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Filosofia da Violência 3


Autoria:

Marcos Antonio Duarte Silva


Doutorando em Ciências Criminais,Mestre em Filosofia do Direito e do Estado(PUC/SP), Especialista em Direito Penal e Processo Penal(Mackenzie), Teólogo e Bacharel em Direito, Professor de Direito, Pesquisador Grupo GEDAIS/PUC Pesquisador CNPq.

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Resumo:

No claro espetáculo vivenciados por todos os atores deste teatro de operações, somos muitas vezes não assumimos o papel que temos que realizar que é ser atores centrados nos desvios concomitantes visto e sentido na violência descabida.

Texto enviado ao JurisWay em 06/11/2009.

Última edição/atualização em 07/11/2009.



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3) A parte destinada é de atores deste espetáculo

 

       Na questão violência, observa-se que a parte destinada ao seres humanos é de atores deste espetáculo. Bom é lembrar que um teatro de ação tudo pode mudar se a estratégia e método assim o exigir.

 

       Necessidade não há de apenas observar como outro qualquer teatro, há de se operalizar, instrumentalizando no foco de observância. 

 

       A violência compreendida pode atingir a qualquer ser humano? Sim!

 

      Somos partes ou apenas expectadores deste teatro?

 

      Estas inquietações nos introduzem ao espaço que realmente se encontra em cada ser humano e amplia a visão alcançando o interesse do todo, e não só de uma parte.

 

      Mais uma vez Foucault em sua visão do social assim afirma:

 

     “indivíduos serão inseridos– o controle é essencialmente uma economia do poder que gerencia a sociedade em função de modelos normativos globais integrados num aparelho de Estado centralizado – mas de outro, trata-se igualmente de tornar o poder capilar, isto é, de instalar um sistema de individualização que se destina a modelar cada indivíduo e a gerir sua existência”. Michel Foucault: conceitos essenciais, p. 30.    

 

       Nesta realidade que ousamos viver, onde individualizar supera o todo, há de se indagar de forma vigorosa: este é o caminho para a não violência? Um número, um nome sujo nas garras da chamada justiça?

  

       Decididamente não!

 

       A busca tem que ser sensata ousada e ir além do comum, há de se buscar na raiz do procedimento, do ato em si, da chamada conduta.

 

      Nesta direção ousada encontramos Howard S. Becker, em seu livro “Outsiders”:

 

      “Quando teorizamos sobre deliquencia juvenil, somos obrigados a inferir o modo de vida do jovem delinquente... (sic). p. 169.

 

       Importante é se perguntar onde podemos buscar dados reais, demonstrativos, com parâmetros suficientes para entender e prevenir?

 

       Há pesquisas desta envergadura em nosso país? Institutos de pesquisas famosos se procurados para esta questão se proporia fazer tal análise?

 

      A resposta é tão emblemática quanto a procurar qualquer destes institutos para apresentarem dados concretos e sólidos sobre a deliquencia no Brasil, um fenômeno crescente.

 

      Não há dados sobre este e muitos outros tipos de violência simplesmente por não serem de interesse estatal.

 

      Condutas desviantes são o que sociólogos como Becker tem analisado e procurado trazer a lume, num mar de oscilações quanto à necessidade de entender os porquês de comportamentos tão distantes do chamado comum.

 

      Numa interpretação mais aguda do tema o sociólogo assim comenta:

 

      “Algumas das razões para essa deficiência são técnicas. Não é fácil estudar desviantes. Como são considerados outsiders pelos demais membros da sociedade, e como eles próprios tendem a considerar os demais integrantes das sociedades outsiders, o estudioso que deseja descobrir os fatos acerca do desvio tem uma substancial barreira a transpor antes que lhe seja permitido ver o que precisa. Como será provavelmente punida se vier à luz, a atividade desviante tende a ser mantida oculta, não exibida ou alardeada para outsiders”. p. 171.

 

 

          Pode-se afirmar com pesar que esta situação emergente encontra-se num vácuo, sem o menor poder de quebrantar qualquer coração minimamente sensível a esta questão.

 

 

          Vê-se com tristeza o esconder escancarado desta e de questões vultosas por simples desejo de poder, assim entendendo, que a manutenção deste jogo do poder, passa e passará por cima de qualquer questão socialmente importante para manter-se.

          Voltando-se a Becker lemos:

       “O desvio dentro de instituições convencionais organizadas é muitas vezes protegidas por uma espécie de acobertamento”. Op. Cit., p. 171, 172.

        Se a violência é um problema social e com ar de descontrole, por que permitir que assuma uma postura voltada à própria sociedade?

        Esta com certeza é mais uma inferência antes do ponto crucial, que é quem ganha e quem perde com isso?

        Admitindo que estamos numa sociedade de controle, pode se concluir citando o professor Foucault:

       “O controle social passa não somente pela justiça, mas por uma série de outros poderes laterais (as instituições psicológicas, psiquiatras, criminológicas, médicas, pedagógicas; a gestão dos corpos e a instituição de uma política da saúde)...sic. Op.cit, p. 29.

        Ao observar esta construção métrica nossa visão deve ser levada a um problema maior até do que a violência: qual o limite que se suporta dentro de um controle que amordaça e inibe qualquer manifestação de sociabilização àqueles que estão encarcerados, marcados, repudiados pela sociedade que não puderam conhecer?

       Não podemos nos atrever dizer que se acaba aqui a questão, pois, muito a do que se falar.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Anotações das aulas expostas pelo Dr. Márcio Pugliese, PUC/SP, 2º semestre de 2009.

BECKER, Howard S., Outsiders, Editora Zahar, 2009, R.J.

FOUCAULT, Michel, Vigiar e Punir, Editora Vozes, 1997, Petrópolis.

HEIDEGGER, Martin, Que é isto – a Filosofia? Identidade e diferença, Editora Vozes, 2006, Petrópolis.

PUGLIESI, Márcio, Teoria do Estado, Editora Saraiva, 2009, SP.

REVEL, Judith, Foucault Conceitos Essenciais, ClaraLuz Editora, 2005, São Carlos.

 

 

 

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