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A SAGA DE UM SETENTÃO APOSENTADO


Autoria:

Danilo Santana


Advogado, OAB 32.184 MG, graduado em Direito pela PUC-MG, membro efetivo do Instituto dos Advogados. Especialização em Marketing Internacional e Pós-Graduação em Direito Público. Professor de Direito Empresarial e autor literário.

Resumo:

O artigo é de autoria do Sr. Odoaldo Vasconcelos Passos, eu o recebi do amigo Gedeão Rocha, pedindo para divulgá-lo. Depois de uma leitura pausada concluí que era muito interessante e resolvi compartilhá-lo com todos os meus amigos.

Texto enviado ao JurisWay em 14/01/2012.



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A SAGA DE UM SETENTÃO APOSENTADO


                                                                       Odoaldo Vasconcelos Passos


Ser idoso é um privilégio dado por Deus. Eu gosto de ser velho!


Hoje, 30 de novembro de 2011, estou completando setenta anos. Uma idade
inimaginável para quem, quando criança, ouvia falar que o mundo acabaria no
ano 2000. Em 1941, precisamente às 15h00min, na cidade de Uruçuca-Ba,
desembarquei do conforto da nave útero da minha querida e saudosa mãe, para
encarar uma situação completamente desconhecida.


Infância pobre e pelas dificuldades, aos doze anos de idade, passei a
estudar à noite, para trabalhar durante o dia. Ali, estava iniciada uma
trajetória de lutas pela sobrevivência.


Cresci, troquei de emprego algumas vezes, sempre para melhor. Nesse
período, parei de estudar no primeiro ano do curso científico. Em 1962,
entrei para o Serviço Público Federal, onde, modéstia à parte fiz uma
brilhante carreira. Casei-me com uma super mulher e sou pai de três filhas,
uma delas me deu duas netas, todas maravilhosas.


Trabalhando, voltei a estudar à noite, fiz vestibular para o curso de
Economia, e, em 1977, fui diplomado. Nesse mesmo ano, transferi-me para
Belém, capital do Estado do Pará, para, juntamente com outros colegas da
região cacaueira da Bahia e os paraenses, ajudar na consolidação da
implantação da lavoura de cacau na Amazônia, mais precisamente nos Estados
do Pará, Rondônia, Amazonas, Acre, Maranhão, Mato Grosso e Goiás.


Em 1988, por uma atitude precipitada, muito estressado e após 27 anos de
serviço público federal, solicitei demissão incentivada promovida pelo
incompetente governo Sarney. Daí em diante, começou a minha luta inglória.


Em 1989, me aposentei pela Previdência Social. Por ter contribuído para 20
salários mínimos, esperava uma aposentadoria que viesse a ser compatível
com a minha contribuição pelo teto máximo. Ledo engano!A Constituinte de
1988 reduziu o teto para 10 salários mínimos, e com muitos artigos para
regulamentar. Fiquei no “buraco negro” e a minha tão sonhada justa
aposentadoria, se resumiu em apenas 3,4 salários mínimos.


Foi um desastre de proporções insuportáveis! O mundo todo caiu sobre a
minha cabeça. Lutei, apelei e somente após um ano de marchas e contra
marchas, consertaram o erro e eu passei a receber o equivalente a 8,8
salários mínimos. Daí em diante, foi só redução do benefício, pois todo
ano, motivado pelos constantes Projetos, Decretos e atos irresponsáveis,
desumanos e desrespeitosos por parte do governo e do Congresso Nacional,
hoje, eu amargo um benefício equivalente a 4,75 salários mínimos. A
continuar desta forma, se eu tiver a “desventura” de continuar teimando em
viver, deverei encerrar a minha gloriosa vida, recebendo apenas um salário
mínimo, conforme é o objetivo do governo.


Por necessidade de melhorar a renda, voltei ao mercado de trabalho por
alguns anos.


Durante os meus setenta anos de idade, atravessei muitas tormentas nesta
saga de criança pobre, de funcionário público federal e de aposentado da
Previdência Social.


No transcurso desta minha longa vida, eu:


- Vi entrar governo e sair governo, coadjuvados por um Congresso Nacional
conivente e subserviente, criarem leis que só prejudicam os trabalhadores
que, com dificuldades, contribuíram compulsoriamente durante 35 anos ou
mais para a Previdência Social, esperando um final de vida compatível com o
nível de suas contribuições. Infelizmente, a intenção desses
“representantes” do povo, é só o benefício próprio, a corrupção e as
mordomias. Para eles, os interesses do povo é coisa de só menos importância!


- Vi o Congresso Nacional, fingindo que votava Projetos em favor dos
aposentados, pensionistas, trabalhadores e contribuintes autônomos, sabendo
que o governo iria vetá-los. Ao ver deles, o seu papel estava cumprido.
Grandes enganadores!


- Vi comunistas querendo implantar o regime de Cuba no país e serem
repelidos pelas FFAA.


- Estou vendo os comunistas que foram repelidos à época, hoje no poder,
negando tudo aquilo que prometiam tal como: ética, honestidade e seriedade
com a coisa pública.


-Vi candidatos em campanhas prometerem tudo e quando se elegem, agem
diferente, principalmente para prejudicar os aposentados, pensionistas,
trabalhadores, contribuintes autônomos e o povo em geral.


- Vi a corrupção campear no governo, principalmente, naquele que mais
brandiu contra esse tipo nefasto de governar, prometendo ética no governo.


- Vi segundo dados da FIESP, nos últimos dez anos, a corrupção desviar dos
cofres públicos a inimaginável soma de R$720 bilhões. Só não vi ninguém
devolver o produto do roubo.


- Vi Mensalão, dólar na cueca, Ministros de Estado caindo um atrás do outro
por corrupção desenfreada.


- Vi a Suprema Corte do País, abdicar do direito de ser a guardiã da
Constituição e servir aos interesses do governo naquilo que lhe interessa,
em detrimento da Justiça e da vontade do povo.


- Vi O Senado Federal votar por unanimidade os Projetos Legislativos 01/07,
3299/08 e 4434/08, que devolverão o que o governo roubou da classe de
aposentados e pensionistas, e vi também, os Presidentes da Câmara de
Deputados, atual e passado, submissos ao governo, engavetarem tais Projetos
e não colocá-los até hoje, na pauta para votação em plenário.


- Vi o governo do sociólogo FHC, criar o maldito Fator Previdenciário que,
durante quinze anos, vem prejudicando terrivelmente os trabalhadores, os
contribuintes autônomos e os aposentados e pensionistas.


- Vi o Congresso Nacional votar a derrubada do maldito Fator
Previdenciário, e o Presidente da República, Lula da Silva, pertencente ao
Partido dos Trabalhadores, vetá-lo,mantendo-o para continuar prejudicando
os trabalhadores aposentáveis e os aposentados e pensionistas. Devo lembrar
que, quando na oposição, o PT e principalmente o senhor Lula da Silva,
foram terminantemente contrários ao dito fator, todos votando contra.


- Vi a classe de aposentados, pensionistas, trabalhadores e contribuintes
autônomos, sendo torturada pelo governo, que lhes nega direitos
inalienáveis de terem uma aposentadoria digna, de acordo com o nível de
suas contribuições.


- Vi os Presidentes da República pertencentes ao Partido dos
Trabalhadoresvetarem reajustes nos benefícios dos aposentados e
pensionistas, negando-lhes o direito de terem os mesmos índices concedidos ao salário
mínimo.

- Vi atitudes desses governos que, contrariamente ao que ocorre no resto do
mundo, insistem em manter dois níveis de reajustes para uma mesma classe de
beneficiários.

- Vi o Congresso Nacional votar e o governo sancionar a Lei 10.741, de
01.10.2003 - Estatuto do Idoso, e esse mesmo governo que a sancionou,
desrespeitá-lo.

- Vi o governo ITAMAR FRANCO entregar ao governo FHC, uma dívida
interna de R$60 bilhões de reais; FHC entregar ao governo LULA DA SILVA a dívida de R$ 645 bilhões de reais, e o governo LULA DA SILVA, entregar para o governo DILMA ROUSSEFF, a incrível dívida deR$ 2,388 trilhões de reais. FHC (1995/2002):
Pagou de juros e encargos R$278,9 bilhões; de amortização R$910,6 bilhões;
refinanciamento R$1,533 trilhão. LULA DA SILVA (2003/2010): Juros e
encargos R$873,8 bilhões; amortização R$ 910,6 bilhões; refinanciamento
R$3,019 trilhões. DILMA ROUSSEFF: 1º a 24/11/2011: Juros e encargos R$121,7
bilhões; amortização R$532,9 bilhões.TOTAL PAGO PELO TRIO: R$7,537,7
trilhões. Só não vi onde aplicaram toda essa montanha de dinheiro
emprestada pelos Bancos. Qual foi a grande obra realizada nestes governos
que justifique tamanho absurdo? Vejo as gerações presente e futura,
totalmente comprometidas pela irresponsabilidade desses ditos governantes.

Só uma auditoria da dívida pode esclarecer tamanho descalabro.


- Vi os governos sucatearem a Saúde; a Educação; a Segurança; o Sistema de
Transporte; as Rodovias; vi tentar desmerecer a Previdência Social,
alegando um déficit que não existe no Regime Geral da Previdência
Social/Urbano, tudo isto para entregar de mãos beijadas, esses importantes
serviços para a iniciativa privada, que retribui tais benesses com polpudas
quantias em dinheiro para suas campanhas eleitorais e outras negociatas.


Enquanto isso, quem não tem dinheiro para estudar em escolas e
universidades privadas, ou fica sem estudar, ou amarga falta de vagas nas
escolas públicas, estas, sucateadas; quem não tem dinheiro para pagar
planos de saúde, morre nas portas dos hospitais e prontos socorros
públicos; quem não tem dinheiro para pagar Previdência Privada, amargará um
final de vida muito triste, dependente de uma aposentadoria de um salário
mínimo; quem depende do transporte público de péssima qualidade, viajar
diariamente como sardinhas em lata; quem viaja nas rodovias federais que
não são privatizadas, arriscar suas vidas em estradas esburacadas e sem
sinalização; quem sai para trabalhar todos os dias, devido à falta de
segurança que grassa no país, não saber se volta para casa com vida.


- Vejo o crack e as drogas pesadas, invadirem lares, escolas, empresas,
ruas, aliciando crianças, adolescentes e adultos, levando-os às profundezas
da miséria e da degradação moral, sem que as políticas públicas tão
propaladas pelos demagogos em campanhas eleitorais, sejam adotadas com
seriedade para debelar tamanho flagelo.


- Vejo o Congresso Nacional mais caro do mundo, mais inoperante e mais
corrupto, onde um minuto trabalhado (?) custa R$11.545,00 Cada Deputado
Federal custa aos cofres públicos R$6,6 milhões/ano e cada Senador custa
R$33 milhões/ano. No Brasil varonil, cada parlamentar custa R$10,2
milhões/ano, em média. Só para comparar, na nossa vizinha Argentina, lá,
cada parlamentar custa R$1,3 milhão/ano; na Itália, R$3,9 milhões/ano; na
França R$ 2,8 milhões/ano; na Espanha 850 mil/ano. (fonte: Organização
Transparência Brasil). Além das negociatas por demais conhecidas, o que
essas “excelências” fazem para justificar tamanho custo para os
sacrificados cidadãos brasileiros, que trabalham cinco meses/ano para
sustentar uma máquina extremamente pesada, corrupta e inoperante?
Precisamos de 513 Deputados Federais e de 81 Senadores? Para fazer o que
eles fazem, acredito que a metade seria suficiente! Diante de todas as
mordomias, dos salários diretos e indiretos, do prestígio que lhes é
conferido e da confiança a eles depositadas pelos eleitores, fico a me
perguntar: Porque eles não fazem nada para justificar todas essas regalias?


DEIXO A INDAGAÇÃO PARA QUE ELES MESMOS RESPONDAM!

- Vejo um governo que é refém dos partidos políticos que o apoia, patinando
para demitir Ministros corruptos, segurando-os até as últimas consequências
para, depois de uma vergonhosa demonstração de conivência, de insegurança e
de falta de autoridade e sem ter mais como segurá-lo, cinicamente, mandá-lo
embora.

-Vejo o atual Ministro da Previdência Social que, quando no exercício de
Senador, discursou e participou de vigílias no Senado em favor dos
aposentados e pensionistas, e hoje, com tudo para dar um basta nesse
massacre, patinar e deixar os aposentados e pensionistas em situação cada
vez mais difícil.


- Vejo com profundo sentimento de revolta, os 8,4 milhões de aposentados e
pensionistas que recebem benefícios acima de um salário mínimo, sendo
humilhados, desrespeitados, vilipendiados e roubados pelos governos que
entram e pelos que saem coadjuvados pelo Congresso Nacional e pelo STF, que
nada fazem para coibir tamanho genocídio.


- Diante de tudo o que vi nestes setenta anos de vida, fico muito triste,
pois, infelizmente, não vi os aposentados e pensionistas unidos para reagir
a este verdadeiro genocídio que nos está sendo aplicado por um governo
insensível e irresponsável, que, unilateralmente, rasga um contrato
assinado entre ele governo e os milhões de aposentados, pensionistas,
trabalhadores aposentáveis e contribuintes autônomos, que, com grandes
sacrifícios contribuíram e contribuem para a Previdência Social,
acreditando que esse contrato seria honrado por quem tem obrigação de
respeitá-lo.

São setenta anos de muitas adversidades e de poucas bondades; de muitas
promessas e de poucos compromissos; de muitas decepções e de poucas
esperanças.

A idade dos setenta me faz sentir um grande alívio. Fui o culpado pela
eleição de centenas de canalhas que se me apresentam como solução para os
problemas do Brasil. Eleitos, extravasavam os seus péssimos instintos e
tiram a máscara enganadora de homens de bem, dando vazão a todo tipo de
bandalheira possível e imaginável. Eis ai, os nossos políticos! Estou
livre, a Lei me dá o direito de nunca mais votar nessa corja. Votar, nunca
mais, ALELÚIA!


Será que ainda há alguma esperança de dias melhores para a nossa classe de
aposentados e pensionistas e para o povo brasileiro,considerando o governo,
o Congresso e a Suprema Corte que temos?


Apesar de tudo isto, acho que valeu a pena chegar aos setenta anos, pois,
se consegui chegar até aqui, é porque fui forte, abnegado, acreditei nos
bons propósitos e na vida. Contra todas as adversidades e contra o massacre
do governo, cheguei a uma marca onde somente os lutadores conseguem chegar!

Eu venci!


*Odoaldo Vasconcelos Passos*

Aposentado/Belém-PA
Movimento Brasil Dignidade

Cia dos Aposentados

 

 

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Comentários e Opiniões

1) José (24/11/2015 às 18:11:42) IP: 200.198.196.129
Aos leitores, que curtem uma leitura, apresento-lhes este artigo, o qual achei interessantíssimo! vala muito a pena ler e, se possível, compartilhar!


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