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Segundo a Fenabrave, dos 381 mil veículos supostamente vendidos em dezembro, 45 mil ainda estão nas lojas
Cleide Silva - O Estado de S.Paulo
O recorde de vendas de carros novos em dezembro foi inflado pelas montadoras e concessionárias na disputa por participação no mercado. Dos 381,5 mil veículos licenciados no mês passado, cerca de 45 mil ainda estão nas lojas, à espera de compradores.
Na contabilidade das fabricantes, esses modelos constam como vendidos, pois a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulga desempenho com base nos registros de emplacamentos feitos pelo Renavam. Os veículos também não aparecem no estoque oficial da entidade.
Não fosse essa manobra, dezembro não teria sido o melhor mês da história, diz o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sérgio Reze. O resultado ficaria abaixo de março - até então recorde, com 353,7 mil unidades.
"Essa prática, conhecida como rapel, não é ilegal e é adotada há alguns anos pelas grandes montadoras, mas, no mês passado, houve exagero", diz Reze. Ela é adotada quando a marca está perdendo participação nas vendas. O nome é alusão ao esporte que consiste em descida de paredões com apoio de cordas. Os carros são licenciados em nome de revendas, frotistas ou terceiros e revendidos como usados.
Para o consumidor, a vantagem é adquirir o carro com desconto e IPVA pago. Para a revenda, atingir metas e receber bônus da montadora. Para Reze, a estratégia é equivocada e vai refletir nas vendas deste mês, que devem cair 30% ante dezembro, segundo projeções do mercado.
O volume de dezembro ajudou a melhorar o resultado de 2010, que teve 3,5 milhões de veículos vendidos, 11,9% superior a 2009. A Fiat ficou com 22,8% das vendas de carros e comerciais leves, seguida por Volks (20,9%), GM (19,7%) e Ford (10%).