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Insensibilidade e descaso até na morte dos nossos policiais


Autoria:

Archimedes Jose Melo Marques


DELEGADO DE POLICIA há mais de 23 anos no Estado de Sergipe. Cargos de Direção Já Ocupados: COPE (Comando de Operações Policiais Especiais ) COPCAL, COPCIN e Corregedor-Geral da Policia Civil de Sergipe (por duas vezes)

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Resumo:

Mostra que o povo continua insensível para com a policia.

Texto enviado ao JurisWay em 12/05/2010.



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Insensibilidade e descaso até na morte dos nossos policiais

(Archimedes Marques)

 

A árdua missão policial fielmente desempenhada e tão cobrada pela sociedade brasileira continua sendo incompreendida por muitos. Os caminhos tortuosos e espinhosos seguidos pelas policias parecem ser intransponíveis e intermináveis.

Infelizmente há ainda uma tradição arraigada no âmago do povo em generalizar que a Polícia é ineficiente e corrupta, que os nossos policiais são ignorantes, irresponsáveis, arbitrários e criminosos, por isso muitos até torcem pelo nosso fracasso.

Para boa parte da população policial é sinônimo de bandido, de algo imprestável, um reles ser do submundo da sociedade e pouco se importam com os seus problemas, ou seja, são tais pessoas insensíveis na vida e até na morte dos nossos policiais.

Quando morre um policial na maioria dos países desenvolvidos ocorre um verdadeiro desfile de despedida pelas principais avenidas da cidade em agradecimento aos seus relevantes serviços prestados à sociedade, com o seu caixão exposto em caminhão do Corpo dos Bombeiros, sirenes e batedores dos carros policiais ligados, seus colegas trajando farda de gala, com a presença dos chefes de Polícia, Prefeito, Governador e demais autoridades, além da cobertura da imprensa local. A população pára tudo o que está fazendo e aplaude homenageando a passagem do féretro do herói morto com muita comoção.

A viúva e seus filhos nunca são desamparados pelo Estado, muito pelo contrário, além da pensão justa relativa ao próprio digno salário do morto, ainda recebem bons seguros de vida que obrigatoriamente são feitos pelo poder público e, quando morrem em serviço defendendo o povo, aí é que esses valores duplicam.

Entretanto, quando morre um policial aqui no nosso País, mesmo em serviço, defendendo a sociedade dos criminosos não aparece autoridade alguma, somente a presença dos seus familiares, amigos ou colegas de profissão e, em ocasiões especiais os chefes de Polícia. Imprensa só de quando em vez faz a cobertura do evento fúnebre.

Até o próprio povo se impacienta e se chateia quando os colegas do policial morto querem lhes prestar uma condigna última homenagem, como foi um caso recente ocorrido aqui na nossa região em que um policial civil ao interferir num assalto fora abatido pelos marginais e, no seu cortejo fúnebre bem organizado com a Polícia Militar parando o trânsito até o cemitério, escutei perfeitamente de um motorista apressado que estava numa rua paralela sem poder passar por alguns instantes e que falou em alto e bom som: QUANTA PALHAÇADA. ATÉ NA MORTE ELES ATRAPALHAM O TRÂNSITO!... Outros motoristas, motociclistas ou transeuntes apenas assistiam com semblante alheio, raivoso, indiferente ou insensível o cortejo passar “atrapalhando o trânsito” e atrapalhando os seus preciosos tempos...

Nossos policiais e seus familiares não são apenas abandonados, desprezados e renegados por grande parte da sociedade, são de igual modo, tratados em descaso pelo Poder público. Em vida são humilhados e desvalorizados profissionalmente com salários não condizentes com a importância do cargo. Na morte, além dos desprezos citados, os herdeiros que possuem direitos aos seus baixos salários transformados em pensões são até diminuídos com a perda de certas gratificações, fato que também ocorre quando os policiais são feridos em batalha contra o crime e ficam inválidos para o resto das suas vidas. De pronto perdem logo o adicional noturno e a gratificação de periculosidade, quando o certo, por uma questão de gratidão e justiça era incorporar tais gratificações nas suas pensões.

O policial vê mais sofrimento, sangue, problemas e alvoradas do que qualquer outra pessoa. Trabalha independente das condições de tempo ou de lugar, mas a sua maneira de ver a vida em proteção da sociedade continua a mesma apesar dos percalços na sua caminhada. Na maioria das vezes é entristecido por conta das desilusões encontradas, mas no fundo é um forte, sempre esperando por um mundo melhor.

A sociedade brasileira precisa confiar mais na sua Polícia. Tem que ver e sentir a Polícia à luz do valor da amizade, pois os nossos policiais lutam o morrem por ela em busca paz social, enquanto que, por sua vez, o poder público deve ver a Polícia como valorosa instituição pagando salários dignos aos seus membros, como já ocorre em raros Estados da Nação, assim valorizando e respeitando-os na vida e na morte.

 

Autor: Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) - archimedes-marques@bol.com.br -

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Comentários e Opiniões

1) A. (27/05/2010 às 15:34:20) IP: 200.193.236.34
Muito pertinente o comentário do autor Archimedes, porém deve-se, além de bons salários, falar tbém no expurgo das corporações dos maus policiais, que devem ser banidos exemplarmente das corporações, para que os verdadeiros bons policiais exercem suas funções com dignidade e respeito a sociedade que é quem verdadeiramente pagam seus salários.
2) Adriano (30/05/2010 às 11:53:10) IP: 189.93.139.136
O que falta em nossa sociedade é eduação (luz do saber). Todo mundo quer se divertir; festa hoje, amanhã e depois...; Não observa a vida ao redor, muito menos o que está em volta; o simples sair e voltar para casa é normal. Como entender? é stressante entender, deixa para lá, vamos tomar uma e se divertir. Essa é a sociedade atual, poucos estão se empenhando. Vidas salvas não se registra só as perdidas, e a Polícia hoje a cada minuto está salvando vida.
3) Patricia (30/05/2010 às 15:17:52) IP: 189.96.74.101
O texto nos leva a refletir o que pensamos e esperamos realmente de nossos polciais, enquanto sociedade, e ,como sociedade o que poderíamos fazer para que o poder público invista não só em salários, mas também em equipamentos, cursos constantes de reciclagem e apoio psicológico. Os policiais são cobradosa todo momento pela sociedade, mas essa mesma socidade que detém o poder nas mãos, não está disposta a lutar com eles, muito menos por eles....
4) Milton (30/05/2010 às 15:37:24) IP: 189.46.25.42
Mesmo sendo um delegado creio que o autor tentou falar sobre toda a força policial, mas sendo de sergipe ele esta alheio as realidades do trabalho policial no resto do país.
Aqui na Capital de São Paulo por exemplo um decreto lei emitido pelo município delegou a policia militar a tarefa de fiscalizar o comércio de rua irregular.
Com isso toda a coletividade pode vislumbrar a cena "Dantesca" de policiais correndo atrás de meros comerciantes de rua para lhes tomar as mercadorias.
5) Milton (30/05/2010 às 15:40:26) IP: 189.46.25.42
É obvio que a imagem já desgastada apenas piora.
E como o serviço só é realizado por policiais que aceitaram tal oferta de trabalho nas horas vagas, os próprios policiais deveriam pensar um pouco mais na própria imagem antes de aceitar!
6) Carlos (30/05/2010 às 22:27:10) IP: 189.94.171.33
O presente texto realiza um excelente diagnóstico da opinião (porque não passa de mero julgamento vago) pública acerca das polícias brasileiras, das quais seus integrantes arriscam a própria vida cotidianamente, para proteger a vida dos cidadãos, recebendo vencimentos absolutamente incompatíveis com o perigo e o stress que suportam. Parabéns ao autor e oxalá outros policiais se dignem a escrever também sobre suas agruras, seus atos heróicos e seus pensamentos sobre a profissão.
7) Benedito (03/06/2010 às 17:06:42) IP: 187.35.202.149
Os policiais são desacreditados e desrespeitados pela sociedade porque em suas atividades combatem os efeitos e não a causa. Não dão valor ao trabalho da policia as pessoas desobedientes às leis, mas quando o "calo" aperta, daí se lembram e chamam. Querem o policial ali presente em tempo recorde, como se fosse inflável (apertou o botão, apareceu). Eta profissão desvalorizada. Nem o proprio governo gosta da polícia. Não aprovaram a PEC 300 e estão enrolando sob alegação de custo.


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