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À Luz do Aborto


Autoria:

Nelson Olivo Capeleti Junior


Bacharel em Direito pela Faculdade Cenecista de Joinville. Aprovado no XX Exame de Ordem. Advogado - OAB/SC 51.501 Contato: capeleti.legis@gmail.com Rede Social: Nelson Capelletti

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Resumo:

O homem moderno, pesquisador da estratosfera e do subsolo, esbarra, ante os pórticos do sepulcro, com a mesma aflição dos egípcios, dos gregos e dos romanos de épocas recuadas.

Texto enviado ao JurisWay em 17/11/2017.



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Janaína estava grávida. No segundo mês de gestação, pensava se afinal, teria ou o não filho(a), haja vista, que sequer sabia quem era o genitor. A concepção se dera na praia, em pleno calor de carnaval.

Obtemperava a jovem esguia, nas demandas da maternidade e nos conflitos advindos de uma infância carente da palavra paterna. Ela também não tivera pai. Na indecisão cerrou os olhos físicos e passou a contemplar a própria infância.

Quando criança, sofrera sobremaneira ao perceber que todos os colegas tinham pai. E, sobretudo, no dia dos pais, quando todas as atividades na escola eram voltadas á este dia comemorativo, ela, tinha que destinar suas homenagens a mãe. Justo a mãe, que lhe impedira de ter um pai. Também a mãe engravidara em uma relação transitória de carnaval. Que destino!

Toda sua infância, até aquele momento lhe ocorreu à mente e, desta forma, suportando grande mágoa, decidiu que se a criança não nascesse, não haveria de passar por todos estes dissabores. Afinal, que falta faz a vida para quem sequer nasceu?

Decidida, quanto à interrupção da gravidez, procurou uma clínica onde pudesse ser realizado o aborto, haja vista, que recentemente, o aborto fora regulamentado no Brasil. Contudo, fora informada de que após assinar os termos de responsabilidade, haveria de passar por acompanhamento psicológico antes e depois do procedimento. Pensou consigo:

- Fossem outros tempos, quando o aborto era ilegal, não haveria de passar por tamanha burocracia.

Acontece que com a regulamentação do aborto, as clínicas clandestinas minguaram ao ponto de fecharem por completo, haja vista, o Sistema Único de Saúde realizar o procedimento com toda a segurança necessária e sem qualquer custo monetário.

Chegado o dia da primeira consulta psicológica, rumou para o endereço, ainda decidida a dar fim à existência do feto. Avistou o endereço do consultório e adentrou, sendo recebida com muita afabilidade pela secretária.

Os consultórios de psicologia que prestavam o atendimento eram todos particulares, entretanto, absorviam toda a demanda através de convênios com as respectivas prefeituras.

Iniciada a primeira consulta, a psicóloga, muito amorosa, pediu que Janaína discorre-se acerca da sua infância e adolescência, para depois, dizer por que chegara a decisão de interromper a gravidez.

À medida que Janaína ia elencando os dissabores da infância e da adolescência, já desenhando uma narrativa a justificar a interrupção da gravidez, empregava grande ênfase as dificuldades pelas quais passou, em decorrência da ausência da figura paterna. E não obstante, empregava relevância aos tropeços que a vida lhe destinara, como se todas as mazelas de sua vida fossem consequência da ausência da destra paterna.

A Psicóloga apenas ouvia. Passiva; atenta, com olhar sereno e acolhedor.

Terminava a narrativa, seriam necessárias, ainda, duas consultas com a psicóloga para que fosse enviado o relatório a Secretaria de Saúde Municipal, autorizando o procedimento.

Todavia, quando Janaína fora se despedir daquele primeiro encontro, a psicóloga lhe sugeriu:

- Estimada Janaína, para o nosso próximo encontro, quero que você reflita se de alguma maneira as dificuldades pelas quais você passou lhe ajudaram a formar o seu caráter e se, de certa maneira, estes dissabores fizeram de você uma pessoa mais sensível aos problemas alheios.

Aquela orientação lhe causou grande impacto. Até aquele momento não havia pensado sob tal perspectiva. Ora, será que todas as dificuldades pelas quais passou lhe moldaram o caráter? Afinal, a mão do destino que forma o vaso de barro tem maior êxito quando exerce pressão sobre o molde?

Naquela noite, ao deitar-se para dormir, passou a noite em claro. Como algo tão óbvio pôde lhe passar despercebido? Em que pese o ato leviano no carnaval, Julgava-se mais madura do que a maioria das amigas de idêntica idade. Estava clarividente que as dificuldades enfrentadas lhe forjaram um caráter mais sólido, preparando-a para as agruras da vida em sociedade.

Na próxima consulta, ao sentar-se no divã, fora imediatamente interpelada pela psicóloga, que lhe solicitou minúcias acerca das reflexões. Janaina não calou:

- Doutora, preciso lhe confessar, que a sua proposta de reflexão me proporcionou importante quebra de paradigma. De fato, olhando a vida sob a perspectiva de que as dificuldades são lições benditas, eu, realmente, não posso acreditar que enfrentaria as dificuldades presentes com a postura altiva de agora, não fossem os tropeços educativos que a vida me impôs.

- Diante de minha nova realidade, compreendo que subtrair desta vida que se forma em meu intimo de carne e espírito, as dificuldades que a existência impõe, configuraria um crime do qual não quero ser acusada.

- Diante disto, doutora, decidi levar adiante minha gestação, e dar a esta criança que vai nascer, as melhores lições para que possa enfrentar os problemas próprios da vida, com a mesma postura altiva que acredito possuir.

Sem que a psicóloga precisa-se dizer qualquer palavra de incentivo, Janaina se despediu e agradeceu pela compreensão. Saiu do consultório com a impressão de que, o simples fato de ter alguém disposta a ouvi-la, com atenção e carinho maternal, fora o suficiente para que ela mesma se descobri-se em perspectivas até então desconhecidas.

Amparada pelo Estado, Janaina seguiu seu caminho, a luz da razão, e teve um lindo e saudável filho(a), o que não teria acontecido, caso a mesma tivesse sido relegada a clandestinidade, aos porões da ilegalidade.

Infelizmente, em função dos problemas educacionais próprios de uma sociedade que valoriza a materialidade em detrimento do “ser”, inúmeras pessoas, diante de caminhos diversos que por ventura, se apresentam diante de si, escolhem o caminho mais áspero, embora a principio, lhe pareça o mais fácil.

Para Janaína, ser-lhe-ia mais fácil, a primeira impressão, interromper a gravidez, entretanto, bastaria o amparo paternal de um Estado de Bem Estar Social, para lhe direcionar no caminho que lhe traria maior proveito, enquanto criatura humana em evolução constante.

Diante de uma sociedade tão desigual, o Estado, se pretende a paz social, não pode deixar na clandestinidade seus(a) filhos(a) desventurados(a).

Quem não despreza a vida, preza pela regulamentação do aborto.


“Que se dará, em nome da Sabedoria Divina, ao homem primitivo,

sedento de dominação e de caça? A maldição ou o alfabeto”?  (FRANCISCO CANDIDO XAVIER – OBREIROS DA VIDA ETERNA – PREFÁCIO DO ESPÍRITO EMMANUEL.     

 

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