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Educação Ambiental e a Sensibilização Ecológica na Construção da Cidadania.


Autoria:

Márcio De Carvalho Caciquinho Ferreira


Nome: Márcio de Carvalho C. Ferreira, natural de Januária-MG, formado em História - Licenciatura Plena,faculdade: ISEJ - Ceiva - Januária MG, pós graduado em história e cultura Afro-brasileira, Educação ambiental e Docência do ensino superior - FINOM

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Resumo:

Este artigo propõe-se a discutir as propostas da Educação Ambiental no ambiente escolar, a forma como está educação vem sendo inserida e ensinada pelos professores em suas salas de aulas. A contribuição da Educação Ambiental para a formação de um suj

Texto enviado ao JurisWay em 07/04/2010.



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Educação Ambiental e a Sensibilização Ecológica na Construção da Cidadania.

 

 

Márcio de Carvalho Caciquinho Ferreira[*]

 

 

RESUMO

 

Este artigo propõe-se a discutir as propostas da Educação Ambiental no ambiente escolar, a forma como está educação vem sendo inserida e ensinada pelos professores em suas salas de aulas. A contribuição da Educação Ambiental para a formação de um sujeito social, crítico e responsável por práticas sócio-ambientais. Pautada em uma autonomia crítica em relação às questões ambientais e contribuindo para o equilíbrio entre o homem e a natureza. Destacando o processo formativo da Educação Ambiental no desenvolvimento da cidadania. Neste contexto, enfatizamos o papel do professor enquanto agente transformador em sua práxis e na promoção da sensibilização dos sujeitos em relação às questões ambientais e promover ações de sustentabilidade do meio ambiente.

 

Palavras-chaves: Educação. Professor. Sustentabilidade. Meio ambiente.

 

 

Introdução

 

           

            A Educação Ambiental tem entre as suas propostas a preservação do meio ambiente. Por intermédio, da promoção da Educação Ambiental o sujeito adquiri conhecimentos, que, possibilita uma mudança de atitude em relação ao meio ambiente.

            De acordo com Durkheim:

A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físico, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança particularmente se destine. (DURHEIM, 1967. p. 41)

 

            Deste modo, tanto a educação formal, quanto a informal tem como função incutir uma consciência ecológica, bem como desenvolver uma postura preservacionista nos alunos. De modo, que possa desenvolver uma autonomia crítica em relação às questões ambientais e contribuindo para o equilíbrio entre o homem e a natureza.  Neste contexto, observa-se que a educação ambiental tem um papel de suma importância. Pois, “a educação, seja formal, informal ou ambiental, só se completa quando a pessoa pode chegar aos principais momentos de sua vida a pensar por si próprio, agir conforme os seus princípios, viver segundo seus critérios”.(Reigota, 1997)

A Educação Ambiental tem como função propiciar valores, idéias e regras de modo quê possam desenvolver uma “relação” saudável com o meio ambiente, através de práticas preservacionistas. Para Libâneo (2007 p.76), “as concepções ambientalistas são as que jogam no ambiente externo toda a força de atuação sobre o indivíduo para configurar sua conduta às exigências da sociedade.”

A sociedade atual requer que, os indivíduos assumam uma postura ecologicamente correta. Cabe, então, a educação ambiental promover a sensibilização do indivíduo em relação às questões ambientais. Pois:

Seu propósito fundamental é mostrar as correlações econômicas, políticas, sociais, culturais e ecológicas do mundo, contribuindo, portanto, para o desenvolvimento de um espírito de responsabilidade e solidariedade entre os indivíduos e as sociedades. (Amâncio: 2009 p.01)

             

Compreende-se por educação Ambiental um processo que objetiva:

(...) formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permita trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam (...)” (SEARA FILHO. 1987 p. 43.)

 

            Assim, ressaltamos que, a Educação Ambiental tem entre as suas propostas os seus objetivos promover ações individuais e coletivas visando à sensibilização das pessoas em relação ao meio ambiente.

 

Desenvolvimento

 

            A educação Ambiental configura-se em um processo formativo que contribuiu para o desenvolvimento da cidadania. Pois, ao

(...)  “desenvolver  uma população que seja consciente e preocupada com o meio ambiente e com problemas que lhes são associados. Uma população que tenha conhecimentos, habilidades, atitudes, motivações e compromisso para trabalhar, individual e coletivamente, na busca de soluções para os problemas existentes e para prevenção dos novos.” (Capítulo 36 da Agenda 21)

           

Deste modo, a sensibilização e conscientização das pessoas em relação à questão ambiental, as tornam críticas e responsáveis pelo meio ao qual estão inseridas.

Assim:

A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que se propõe atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente que procura incutir no educando uma consciência critica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais. (Marcatto. 2002. p.03)

 

            A educação ambiental conta com um aparato legal. A lei 9.795 sancionada em 27 de abril de 1999. Esta legislação em seu artigo 1º destaca o conceito de Educação Ambiental.

Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o individuo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (lei 9.795/99)

           

            Nota-se, que, a inserção da Educação ambiental nos espaços escolares contribui para o desenvolvimento de uma consciência ecológica comprometida com a sustentabilidade e preservação do meio do ambiente.

            A educação Ambiental deve fazer-se presente em todas as modalidades de ensino. Pois:

Entende-se por educação ambiental na educação escolar a desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino publicas e privadas englobando: educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) educação superior; educação especial, educação profissional e educação de jovens e adultos. (lei 9.795/99)

           

Assim, as instituições de ensino devem promover uma prática educativa integrada, continua e permanente tendo como objetivos a construção de conhecimentos e valores ambientais de modo, que, possam desenvolver atitudes preservacionistas e promover o equilíbrio ambiental.

Deste modo, o ambiente escolar tornar-se um espaço de interação, formação, construção da cidadania e de sensibilização sobre as questões ambientais. Neste contexto o professor, enquanto educador assume um papel de suma importância, pois cabe a ele a inserção da Educação Ambiental para seus alunos. Através do desenvolvimento de projetos, seminários, debates, atividades interdisciplinares, dentre outros mecanismos que favorecem o ensino aprendizagem, visando “a identificação do sujeito como parte integrante da natureza, percebendo os processos pessoais como elementos fundamentais para uma atuação criativa, responsável e respeitosa em relação ao meio ambiente”. (Esqueda. 2003. p. 83)

De acordo com Flick (2009. p.1) “Um dos desempenhos mais respeitáveis da escola é sua força de influência e transformação em relação a conceitos da comunidade em que está inserida”.

Nesse contexto e, na temática ambiental, a escola oferece um impacto expressivo na sociedade, através da sua mais fiel tradução: o trabalho dos profissionais em educação, em função da abertura de caminhos de difusão com os alunos, que permitam reflexões sobre o papel destes, como cidadãos em relação ao meio ambiente. Este é o mister do professor : a responsabilidade de acordar o aluno para o bom senso de descobrir dentro de si a autoconfiança e potencialidade para o exercício de sua cidadania, desencadeando posturas e atuações mediante as dificuldades sócio ambientais. (FLICK)

 

            Propõe-se uma reflexão acerca da formação dos docentes no que tange a Educação Ambiental. A lei 9.795 de 1999, já mencionada. Destaca que, a Educação Ambiental deve ocorrer em todas as modalidades de ensino e a “dimensão ambiental deve constar nos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas”. (Art. 11- lei 9.795/99) Nosso questionamento refere-se aos professores com formação anterior a data de sanção da lei. Será que eles passaram por uma capacitação sobre a Educação Ambiental, acreditamos que a grande maioria não tenha capacitado, sendo assim, leva-se a crer que muitos professores têm ensinado a Educação Ambiental de maneira bastante simplista. Pois, “quase totalidade das práticas voltadas à consecução da educação ambiental está assentada em atividades denominadas extra classe, carregando ocultamente a condição de paralela ao “regular” pedagógico, complementar e externo a sala de aula. (Cascino. 1999. p.78)

(...) a Educação Ambiental fica relegada ou, ainda não foi adotada, pela escola e pelos educadores ambientais. É público e notório que a Educação Ambiental é – timidamente, desenvolvida nas escolas, estando na maioria das vezes ausente das práticas adotadas pelos educadores, não obstante algumas atividades pontuais sejam propostas inerentes à preservação do ambiente. (Marcatto. 2002. p.03)

 

            Os professores de biologia, geografia e ciências, obviamente sem generalização, costumam trabalhar a Educação Ambiental quando enfocam o meio ambiente e as questões ambientais. Como, por exemplo, da problemática do lixo, o desperdício energético e a degradação ambiental.  Assim, “é preciso intervir em processos de capacitação que permitam ao professor embasar seu trabalho em conceitos sólidos, para que as ações não fiquem isoladas e/ou distantes dos princípios da Educação Ambiental”. (Weid. 1997, p. 84)

            Cabe, aos profissionais da educação romper com a maneira simplista de ensinar a Educação Ambiental. Transformando as práticas pedagógicas, pautando-se pela criatividade em prática educativa no quê se refere à Educação Ambiental. Visto que, “Não existe Educação ambiental se ela não se efetivar na prática, na vida, a partir das necessidades sentidas.” (Pelicione e Plhilippi Jr. 2005. p. 96)

            Os professores devem desenvolver uma prática metodológica bastante dinâmica, contínua e não fragmentada ao ensinar a Educação Ambiental. Assim, “o desenvolvimento de instrumentos e metodologias, visando à incorporação da dimensão ambiental, de forma interdisciplinar, nos diferentes níveis e modalidades de ensino”. (lei 9.795/99)

Destaca-se, que, a Educação Ambiental deve ser constante nas escolas, através de desenvolvimento de ações, que, envolvam todas as disciplinas escolares. E principalmente, através de propostas interdisplinares. “Pois, ‘ao “cruzar”, temas, ler a realidade segundo um outro “agrupamento”- interdisciplinar - teórico e pretender elaborar uma reflexão curricular relacionada com a Educação Ambiental”. (Cascino. 1999.p.71)

Propõe-se que a Educação Ambiental seja um processo de formação dinâmico, permanente e participativo, no qual as pessoas envolvidas passem a ser agentes transformadoras, participando ativamente da busca de alternativas para a redução de impactos ambientais e para o controle social do uso dos recursos naturais. (Marcatto. 2002. p.03)

 

                        Assim, “a educação ambiental vem mostrar que o ser humano é capaz de gerar mudanças significativas ao trilhar caminhos que levam a um mundo socialmente mais justo e ecologicamente mais sustentável”. (Abreu. 2009. p. 2)

 

 

Conclusão

 

                        Portanto, a Educação Ambiental torna-se uma importante ferramenta na formação de um sujeito crítico e responsável pelas suas atitudes em relação ao meio ambiente. Além de contribuir para o desenvolvimento de um cidadão pleno e participativo.  Mas, para a Educação Ambiental conseguir alcançar os seus objetivos é importante o papel do professor enquanto, agente transformador em sua práxis e na promoção da sensibilização dos sujeitos em relação às questões ambientais e promover ações de sustentabilidade do meio ambiente. Contudo, torna-se necessário uma reformulação nos currículos dos cursos de formação para quê os professores consigam alcançar objetivos satisfatórios ao ensinar a Educação Ambiental.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

AGENDA 21. Disponível em: http:// www.mma.gov.br - Ministério do Meio Ambiente. Acesso em 06 Set. 2009.

 

 

AMÂNCIO. Cristhiane. O Porquê da Educação Ambiental? Disponível em: http://www.cpap.embrapa.br/publicacoes/online/ADM083.pdf. Acesso em 5 set.2009.

 

CASCINO. Fábio. Educação Ambiental: princípios, história, formação de Professores. São Paulo: Editora Senac. 1999.

 

DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. GAIA. 2003

 

DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. 7. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1967.

 

ESQUEDA, Mariam Dias. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ENTRE OS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL.  Disponível em: http://www.biosphera.com.br/portfolio/2epea/trabalhos.htm. Acesso em 09 de set. 2009.

 

Flick, Maria Esther Pereira. Educação Ambiental e formação de Professores. Disponível em: http://www.cenedcursos.com.br/educacao-ambiental-e-formacao-de-professores.html.  Acesso em 10 set. 2009.

 

LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez. 2007.

 

Marcatto, Celso. Educação ambiental: conceitos e princípios. Belo Horizonte:FEAM, 2002. Disponível emhttp://www.scribd.com/doc/7028363/Educacao-Ambiental-Conceitos-Principios. Acesso em 28 Ago. 2009.

 

Ministério do Meio Ambiente. Documento base. Tema Cidades Sustentáveis -

Agenda 21 Brasileira.

 

REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasiliense, 2006.

 

SEARA FILHO,G. Apontamentos de introdução à educação ambiental. Revista

Ambiental, ano 1, v. 1, p. 40-44, 1987

 

 

PHILIPPI JR., Arlindo et al. Educação ambiental: desenvolvimento de cursos e projetos. 2. ed. São Paulo: EDUSP, 2002.

 

WEID, N. von Der. 1997. A formação de professores em educação ambiental à luz da agenda 21. In: S. M. Pádua e M. F. Tabanez (orgs.), Educação ambiental: caminhos trilhados no Brasil. Brasília, IPÊ.



[*] Graduado em História pelo Centro de Educação Integrada do Vale do São Francisco- CEIVA. Pós – Graduado em História e Cultura Afro-Brasileira, Docência do ensino superior e Educação Ambiental pela Finon.

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