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Resenha - Ética a Nicômaco - Aristóteles


Autoria:

Gabriel Edmundo Cassiotti Da Silva


Acadêmico,do 4° semestre, do Curso de Direito da Faculdade Católica Rainha da Paz. Estagiário da Justiça Eleitoral.

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Texto enviado ao JurisWay em 08/11/2016.



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ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2015.

 

 

Gabriel Edmundo Cassiotti da Silva[1]

 

 

Aristóteles foi um importante filósofo grego, que viveu entre 384 e 322 a.C, nascido na Estágira, Macedônia. Aos dezessete anos entrou para a academia de Platão, na cidade de Atenas, tornou-se um discípulo de destaque ao longo dos vinte anos em que permaneceu na academia, chegando a ser professor. Foi mentor de Alexandre, sucessor do rei Felipe II o conquistador da Grécia, o rei Alexandre ficou conhecido como “o grande”, por ter conquistado diversos povos e fundado a cidade de Alexandria. Aristóteles fundou sua escola, com o nome de o Liceu, em Atenas, por volta de 335 a.C, importante centro de estudos divididos em especialidades. Aristóteles tinha o hábito de dar aula e debater caminhando, sua obra inclui diversas especialidades como lógica, física, metafísica, moral, política e retórica. O filósofo assim como seu mestre, Platão, foi perseguido por causa de suas ideias e deve que se exilar, falecendo, em 322 a.C, com sessenta e dois anos.

Esta obra tem por objetivo apresentar as características do comportamento humano, o autor faz uma análise sobre o comportamento ético e suas características.  Aristóteles deseja que o conhecimento ético não fique apenas no campo das ideias, mas que também seja praticado e ensinado. O comportamento humano sempre reflete o seu caráter, por isso o autor traz fatos do cotidiano para tentar aproximar a análise e estudo para a ação prática.

A obra foi organizada em dez livros: I- Discute o bem, as ações e as escolhas; II-  Virtude moral e a importância do meio termo; III- Ato moral e as paixões; IV- As virtudes morais; V- a justiça; VI- Virtudes da alma e racionalidade; VII-  Vícios e ações que o homem virtuoso não deve praticar; VIII- Amizade; IX- Amizade política; X- Conclui a obra discutindo os prazeres as virtudes e o papel da política.

No primeiro livro, questiona-se o que é o bem, todas as ações e escolhas tendem a um bem. Então para tudo que é feito existe um bem, se o bem que desejamos é um bem em si mesmo, e não o desejamos para obter outro bem, esse é o bem supremo. O objetivo das ações é a felicidade, porém a felicidade para o homem comum é distinta para o homem sábio. Portanto a felicidade é a melhor coisa que existe, e não se confunde com a honra, prazer e riqueza, porém condiciona-se a esses para a sua realização.

O segundo livro, aborta as virtudes e suas duas espécies, intelectuais e morais, a virtude intelectual é aquela que resulta do ensino, já a virtude moral resulta do hábito e pelo exercício, do mesmo modo que forma-se essas virtudes pode-se destruí-las. As relações com homens justos e injustos, e atos praticados são meios de destruir as virtudes, é importante desde cedo praticar e habituar-se as boas ações e as boas relações. O excesso ou a falta da virtude também pode ser destrutivo, é importante chegar ao meio termo, isso quando há excesso ou falta de ações ou paixões. Além disso não há meio termo em paixões e ações que visem a maldade, não se pode buscar meio termo entre atos injustos. Somente através de atos justos é possível formar homem justos.

O terceiro livro, trata sobre o ato moral, a virtude relaciona-se com paixões e ações, que são voluntárias ou involuntárias. É involuntário quando o ato ocorre pela coação ou ignorância, pela força ou para evitar algo mais grave, já o ato moral voluntário possibilita escolha de fazer ou não fazer algo. Entretanto quando as ações possibilitam escolha do indivíduo mas esse de alguma forma é pressionado a decidir de uma determinada forma essa ação assemelha-se a involuntária. Também, pode ocorrer atos voluntários praticados sob impulso, esses não são escolhidos, mas são praticados sem que exista uma força externa que force o agente.

Já o quarto livro, são apresentadas as virtudes morais, a primeira a ser tratada é a liberalidade, que é o meio termo entre adquirir e distribuir as suas riquezas materiais, entre a prodigalidade e a avareza. A virtude da magnificência se vincula com a riqueza, e diz respeito aos grandes gastos, que almejam a honra. Portanto o homem magnificente precisa ser um homem liberal para poder alcançar seus objetivos, o homem pobre não consegue ser magnificente pois não pode ter grandes gastos, assim o homem magnificente realiza atos de tal forma que esses se tornam difíceis de se superar, para alcançar esse resultado é necessário grandes gastos. Já o homem humilde é aquele que sempre se julga menor do que realmente é, e o homem que é digno de pequenas coisas e se julga digno delas é o homem temperante. Por último a calma é uma virtude moral, meio termo entre a cólera e a pacatez, o homem calmo é aquele que apenas se enfurece por motivos justos, e os que não se perturbam por nada são os tolos.

O livro quinto analisa a justiça e a injustiça, a justiça é a virtude mais perfeita e está nas outras virtudes. O justo traz a virtude ao próximo e não somente a si, ele é aquele que obedece a lei, é integro e honrado, enquanto o injusto é desonesto. Também a justiça está na distribuição igualitária de acordo com a desigualdade, o justo é proporcional. Já a justiça corretiva intervém para resolver uma desigualdade, é intermediária entre ganho e perda. O juiz é o meio termo que resolve a desigualdade e restaura a igualdade para as partes.

O sexto livro aborda as virtudes da alma e sua parte racional, dividida em duas partes, a parte científica e a calculativa. Pertence a alma, três fatores predominantes, são eles, a sensação, intelecto e desejo. A ação é o meio para atingir um fim desejado, é uma escolha que não pode ocorrer sem o pensamento e disposição moral, o princípio da ação é o homem. Contudo as duas partes intelectuais da alma tem a verdade como função. Afirma quais são estados que a alma expõe a verdade: arte, conhecimento científico, sabedoria prática, sabedoria filosófica, razão intuitiva. Tendo esses estados como base o homem alcança os fins de suas ações.

No sétimo livro, são apresentados os vícios e outras práticas que os homens virtuosos não praticam, o primeiro dele é a brutalidade, que é total ausência de virtudes e até mesmo os vícios, e está vinculada aos bárbaros. Outra disposição de caráter a ser analisada é a incontinência, homem incontinente é aquele que sabe julgar racionalmente o que é certo e errado e mesmo tendo um julgamento justo age de forma incorreta, entretanto Sócrates afirma não existir a incontinência, pois ninguém age de forma contrária ao próprio pensamento. A incontinência é muito complexa pois envolve o raciocínio do homem em choque como os prazeres e opiniões e as paixões, que fazem o homem agir em desacordo com seu próprio julgamento, há também a incontinência absoluta, essa está ligada ao dinheiro, cólera e a honra. Contudo muitos prazeres são necessários para o homem e muitos não são prejudiciais, mas quando são prejudiciais se tornam muito maléficos, é importante que o homem seja forte e saiba ser temperante e não se deixe levar pela frouxidão.

O oitavo livro aborda a amizade, ela é a virtude mais nobre e necessária ao homem, nada valeria ter muitos bens, autoridade, poder, e não ter amigos. Além disso, a amizade traz apoio e segurança, indispensáveis até mesmo aos mais poderosos, porque os homens são mais fortes quando agem em grupo, e faz parte da natureza do homem a facilidade para fazer novas amizades. Entretanto a amizade é diferente de muitas maneiras, há aqueles que buscam a utilidade, prazer ou paixão, então possuem uma amizade frágil. Também há aqueles que possuem afeição e amor reciproco pela pessoa por ser quem é não por aquilo que a pessoa pode dar, onde homens bons e virtuosos e que desejam o bem ao outro, esses homens possuem amizade forte e duradoura. Contudo não se pode confundir amizade como benevolência, mesmo que seja reciproco, pois desejar o bem a uma pessoa não é o mesmo que amizade.

O nono livro da continuidade ao anterior, e aborda a amizade política onde há remuneração proporcional, que deve parecer justa para ambas as partes, nessas amizades não se ama a pessoa em si, mas sim, os benefícios que esperam receber, essas amizades não são duradouras. Os acordos feitos são pagos com dinheiro, de acordo com a atividade ou objeto negociado, ocorrem desacordos quando os amigos obtêm coisas diferentes do que imaginaram. É muito importante retribuir os benefícios dos benfeitores e agradar os amigos, e sempre pagar a dívida assumida. As amizades que tem como base o prazer e a utilidade e se desfazem quando os amigos não são mais os mesmos que antes. Também se homem que antes era bom e se torna mau é impossível de amá-lo, pois não se deve amar o que contém vício. Portanto as pessoas más, se unem para praticar o mau, e as pessoas virtuosas se unem para praticar o bem.

O livro décimo fala sobre o prazer, pois ele faz parte da natureza do homem, muitos consideram o prazer um bem e outros um mau, mas é preciso encontrar um meio termo para não se tornar escravo do prazer. Também os prazeres são diferentes de acordo com a forma, se vem de fontes nobres são nobres, mas se vem de fontes viciosas assim serão, o homem justo só sente prazer com coisas justas. Assim o prazer não é um bem e nem todos os prazeres são desejáveis pelo homem. O homem precisa ser educado e estimulado para a virtude, os legisladores tem um papel fundamental para o bem comum, eles podem regular o comportamento e combater os vícios e as coisas desonestas e punir com sanções aqueles que não se comportarem de forma adequada. Para tanto o legislador precisa ter conhecimento para adequar os indivíduos que praticam uma má conduta, esse é o papel da ciência legislativa.

As ações buscam a felicidade, que condiciona-se ao prazer, a honra e riqueza. A virtude é, o meio termo entre paixões e ações, são intelectuais quando ensinada, e morais se vem pelo hábito. Também o ato moral pode ser voluntário, quando responsabiliza o agente, ou involuntário, se não responsabiliza o agente. A justiça é a virtude mais perfeita, é a igualdade de acordo com a lei, e também na distribuição das riquezas. A amizade é necessária ao homem, sem ela não há apoio e todo o poder e riqueza não tem valor, os homens tendem a agir em coletivo e tem facilidade para fazer novas amizades, mas, é difícil ter uma amizade duradoura. O prazer não é um bem e nem todo prazer são benéficos ao homem, é fundamental que o prazer tenha fontes nobres.

Com base na obra de Aristóteles, concluímos que é de suma importância estudar as diferentes ações dos homens, estudar a ciência do comportamento e usar o conhecimento para contribuir para a sociedade. O livro deixa muito claro a sua mensagem, as ações devem ser virtuosas, justas e temperantes, o meio termo é sempre mais justo que um dos extremos. Por fim, a política tem o poder contribuir para o crescimento e amadurecimento dos valores morais da sociedade, onde os homens visem sempre o bem e a justiça.

A obra é atemporal e constitui a base para o estudo da ética, é dirigida a todas as áreas do conhecimento, e recomendada a acadêmicos de Ciências Humanas, Direito, História, Teologia, Filosofia, antropologia, sociologia, e aos professores e pesquisadores.

 



[1] Acadêmico do 3° semestre B do Curso de Direito da Faculdade Católica Rainha da Paz-FCARP, Araputanga-MT. Resenha apresentada como TRABALHO DISCENTE EFETIVO-TDE, para as disciplinas do 3º semestre, sob a orientação do professor Faustino Lopes dos Santos.

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