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ANÁLISE COMPLEXA SOBRE "O PODER: REFLEXÕES SOBRE MAQUIAVEL E ETIENNE DE LA BOÉTIE"


Autoria:

João Marcel Araujo De Souza


Acadêmico do curso de Direito da Faculdade AGES, Paripiranga/BA.

Resumo:

Neste trabalho teremos o prazer de presenciar uma análise complexa sobre o poder, sendo reparadas as obras de renomados filósofos, assim como Nicolau Maquiavel e Étienne de La Boétie.

Texto enviado ao JurisWay em 24/03/2011.



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ANÁLISE COMPLEXA SOBRE “O PODER: REFLEXÕES SOBRE MAQUIAVEL E ETIENNE DE LA BOÉTIE”

 

 

     João Marcel Araujo de Souza

RESUMO

Neste trabalho teremos o prazer de presenciar uma análise complexa sobre o poder, sendo reparadas as obras de renomados filósofos, assim como Nicolau Maquiavel e Étienne de La Boétie. Para o primeiro o poder é descrito de acordo com os aspectos de governantes em uma sociedade, enquanto o segundo demonstra a importância da intervenção do povo nas vontades do monarca, desta forma evitando os abusos que podem ser cometidos pelo mesmo. O poder é um elemento que se encontra na filosofia, na vida real, e o autor de tal obra, procura mostrar informações pertinentes, que auxiliem o leitor nos seus caminhos ao longo da vida.

 

 

PALAVRAS- CHAVE: Poder, Maquiavel, Étienne, Sociedade.

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

        

 

Para que possamos demonstrar as diversas importâncias do poder, em nosso cotidiano, é necessário que se faça uma ampla viagem pelo tempo, o poder é um elemento o qual já percorreu por diversos momentos da história.

Tem sido difícil definir o que vem a ser o poder, o mesmo não pode ser definido com precisão. É um desafio para muitos encontrar um conceito próprio para o poder. O poder pode ser tido como uma espécie de capacidade, pela qual um monarca impõe a sua própria vontade em uma sociedade.

Podemos classificar o poder de qualquer tipo, a partir de duas características comuns, estas seriam: o poder é sempre tido como um fenômeno social; o poder sempre será bilateral, assim surgindo uma relação a partir de duas vontades, a qual apenas uma se manterá em relação a outra.

O poder possui diversas faces, é um elemento que surgi a partir de pólos oposto, como já citado, que pode ser de iniciativa, por parte de uma preocupação central ou até mesmo fundamental, podendo surgir também no momento em que o fenômeno de poder é considerado.

De acordo, com certos doutrinadores e estudiosos, assim como por exemplo, José Zafra Valverde, o poder é utilizado para a designação de três dados presente na realidade, estes seriam: a capacidade de decisão de uma pessoa com primazia sobre a de outros; as várias formas de funções ou tarefas concretas em que se encontra articulada ação de governo dentro de um grupo; e os governantes individuais ou coletivos que desempenham essas funções e detêm a capacidade de agir.

No desenvolvimento desta produção iremos nos deparar com diversas abordagens referentes às opiniões destes dois conceituados filósofos, Maquiavel e Étienne de La Boétie, sendo feitas análises históricas referentes ao poder.

 

 

2. O QUE É O PODER?

 

 

Como posto anteriormente, na introdução, o Poder vem a ser um recurso difícil de definir, sendo considerado um complexo desafio, porém o autor da obra, Gabriel Chalita, coloca o seu próprio conceito de poder.

 O poder é a capacidade, é o meio em mão mais adequada para transformar a realidade, é um meio eficaz de se impor. É deslumbrante, traz aos homens uma devasta capacidade de ação. Sendo o responsável por colocar o destino de vários indivíduos nas mãos de apenas uma pessoa. Esta pessoa pode ser considerada como o senhor do destino dele mesmo e de todos os demais, exercendo uma função de domínio para com os outros demais indivíduos. O poder aproxima o homem de Deus, acaba gerando certas ilusões, tornando o detentor deste elemento, de certa forma, invencível.

A ambição e a luta pelo poder podem ser consideradas como uma das principais características do poder, assim também como, citadas anteriormente, a capacidade de exercer as vontades a cima dos demais indivíduos, ou seja, a própria imposição do poder do soberano.

O poder é um elemento subjetivo a natureza humana. Como sabemos, os seres humanos são seres constituídos de sonhos, vontades e interesses, o principal objetivo de um homem no mundo é satisfazer suas vontades e realizações, e a melhor forma para se atingir isso é através do poder.

A partir do ponto de vista psicológico o poder pode ter até dois conceitos diferentes, pode ser o possuir alguém, ou submeter alguém a outrem, seria também a potencialidade de fazer uma coisa, de causar um fato maior para o mundo, modificar a realidade.

 

3. A TRAJETÓRIA DO PODER DURANTE A HISTÓRIA

 

 

É constante a busca do homem pelo poder, isto vem dos tempos mais remotos da história, por exemplo, na antiguidade o poder era um elemento primordial, até mesmo antes de Cristo, na época das pirâmides, presentes no Egito. Em tal época, o poder era compelido ao misticismo e a religião, os possuidores do poder eram vistos como seres superiores, ganhando o título de seres mais próximos a Deus, muitos eram até mesmo tidos como deuses.

No período da Grécia Antiga e em Roma, era um pouco diferente, pois se deu margem ao surgimento da democracia. Porém tanto na Grécia quanto em Roma, apenas participavam das decisões políticas a nata da sociedade, os mais poderosos, os detentores de poderes eram apenas de uma determinada classe social. Foi neste período que se ocasionou guerras e diversas batalhas pela obtenção do poder, daí podemos ver o quanto o homem pode ser ganancioso.

Após o império Romano nós temos a vinda do Cristianismo, sendo o mais poderoso movimento da Idade Média, época na qual o poder estava presente nas mãos dos maiores proprietários de terras, os senhores feudais.

Com o passar do tempo, houve o crescimento da burguesia, configurando-se assim o marco histórico que deu início ao progresso do poder.

Com o surgimento e crescimento do individualismo do homem, nasce o Renascimento cultural.

O ser humano passa a buscar nas antigas civilizações, um incentivo, começa a se preocupar e buscar a beleza, a cultura, as artes e a filosofia. É neste período em que se destaca também a filosofia, surgindo duas figuras magníficas, Etienne de La Boétie e Maquiavel.

O Renascimento é tido como uma fase histórica belíssima, onde podemos destacar a criação da obra O príncipe, feita por Nicolau Maquiavel. Foi o Renascimento o responsável por ampliar fronteiras em vários aspectos da vida do homem, durante o transcorrer da história.

 

 

4. AS REFLEXÕES DE MAQUIAVEL E ETIENNE DE LA BOÉTIE


É a partir de um forte sonho que Maquiavel tinha de unificar a sua tão querida Itália que ele deu início a uma das suas mais conceituadas obras, “O Príncipe”. Durante esta época, surgiu a prática da diplomacia, desta forma podia se dá mobilidade a acordos, os quais tinham a finalidade de impedir disputas por territórios. Montesquieu foi diplomata e iniciou esta obra quando se encontrava em exílio.

De acordo com Maquiavel todo poder é derivado do próprio povo, ou seja, o poder deve se caracterizar a partir de uma república. Assim para Maquiavel, o soberano do poder deve exercer este de acordo com a vontade explicitada pelo povo. O detentor do poder deverá ser o representante do povo, sem o povo o poder não existirá, já que este dependerá da sociedade em conjunto.

 

4.1 A Virtù e a Fortuna

 

Segundo Maquiavel, o poder pode ser atingido através de duas maneiras, a virtù e a fortuna.

A virtù é uma qualidade fundamental a qual deve estar intrínseca num príncipe, ela é a qualidade responsável por demandar a energia, o vigor e o talento. É a vontade de exercer o poder que o indivíduo pode, é a qualidade dada ao príncipe.

A fortuna por sua vez é a portadora das ocasiões de agir. Com o elemento fortuna, não há a constituição de um obstáculo à virtù.  E a sorte, se trata da oportunidade que o homem ganha para chegar ao poder.

A fortuna e a virtù, são dois elementos que agem em conjunto, ou seja, estão unidas.

 

4.2 Perdendo-se o direito de liberdade

 

Além de Maquiavel, havia outro grande filósofo, que também fazia discussões sobre o tema. Temos então La Boétie, o qual teve a sua obra muito conceituada na França por volta do século XVI.

Para La Boétie o ser humano se encontra livre em seu estado de natureza, porém a partir do momento em que há uma construção do Estado o homem passa a se tornar um ser sem liberdade, um ser que abdica do seu direito de ser livre no momento em que procura satisfazer seus desejos.

Através de seus pensamentos, ele demonstra que o homem se submete a um tirano através da servidão voluntária. Este tipo de servidão pode ocorrer através de duas ocasiões diferentes. A primeira seria pela vontade de servir, a qual ocorre quando o indivíduo nasce na sociedade se encontrando em dever de servidão, seria uma espécie de servidão irrefletida, inconsciente. É a partir deste tipo de servidão que se origina a sociedade patriarcal, a qual se dá pelo poder do pai na família, o pai por sua vez servirá de uma mera extensão do estado, ao certificar-se que seus filhos ajam conforme o comportamento posto pela sociedade. Já o segundo tipo seria a fragilidade da não obediência, onde o homem é obrigado a se manter no regime de servidão devido ao costume posto pela sociedade, e pela própria covardia, o receio de combater o possuidor do poder, o qual tem o pleno poder de se aproveitar dos meios coercitivos, castrando desta forma a vontade da sociedade.

Para La Boétie, o tirano nasce da própria manifestação do povo, se o povo não se mobiliza a lutar pelos seus direitos, a desafiar o soberano no poder, será ele o detentor de todo o poder.

 

           

5. CONCLUSÃO

 

 

É magnífica, as reflexões postas por Maquiavel e por La Boétie. Cada um possui um ponto de vista distinto com relação ao Poder.

Maquiavel ao tratar do poder, demonstra cuidadosamente a melhor forma de se atingir o poder, alcançando uma forma ideal de Estado. Em sua obra ele mostra os seus ensinamentos, demonstrando como o príncipe deve agir para alcançar o poder, fazendo referências aos elementos constitutivos e fundamentais do poder, assim como a virtù e a fortuna      , facilitando assim a forma de se atingir uma república ideal.

Por outro lado La Boétie, não dá margem a forma ideal de se atingir o poder, preocupa-se mais com a sociedade, com o povo, mostrando como ao longo da história o homem vem sendo submetido ao poder. Ele prega que o próprio homem perde a sua liberdade e demonstra como nós nascemos sem liberdade. Além de fazer uma reflexão, ao tirano no poder, isto é permitido pelo próprio homem, que baixa a cabeça e continua vivendo sem liberdade, aceitando a vontade do soberano, vendendo a sua própria liberdade, o bem mais precioso, para satisfazer suas vontades, aceitando os benefícios dados pelo detentor do poder.

Ambos são pontos de vista muito diferentes, oferecendo um riquíssimo conteúdo para se refletir sobre o poder, engrandecendo o nosso saber, proporcionando um saber aos homens e à sua cultura.

 

 

 

 

 

REFERÊNCIA

 

CHALITA, Gabriel. O Poder: Reflexões sobre Maquiavel e Etienne de La Boétie. 3ª Ed. rev. São Paulo: Editora Revista dos tribunais, 2005


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