1848 e O Capital publicado em setembro de 1867 como “cartilhas teorizantes” sobre o processo revolucionário do proletariado, se é que ousemos chamar O Capital de cartilha o que realmente não é. Surgem algumas perguntas, segundo Aron, de importâncias capital para a reflexão do marxismo: O movimento revolucionário dos bolcheviques em outubro de 1917 foi baseado no marxismo de O Capital? Sendo O Capital não um livro para as massas e em particular na Rússia era um livro de acesso exclusivo da burguesia, como teria ele influenciado a massa “ideologica” bolchevique? Qual marxismo se ousou na Rússia ? Teria O Capital, de leitura densa, que exige uma compreensão histórica/sociológica/econômica e política sido o agente de alguma espécie de marxismo? Ao assemelhar os bolcheviques de 1917 com os jacobinos Aron nos responde não a essas perguntas , a bandeira dos bolcheviques foi o marxismo mas não o marxismo de Marx, muito menos de O capital . Os jacobinos não pensaram a revolução de 1789, não eram iluministas ao promover a revolução, ela aconteceu, os jacobinos foram os agentes propulsores da revolução. O terror instalado na França entre 1791 e 1793 comprova o despreparo “teórico” das massas. As massas não pensam.

 

  

Eu não sou marxista (5)

                     Karl Marx

 

            Engels, em uma carta datada de 27 de agosto de 1890 enviada ao genro de Marx, Paul Lafargue, faz menção a tão polêmica e célebre frase dita por Marx: “Eu não sou marxista”.  A teoria marxista como teoria, não escapou das mais mal-fadadas apropriações indevidas . Sem querer polemicar, mas parece que a frase está mais clara nos lábios de Engels que nos de Marx, uma vez que após a morte do Mouro, como era chamado intimamente por Engels, em março de 1883 a doutrina marxista tenha se espalhado de maneira avassaladora pela Europa. A Engels, fiel amigo e também teórico,coube servir como gurardião do pensamento e da doutrina marxistas, errando muito em sua tentativa de criar uma espécie de verdade absoluta como é presente no pensamento dos radicais marxistas, em A dialética da natureza, Engels propõe interpretações generalizadas, segundo ele, cabíveis tanto ao pensamento social, quanto aos fenômenos físicos e químicos e biológicos dando um tom doutrinário e radical a filosofia de Karl Marx . O próprio Marx entendia os textos de Darwin como uma comprovação das lutas de classes, a sobrevivência através da luta e do confrontamento,esse é o grande erro do marxismo não só de Marx como de Engels e de Sartre que antagonizou Aron.

 A filosofia por si só não está apta a levar a cabo o intento dos comunistas, pode-se justifica-lo pela filosofia mas não à luz da verdade dos fatos. A filosofia dá margem a contestação, seja ela qual for, como tivemos recentemente a invasão dos estudantes à reitoria da USP. Cabe a pergunta:Por qual motivo? Não foi somente Raymond Aron que se posicionou quanto aos execessos dos estudantes em maio de 1968, Adorno , então reitor em Frankfurt mandou a polícia coibir as manifestações. Diversos pontos do pensamento de Karl Marx se apresentam utópicos como por exemplo, a idéia de união solidária do proletariado a partir de uma consciência de classes, hoje comprova-se a fragmentação dos trabalhadores em sindicatos com interesses cada vez mais polarizados em suas atuações, a teoria da percepção da condição de alienação a partir da constatação de exploração da força de trabalho torna-se cada vez mais distante . Quando pensamos nos textos de Marx que só apareceram a partir de 1932 nos fica a dúvida sobre qual fundamentação teórica se pode justificar e associar a revolução russa com o marxismo de Marx. Se na Rússia de 1917 O Capital era o livro da burguesia, pertencia a uns poucos quantos, ainda hoje pertence a uma seleta minoria, a saber os intelectuais das universidades, lá encontramos Marx. Raymond Aron analisa essa impropriedade dos chamados marxistas que não conheciam os textos filosóficos do “jovem”  Marx entre 1846 e 1849, a sua interpretação da História e a fundamentação do materialismo dialético. O ópio do intelectuais, em 1955 denunciava a postura dos intelectuais que apoiaram a revolução russa e que não perceberam que o Stalinismo era tudo, menos teoria marxista. Intelectuais como George Orwell, Albert Camus, Aldous Huxley demonstraram um grande desencantamento com “marxismo soviético” à medida que se deram conta do real histórico, longe da “utopia” . Ser marxista pelo desejo de ser contestador é sorver do ópio dos intelectuais. Podemos perguntar agora: onde estão os debates e seminários e grupos de estudos sobre a obra O Capital ? As ideologias de esquerda e socialistas se apoiam na doutrina marxista?  Supõe-se O Capital a obra de fôlego de Karl Marx e certamente o é.

Raymond Aron, de uma forma melancólica e sob o peso da necessidade intelectual que lhe era exigida analisou o marxismo dentro do contexto do próprio marxismo, proposta árdua e que foge aos modismos intelectuais e ideólogicos. Raymond Aron é uma possibilidade para o estudo de Marx e de suas contradições como o esperado “Catastrofismo do capitalismo” tão aguardado pelos marxistas uma vez que as ideologias de esquerda pouco ou nada tem a oferecer senão o desencanto. Aron nos diz:

“O que pessoalmente proponho, para resumir meu pensamento, é isto: está claro que Marx, no Manifesto comunista e durante sua vida, anunciou a autodestruição do capitalismo, das suas contradições. Mas esse mecanismo de autodestruição é um mecanismo econômico-sociológico, e não estritamente econômico.Isto é, a maneira como funciona o capitalismo deve, segundo Marx, provocar a formação de uma classe revolucionária, o proletariado, que se exprimirá como passagem do regime capitalista para o regime socialista. Isso tudo é frustrante para uma demonstração científica. Evidentemente, Marx bem queria ter demonstrado , como economista, o fim do regime capitalista. O que encontrou, e que mais se aproxima dessa demonstração, foi a lei da baixa tendencial da taxa de lucro”(6).

 

Aron nos aponta para uma saída imediata, a saída da utopia intelectual, afinal a dialética não estava representada no muro de Berlim, e aos marxistas doe mais a queda do muro de Berlim na Alemanha que a desfragmentação ideológica russa com Mikhail Gorbachev. Sobre quais muros está edificado o marxismo de Marx ? Raymond Aron ainda é sóbrio nesse denso debate, foi a personalidade que desafiou, combateu e criticou a idéia mais poderosa do seu tempo, que foi o marxismo. Nenhum intelectual da França do pós-guerra lutou tão solitariamente contra a ideologia marxista como o fez Aron a partir das suas aulas na Sorbonne. Os mais de quarenta livros publicados são o testemunho e o legado intelectual próprio da sua glória e do prestígio da estirpe liberal. O marxismo foi uma obsessão para Aron. A maioria dos seus livros falam do autor de “O Capital”, e para sermos honestos, dizem a verdade e fazem justiça, porque apesar do que muitos afirmam Raymond Aron não foi anti-marxista, o fato de se criticar ou analisar um pensamento não significa a maior parte das vezes estar em contra. Aron era um apaixonado leitor de Karl Marx, e em muitas ocasiões separou as idéias deste, das que lhe queriam divulgar alguns herdeiros desde Lênin até Sartre, daquilo que realmente pensava e escreveu Marx nas suas obras. Dizia na sua obra “A Luta de Classes”, de 1966, que “o marxismo é por essência uma dialética segundo a qual milagrosamente, necessidade e valor, ciência e ação, estão de acordo. A contribuição decisiva para a teoria de classes é a descoberta de que as classes sociais estão ligadas a certa fase histórica, que a luta de classes conduz à revolução proletária e que mais além desta se atingirá a sociedade sem classes”(7). “O despotismo estabeleceu-se em nome da liberdade com tanta frequência que a experiência diz-nos que devemos julgar as pessoas pelo que fazem e não pelo que dizem”(8).

 

 O problema não é o minotauro sim como sair do labirinto

 (uma crítica)

 

Florestan Fernandes apontava para o imperativo do diálogo indispensável com Marx como grande pensador da condição social e crítico não superado. Inquestionavelmente Karl Marx soube interpretar a tensão social entre dominantes e dominados, trabalho e lucro, política e economia-política, a ‘etiologia’ da burguesia e dos processos dinâmicos desta , sustentada pelo capitalismo e por ideologias que se adaptam melhor às massas quanto movimento socialialista. O socialismo tem uma cor definida o capitalismo não, como um mimetista, torna-se alvo difícil ao intelectuais que o alvejam com suas críticas e análises.

O caminho ou método proposto por Raymond Aron neste diálogo com Marx, passa obrigatoriamente pelo campo da reflexão e da constatação dos fatos e motivos que mobilizam e dinamizam as massas. O intelectual não pode ser omisso não pode ser dogmático. Aron define as verdades absolutas como alçadas das religiões que se consolidam por seus dogmas, credos e utopias. Quando Sartre e não somente esse, mas outros intelectuais visitam a Rússia stalinista e como o próprio Sartre afirmou que não havia cerseamento político ou ideológico no comunismo de Moscou, não só cometeu um grave erro histórico como se mostrou moralmente míope frente aos Gulags, onde milhões de pessoas foram presas e reclusas entre 1918 e 1956, ainda o ataque dos tanques soviéticos em 25 de outubro de 1956 aos estudantes em Budapeste que reprimiram as manifestações contra os russos e Stálin; os estudantes pleiteavam um socialismo “verdadeiro”, em 4 de novembro o regime de Stálin  sob a força dos tanques de guerra invade  a Hungria nega Sartre e comprova Aron. Aqui recorro ao maior marxista do século XX Antonio Gramsci (1891-1937). Gramsci teórico mas plenamente convicto do marxismo ao contrário de Aron, militante, mas com uma crítica sóbria e autêntica sobre as questões históricas, em seu famoso e controverso texto de saudação a Revolução Bolchevique, escrito em 24 de dezembro de 1917 diz claramente (9):

 

“A revolução dos bolcheviques implantou-se definitivamente na revolução geral do povo russo. Os maximalistas que foram, até dois meses atrás, o fermento necessário para que os acontecimentos não se estagnassem, para que a corrida rumo ao futuro não se detivesse, dando lugar a uma forma definitiva de acordo – que teria sido um acordo burguês -, assenhoraram-se do poder ,  estabeleceram a sua ditadura  e estão elaborando as formas socialistas , nas quais tal revolução deverá, finalmente, posicionar-se para continuar a desenvolver-se harmonicamente, sem colisões grandes demais, partindo das grandes conquistas já realizadas. A revolução dos bolcheviques é materializada com ideologias muito mais do que com fatos.  (Por isso, no fundo, pouco nos importa dela saber mais do que sabemos . )  Essa  revolução é contra “O Capital” de Karl Marx. “O Capital” era, na Rússia, o livro dos burgueses, muito mais do que dos proletários. Era a demonstração crítica da necessidade fatal de que, na Rússia, se formasse uma burguesia, se iniciasse uma era capitalista, se instaurasse uma civilização de tipo ocidental, antes de que o proletariado não pudesse sequer pensar na sua conquista, nas suas reivindicações de classe, na sua revolução.  Os fatos superaram as ideologias. Os fatos fizeram explodir os esquemas críticos, nos quais a história da Rússia haveria de desenvolver-se segundo os cânones do materialismo histórico. Os bolcheviques renegam Karl Marx, afirmam com o testemunho da ação explicada, das conquistas realizadas, que os cânones do materialismo histórico não são tão férreos como se poderia pensar e se pensou. Sem embargo, há uma fatalidade também nesses acontecimentos e, se os bolcheviques renegam algumas afirmações de “O Capital”, dele não renegam o pensamento imanente, vivificador. Os bolcheviques não são “marxistas”, eis tudo; não compilaram com base nas obras do Mestre uma doutrina exterior, de afirmações dogmáticas e indiscutíveis. Vivem o pensamento marxista aquele não morre jamais, que é a continuação do pensamento italiano e alemão e que, em Marx, havia-se contaminado com incrustações positivistas e naturalistas. E esse pensamento coloca sempre como máximo fator da história não os fatos econômicos, brutos, senão o ser humano, senão a sociedade dos homens, dos homens que se aproximam uns dos outros, entendem-se uns com os outros, desenvolvem através desses contatos (civilização) uma vontade social, coletiva e compreendem os fatos econômicos, julgando-os, adequando-os à sua vontade, até que esta se torna o motor da economia, a modeladora da realidade objetiva que vive e se move, adquirindo caráter de matéria telúrica em ebulição, podendo ser canalizada para onde é de agrado à vontade, como é de agrado à vontade. Marx previu o que era  previsível. Não podia prever a guerra européia, ou melhor, não podia prever que essa guerra tivesse tido a forma  e a duração e os efeitos que teve. Não podia prever que essa guerra, em três anos de sofrimentos indizíveis, de misérias indizíveis, tivesse suscitado na Rússia a vontade coletiva popular que suscitou. Uma vontade feita assim necessita, para formar-se, de um longo processo de infiltrações capilares; de uma larga série de experiências de classe. Os seres humanos são preguiçosos, possuem a necessidade de organizarem-se, em primeiro lugar, exteriormente, em corporações, em ligas, depois, intimamente, no pensamento, nas vontades ... de uma incessante continuidade e multiplicidade de estímulos exteriores. Eis por que, normalmente, os cânones de crítica histórica do marxismo captam a realidade, envolvem-na e tornam-na evidente e distinta.Normalmente, é através da luta de classe, cada vez mais intensa, que as duas classes do mundo capitalista criam a história. O proletariado sente a sua atual miséria, encontra-se, continuamente, em estado de dissabor e pressiona a burguesia, para melhorar as suas próprias condições. Luta, obriga a burguesia a melhorar a técnica da produção, a tornar a produção mais útil, para que seja possível a satisfação de suas necessidades mais urgentes.  Trata-se de uma corrida afanosa rumo ao melhor, que acelera o ritmo da produção, que proporciona crescimento contínuo à soma dos bens que servirão à coletividade. E, nessa corrida, muitos caem e tornam mais urgente o desejo dos que ficam, a massa encontra-se sempre em sobressalto e, a partir do caos-povo, resulta sempre mais ordem no pensamento, tornando-se sempre mais consciente da sua própria potência, da sua própria capacidade de assumir a responsabilidade social, de tornar-se o árbitro do seu próprio destino. Isso, em condições normais. Quando os fatos se repetem com um certo ritmo. Quando a história se desenvolve através de momentos sempre mais complexos e ricos de significado e de valor, mas, apesar disso, semelhantes. Porém, na Rússia, a guerra serviu para galvanizar as vontades. Através dos sofrimentos acumulados ao longo de três anos, estas se encontraram em uníssono muito rapidamente. A carestia era iminente, a fome, a morte por fome podia todos agarrar, esmagar, de um golpe, milhões de seres humanos. As vontades puseram-se em uníssono, de início, mecanicamente, depois, ativamente, espiritualmente, após a primeira revolução (a Revolução de Fevereiro – Março de 1917).A prédica socialista colocou o povo russo em contato com as experiências dos outros proletariados. A prédica socialista faz viver, dramaticamente, em um instante a história do proletariado, faz viver as suas lutas contra o capitalismo, a longa série dos esforços que deve fazer para emancipar-se idealmente dos vínculos do servilismo que o tornavam abjeto, para tornar-se consciência nova, testemunho atual de mundo vindouro. A prédica   socialista    criou a vontade social do povo russo. Por que deveria ele esperar que a história da Inglaterra se renovasse na Rússia, que, na Rússia, se formasse uma burguesia, que a luta de classe fosse suscitada, para que nascesse uma consciência de classe e ocorresse, finalmente, a catástrofe do mundo capitalista? O povo russo passou através dessas experiências com o pensamento, mesmo que seja, pelo menos, com o pensamento de uma minoria. Superou essas experiências. Delas se serve para afirmar-se agora, tal como se servirá das experiências capitalistas ocidentais para meter-se, em breve tempo, à altura da produção do mundo ocidental. Os Estados Unidos da América do Norte são, em modo capitalista, mais adiantados do que a Inglaterra, porque nos Estados Unidos da América do Norte os anglo-saxões começaram, subitamente, a partir do estágio a que a Inglaterra havia chegado, depois de uma longa evolução. O proletariado russo, educado de modo socialista, começará a sua história a partir do estágio máximo de produção  que chegou a Inglaterra hoje, porque devendo começar, começará a partir do já completado alhures e desse completado receberá o impulso para atingir aquela madurez econômica que, segundo Marx, é condição necessária do coletivismo. Os revolucionários, eles  mesmos, criarão as  condições  necessárias para a completa e plena realização do seu ideal. Hão de criá-las em menos tempo do que o capitalismo teria feito. As críticas que os socialistas fizeram ao sistema burguês, a fim de evidenciar as imperfeições, as dispersões de riquezas, servirão aos revolucionários para fazerem melhor, para evitarem aquelas dispersões, para não caírem naquelas deficiências.   Será, em princípio, podemos dizer, o coletivismo da miséria, do sofrimento.  Porém, as próprias condições de miséria e de sofrimento seriam herdadas de um regime burguês. O capitalismo não poderia, imediatamente, fazer, na Rússia, mais do que poderá fazer o coletivismo. Hoje, faria muito menos, porque teria, subitamente, contra si um proletariado descontente, frenético, incapaz já de suportar, por mais anos, as dores e as amarguras que o mal-estar econômico traria. Mesmo de um ponto de vista absoluto, humano, o socialismo imediato possui, na Rússia, a sua justificação. O sofrimento que agüentará, depois da paz, poderá ser apenas suportado enquanto os proletários sentirem que reside em sua vontade, em sua tenácia de trabalho, a possibilidade de suprimí-lo, no menor tempo possível. Tem-se a impressão de que os maximalistas tenham sido, nesse momento, a expressão espontânea, biologicamente necessária, para que toda  humanidade russa não caia na mais horrível decomposição, para que a humanidade russa, absoverdo-se a si mesma no trabalho gigantesco, autônomo, de sua própria regeneração, possa sentir menos aguçadamente os estímulos do lobo faminto, não se tornando a Rússia uma enorme carniceiria de bestas que se devoram mutuamente”.  (destaques feitos em negrito pelo autor deste  artigo).

 

Gramsci é ousado em sua crítica mas não leviano, se a politica facista não o tivesse censurado e paulatinamente lhe condenado a morte por tuberculose devido aos maus tratos na prisão onde ficou por mais de 10 anos, sem dúvida teríamos um pensador militante que produziu e poderia mais, uma crítica forte  e maiúscula sobre as condições sobre tudo históricas do advento bolchevique na Rússia e resto do mundo. O que Aron se propôs fazer na universidade, Gramsci fez no cárcere. De uma forma clara e perceptível , os grupos chamados marxistas parecem não conhecer Marx, quanto muito O Manifesto de 1848. Em um momento delicado em que vive a América Latina, onde Hugo Chávez propõe uma Revolução Bolivariana que não sabemos o que é e que já conta com o apoio de Fidel Castro e de Cuba, onde a esquerda brasileira que por 3 décadas militou sob a égide do ideal socialista contando com intelectuais do calibre de Florestan Fernandes, formador da consciência de muitos dos que estão no poder hoje e envolvidos nos escândalos de corrupção em vários níveis, onde encontramos o Partido dos Trabalhadores apoiados para uma governabilidade “possível” pelo PMDB,  concluimos que é urgente uma reflexão apurada do que entendemos ou nos fizeram entender por socialismo.

É preciso que Marx saia das universidades, é necessário que a proposta da Escola de Frankfurt não fique somente com os intelectuais, o povo, o grande agente motor das mudanças,  precisa conhecer os fenômenos que lhes tocam, torna-se assim mais fácil a tarefa  de conhecer o processo de infiltrações capilares como nos disse Gramsci acima. No seu excelente livro A Luneta Mágica de 1869, Joaquim Manuel de Macedo, fala-nos de Símplicio, sujeito rico, mas como próprio se definiu na primeira página do livro “míope física e moralmente”(10) , eis Sartre. Após Marx, o minotauro capitalista foi ferido de morte, agoniza, as bolsas andam a dar sinais que algo pavoroso vai acontecer, a crise dos papéis imobiliários nos Estados Unidos é um indício. A questão colocada aos intelectuais sejam socialistas, liberais de direita, enfim, é sair do intrincado labirinto das teorias e interpretações divergentes.

O historiador Francis Wheen (11) à cata de uma melhor  e clara definição para expressar  o pensamento e obra de Marx, encontra em Charles Dickens e no seu livro A Casa Sombria (1853) a definição: “O Megalossauro”, o grande monstro.Em um momento em que Marx analisava a profunda percepção de David Ricardo sobre a formação da burguesia, para elogia-lo aludia a uma referência de Lord Brougham (1778-1868) sobre Ricardo: “Mr. Ricardo seemed as if had dropped from an other planet (O sr. Ricardo parece como se tivesse caído de outro planeta)”. Caso Lord Brougham houvesse lido, parece-me que a idade não  o permitiu,  O Capital, a frase ao invés daquela seria essa: “Mr. Karl Marx, the Megalosaurus, seemed as if had dropped from an other planet”. Quero crer firmemente que o minotauro não seja o próprio marxismo, caso seja, eis que não teremos o novelo de lã para sairmos desta utopia, não por não tê-lo, é que tricotamos imensas teorias e não nos resta mais nada. 

 

 Citações

                              

 

1- “Um escritor que resiste e não um resistente que escreve” tradução do autor desse artigo. Refere-se Sartre ao fato de Aron seguir para Londres enquanto ele, Sartre, ficava em Paris. Citação retirada do artigo “Aron e Sartre”, artigo in SIMIRAMIS “Irreflexão Política, Social e Econômica ”, publicado em 10 de março de 2005.  Citação em francês no original.

 

2- “Se a resitência consiste em discutir em um café então houve muito resistentes na França” tradução do autor. Citação retirada do artigo “Aron e Sartre”, artigo in SIMIRAMIS “Irreflexão Política, social e Econômica”, publicado em 10 de março de 2005. Citação em francês no original.

 

3- ARON,Raymond, Les Étapes de la pensée sociologique, Paris, Gallimard, pg. 18.  1967.

 

4 - ARON, Raymond, O Marxismo de Marx, São Paulo, p. 9. -2005.

 

5- ARON, Raymond, O Marxismo de Marx, São Paulo, p.25.2005.

 

6- ARON, O Marxismo de Marx, São Paulo, p.401, 2005.

 

7- SIMÃO, Jorge Rodrigues, Ensaios de Direito, Política Internacional, União Européia e Economia Internacional, artigo intitulado “Raymond Aron”.  Publicado  em Macau em 01.04.2005 em comemoração ao centenário do nascimento de Raymon Aron.

 

8- Idem.

 

9- Texto de Antonio Gramsci intitulado “La Rivoluzione contro il Capitale- 24 de Dezembro de 1917” in: “Antonio Gramsci . Scritti Politici ed. Paolo Spriano, Roma: Editori Riuniti, 1967, pp 80 e s. Esse artigo foi publicado pela primeira vez na revista “Avanti !” de 24 de janeiro de 1918. O texto aqui colocado foi retirado por mim da revista “Marxismo revolucionário, trotkysmo e questões atuais da revolução socialista internacionalista” março de 2004 , organizado por Portau Schimidt von Köln. Em italiano:

 

  La rivoluzione dei bolscevichi si è definitivamente innestata nella rivoluzione generale del popolo russo.  I massimalisti che erano stati fino a due mesi fa il fermento necessario perché gli avvenimenti non stagnassero, perché la corsa verso il futuro non si fermasse, dando luogo ad una forma definitiva di assestamento – che sarebbe stato un assestamento borguese, - si sono impadroniti del potere, hanno stabilito la loro dittatura, e stanno elaborando le forme socialiste in cui la rivoluzione dovrà finalmente adagiarsi per continuare a svilupparsi armonicamente, senza troppo grandi urti, partendo dalle grandi conquiste realizzate ormaiLa rivoluzione dei bolscevichi è materiata di ideologie piú che di fatti. (Perciò, in fondo, poco ci importa sapere piú di quanto sappiamo.) Essa è la rivoluzione contro il Capitale di Carlo Marx. Il Capitale era, in Russia, il libro dei borghesi, piú che dei proletari. Era la dimostrazione critica della fatale necessità che in Russia si formasse una borghesia, si iniziasse un’èra capitalistica, si instaurasse una civiltà di tipo occidentale, prima che il proletariato potesse neppure pensare alla sua riscossa, alle sue rivendicazioni di classe, alla sua rivoluzione. I fatti hanno superato le ideologie. I fatti hanno fatto scoppiare gli schemi critici entro i quali la storia della Russia avrebbe dovuto svolgersi secondo i canoni del materialismo storico. I bolscevichi rinnegano Carlo Marx, affermano con la testimonianza dell’azione esplicata, delle conquiste realizzate, che i canoni del materialismo storico non sono così ferrei como si potrebbe pensare e si è pensato. Eppure c’è una fatalità anche in questi avvenimenti, e se i bolscevichi rinnegano alcune affermazioni del Capitale, non ne rinnegano il pensiero immanente, vivificatore. Essi non sono « marxisti », ecco tutto; non hanno compilato sulle opere del Maestro una dottrina esteriore, di affermazioni dogmatiche e indiscutibili. Vivono il pensiero marxista, quello che non muore mai, che è la continuazione del pensiero italiano e tedesco, e che in Marx si era contaminato di incrostazioni positivistiche e naturalistische. E questo pensiero pone sempre come massimo fattore di storia non i fatti economici, bruti, ma l’uomo, ma le società degli uomini, degli uomini che si accostano fra di loro, si intendono fra di loro, sviluppano attraverso questi contatti (civiltà) una volontà sociale, collettiva, e comprendono i fatti economici, e li giudicano, e li adeguano alla loro volontà, finché questa diventa la motrice dell’economia, la plasmatrice della realtà oggettiva, che vive, e si muove, e acquista carattere di materia tellurica in ebulizione, che può essere incanalata dova alla volontà piace, come alla volontà piace.  Marx ha preveduto il prevedibile.  Non poteva prevedere la guerra europea, o meglio non poteva prevedere che questa guerra avrebbe avuta la durata e gli effetti che ha avuto. Non poteva prevedere che questa guerra, in tre anni di sofferenze indicibili, di miserie indicibili, avrebbe suscitato in Russia la volontà collettiva popolare che ha suscitata. Una volontà di tal fatta normalmente ha bisogno per formarsi di un lungo processo di infiltrazioni capillari; di una larga serie di esperienze di classe. Gli uomini sono pigri, hanno bisogno di organizarsi, prima esteriormente, in corporazioni, in leghe, poi intimamente, nel  pensiero, nelle  volontà ... di una incessante continuità e molteplicità di stimoli esteriori. Ecco perché, normalmente, i canoni di critica storica del marxismo colgono la realtà, la irretiscono e la rendono evidente e distinta. Normalmente, è attraverso la lotta di classe sempre piú intensificata, che le due classi del mondo capitalistico creano la storia. Il proletariado sente la sua miseria attuale, è continuamente in istato di disagio e preme sulla borghesia per migliorare le proprie condizioni. Lotta, obbliga la borghesia a migliorare la tecnica della produzione, a rendere piú utile la produzione perché sia possibile il soddisfacimento dei suoi bisogni piú urgenti. È una corsa affanosa verso il meglio, che accelera il ritmo della produzione, che dà continuo incremento alla somma dei beni che serviranno alla collettività. E in questa corsa molti cadono, e rendono piú urgente il desiderio dei rimasti, e la massa è sempre in sussulto, e da caos-popolo diventa sempre piú ordine nel pensiero, diventa sempre piú cosciente della propria potenza, della propria capacità ad assumersi la responsabilità sociale, a diventare l’arbitro dei propri destini. Ciò normalmente. Quando i fatti si ripetono con un certo ritmo. Quando la storia si sviluppa per momenti sempre piú complessi e ricchi di significato e di valore, ma pure simili. Ma in Russia la guerra ha servito a spoltrire le volontà. Esse, attraverso le sofferenze accumulate in tre anni, si sono trovate all’unisono molto rapidamente. La carestia era imminente, la fame, la morte per fame poteva cogliere tutti, maciullare d’un colpo diecine di milioni di uomini. Le volontà si sono messe all’unisono, meccanicamente prima, attivamente, spiritualmente dopo la prima rivoluzione (la rivoluzione del febbraio – marzo 1917). La predicazione socialista ha messo il popolo russo a contatto con le esperienze degli altri proletariati. La predicazione socialista fa vivere drammaticamente in un istante la storia del proletariato, le sue lotte contro il capitalismo, la lunga serie degli sforzi che deve fare per emanciparsi idealmente dai vincoli del servilismo che lo rendevano abietto, per diventare coscienza nuova, testimonio attuale di un mondo da venire.  La predicazione socialista ha creato la volontà sociale del popolo russo. Perché dovrebbe egli aspettare che la storia dell’Inghilterra si rinnovi in Russia, che in Russia si formi una borghesia, che la lotta di classe sia suscitata, perché nasca la coscienza di  classe

e avvenga finalmente la catastrofe del mondo capitalistico? Il popolo russo è passato attraverso queste esperienze col pensiero, e sia pure col pensiero di una minoranza. Ha superato queste esperienze. Se ne serve per affermarsi ora, come si servirà delle esperienze capitalistiche occidentali per mettersi in breve tempo all’altezza di produzione del mondo occidentale. Le critiche che i socialisti hanno fatto al sistema borghese, per mettere in evidenza le imperfezioni, le dispersioni di ricchezza, serviranno ai rivoluzionari per far meglio, per evitare quelle dispersioni, per non cadere in quelle deficienze. Sarà in principio il collettivismo della miseria, della sofferenza. Ma le stesse condizioni di miseria e di sofferenza sarebbero ereditate da un regime borghese. Il capitalismo non potrebbe subito fare in Russia piú di quanto potrà fare il collettivismo. Farebbe oggi molto meno, perché avrebbe subito di contro un proletariato scontento, frenetico, incapace ormai di sopportare per altri anni i dolori e le amarezze che il disagio economico porterebbe. Anche da un punto di vista assoluto, umano, il socialismo immediato ha in Russia la sua giustificazione. La sofferenza che terrà dietro alla pace potrà essere solo sopportata in quanto i proletari sentiranno che sta nella loro volontà, nella loro tenacia al lavoro di sopprimerla nel minor tempo possibile. Si ha l’impressione che i massimalisti siano stati in questo momento la espressione spontanea, biologicamente necessaria, perché la umanitá russa non cada nello sfacelo piú orribile, perché l’umanità russa, assorbendosi nel lavoro gigantesco, autonomo, della propria rigenerazione, possa sentir meno gli stimoli del lupo affamato e la Russia non diventi un carnaio enorme di belve che si sbranano a vicenda”.

 

 

10-  MACEDO, Joaquim Manuel de- A Luneta Mágica, São Paulo ,Martin Claret, p.13.2002.

11-  WHEEN, Francis , Karl Marx, São Paulo, Record, p.143.2001.

12- MARX. Karl, DO CAPITAL, in Os Pensadores, Nova Cultural, tradução de Edgard Malagodi, p.85.1996.

 

 

 Bibliografia

ARON, Raymond - O Marxismo de Marx - EDITORA ARX, tradução de Jorge Bastos 2ª edição 2005.

ENGELS, Friedrich-A Dialética da Natureza-EDITORA PAZ e TERRA, 3ª edição 1979.

 FERNANDES, Florestan - Crítica Marxista-Debate Imperialismo e Globalização-Editora Brasiliense- 1996.

 FERNANDES, Florestan-O que é revolução-Editora Brasiliense, 1ª Edição- coleção Primeiros passos- 1981.

 GIANNOTTI, José Arthur-Marx Vida e Obra-Eiditora L&PM, 1ª Edição 2001.

 MARX, Karl- Oeuvres Choisies Tome I- Gallimard- Choix de Norbert Guterman et Henri Lefebvre-1963-Paris-France.

 MARX, Karl-Os Pensadores, Nova Cultural - Para a Crítica da Economia Política, “Do Capital e O Rendimento e suas Fontes” -São Paulo 1996.

 Revista Discutindo Filosofia nº. 1 --2006 - Sartre e o homem só- p. 32-37, Editora Escala Educacional.

 TODD, Emmanuel- Depois do Império (A decomposição do sistema americano)-Editora Record - Tradução de Clóvis Marques- São Paulo-2003.

 WHEEN, Francis-Karl Marx – Editora Record- São Paulo-2001.

 

 

 

                                  Sérgio Ricardo de Freitas Cruz

 

Esse texto foi escrito em dezembro de 2007 e publicado em setembro de 2008 na Revista Científica do Curso de História-UEG-   Quirinópolis-Goiás v.1 nº 1 - Editora Kelps-2008

ISSN 1983-8824   p .67-82. Ementa: X Semana de História (Ensino e Pesquisa em História:Possibilidades e Limites)-Ementa com referência ao autor do artigo à p. 13, ISBN 978-85-7766-361-6.

 

 Defendido em palestra pelo próprio autor em 13 de setembro de 2008 na própria instituição de ensino. 

 

           

Sérgio Ricardo de Freitas Cruz

 

 

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