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O romântico Kierkegaard


Autoria:

Gisele Leite


Professora universitária com mais de uma década de experiência em magistério superior, mestre em direito, mestre em filosofia, graduação em direito pela FND-UFRJ, graduada em Pedagogia pela UERJ, conselheira do INPJ.

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Resumo:

O ensaio tenta somente traçar esboço da filosofia de Kierkegaard.

Texto enviado ao JurisWay em 13/02/2011.



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O que nos leva a vê-lo tão romântico é o tom dos sentimentos que põe em jogo e a forma em que se aliam à fé mais sincera à angústia de crer numa piedade passional. Aliás, o referido filosófico escreveu sob vários pseudôminos tais como Johannes Chimachus e, etc..


 
O dinamarquês Sören Kierkegaard nasceu em 1813 e morreu em 1855, e teve vida e obra dominadas por uma dupla obsessão: a de lembrar do “crime” do pai, uma espécie de blasfêmia ou abjuração , e a ferida incurável de um noivado rompido pelo excesso de pudor, com uma conseqüente traição.


 
A angústia de crer, de pensar e ainda reintegrar essa mesma angústia na ordem metafísica se tornou praticamente o tema central de toda a obra do filósofo. Aliás, Kierkegaard não coloca o problema da salvação como faz os demais cristãos, nem o temor de uma condenação sempre possível.


 
A paixão mais alta do pensamento de Kierkegaard está em querer descobrir uma coisa que ele não possa pensar, escreve Benjamin Fondane.


 
O pensamento só se realiza plenamente quando se supera e encontra a Deus, além de todo pensamento. A descoberta tardia de Schopenhauer teve grande impacto em toda a sua sofrida filosofia, havendo mesmo quem lhe taxasse de Schopenhauer pelo acesso, convertido assim num negador de querer-viver.


 
Mas, se pretendia destruir esse querer-viver, era para deixar o campo livre a Deus e à ação divina e, nisto coincidia com um aspecto da mística cristã.

São suas estas palavras características e terríveis: “Deus odeia toda existência... A finalidade desta vida é elevar ao mais alto patamar o fastio de viver.”


 
Conclui assim o filósofo que o cristianismo é algo moralmente impossível e ele assim o confessa, há de se ter um socorro sobrenatural.


 
E acentua: ” toda tentativa de demonstração racional das bases da fé é uma tarefa escabrosa , uma espécie de tentação.”


 
O nosso romântico pensador publicou em 1844 o  “Conceito de angústia”, em 1845 a obra “ Etapas no caminho da vida” . Enxergava na estética o particular, na ética o geral e no religioso, o absoluto. O tom de sua especulação é todo peculiar.


 
Regis Jolivet comentou; “ É um pensamento que se apresenta muito mais como uma expressão da alma e da vida do que uma construção do espírito. “ Ele transforma a metafísica em mística.


 
A sua própria angústia torna-se elemento de crença e o pensamento não é o rio caudaloso que vai perder-se em águas divinas, ao contrário, estanca-se, se evapora ao aproximar-se de Deus.


 
Define o cristianismo como uma fantasia bem próxima a da alegoria, mais moral do que intelectual.


 
Sua filosofia de ação retardada gerou muitas sólidas reflexões futuras e trouxe efetivas contribuições para a filosofia contemporânea e, particularmente nas deduções lacanianas.


 
Kiekergaard é o precursor do existencialismo apesar de ser um pensador religioso seguindo a linha de Pascal.


 
Marcado pelo subjetivismo e pelo sentimento trágico, é dotado de estilo polêmico sobretudo nos comentários a Descartes e Hegel.


 
É ainda considerado poético quando valores como o amor, o medo, a angústia e sem-sentido da existência.


 
Sua obra sem sistemática não possui quaisquer pretensões teóricas e doutrinárias e diversamente da maioria dos românticos onde a estética é apenas uma etapa da existência.


 
Propõe a ruptura com o racionalismo moderno, o que veio a influenciar tanto o existencialismo contemporâneo de Sartre como também a moderna teologia.


 
Só para ilustrar, selecionei os seguintes trechos:


 
” nossa angústia resulta do reconhecimento da finitude e da morte bem como do silêncio de Deus , da impossibilidade de sabermos se nos salvaremos”.


 
“A fé , ela própria, não nos dá garantias, porque Deus não nos responde.”


 
Coloca em relevo o papel da crença e sua influência na sensibilidade e na inteligência, guarda também o valor da alma, apesar de atormentada mas generosa e profunda.

 
Sofreu assim intensamente por causa da busca dolorosa da verdade.


 
A verdade é uma idéia pela qual eu possa viver e morrer, o que ainda mais o caracterizou como um filósofo solitário e por fim abandonou a religião.


 
Em sua dúvida entre o estético e o ético decreta que a vida subjetiva jamais poderá ser objeto de um saber. O próprio Sartre identificou a filosofia de Kierkegaard como uma filosofia da existência erigida em oposição principalmente ao sistema hegeliano.


 
Segundo Merleau-Ponty, por exemplo, pode-se falar de um existencialismo no sentido de que nela Hegel não se propõe a encadear conceitos, mas revelar a lógica imanente da existência humana, de maneira mais precisa, mas como vida que procura compreender a si mesma.


 
“O amor romântico carece, pois, de reflexão, e nisso consiste o seu defeito. Assim, seria aconselhável, como método, submeter o verdadeiro amor conjugal a uma espécie de dúvida prévia...”


 
Traduzia brilhantemente o homem ao proclamar: “O homem é uma síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade...”


 
A noção de escolha constitui uma das idéias fundamentais da filosofia de Kierkegaard, ela seria o próprio núcleo da existência humana. E a visão do filósofo sobre a escolha é que esta é despida de critérios.


 
Em outras palavras, não existem razões lógicas que obriguem o homem optar por esta ou aquela forma de vida.


 
Em Diário de um Sedutor, o personagem central penetra no mais fundo abismo da paixão, escolhendo viver a existência amorosa em todas as suas contradições.


 
Frisa que a ameaça do tédio é perpétua, porque ele exige constante defesa. A busca da estética e de novidades acaba por desembocar num desespero humano.


 
O referido filósofo aponta o absurdo que conduz o abismo da fé em suas inúmeras versões sobre a história de Abraão e Isaac. Segundo ele, para aquele que se encontra no estágio ético, a coisa mais importante não é saber se ele é capaz de contar nos dedos todos os deveres mas se sentiu, alguma vez, a intensidade do dever, de tal modo que sua consciência esteja plenamente garantida da eterna validez de seu ser.


 
A escolha tem papel fundamental para a ética. Tem que se escolher entre o um jovem e o um velho e, demonstra claramente uma preferência pelo ético.


 
Como forma de impasse se utiliza do episódio bíblico referente a Abraão e Isaac quando Deus exige do pai terreno o sacrifício de seu filho. A única saída é o salto ético religioso de Abraão.


 
Finalmente, Kiekergaard mostra que o homem não pode repetir cada uma de suas experiências estéticas (e éticas), a fim de gozar um prazer passado.


 
A repetição, contudo, é possível no plano do futuro, na aceitação da vida como um recomeço, conversão que se abre ao sentimento do prodigioso e do divino; em outros termos, a repetição é só possível como impulso de submissão religiosa ao desconhecido, e radica no próprio absurdo de sua impossibilidade como recomposição das experiências estéticas e condutas éticas do passado.


 
A certeza da fé corresponde a uma incerteza objetiva e, conseqüentemente, constitui um paradoxo e um absurdo. Afrouxar o paradoxo significa suspender o ético e entregar-se totalmente a religiosa razão deve ser posta de lado, dando à súplica e até mesmo à imprecação.



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