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A necessidade de uma Reforma Educacional no brasil para a redução da criminalidade


Autoria:

Iara Alessandra Da Silva


Estudante do nono período de Direito na Universidade de Itaúna.

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Resumo:

Uma Reforma Educacional no Brasil faz- se urgente tanto para a redução da criminalidade quanto para a melhora da política no país. Mas esta Reforma deve ser fiscalizada de perto para garantir a sua efetiva implementação e não apenas traçar diretrizes

Texto enviado ao JurisWay em 16/09/2015.

Última edição/atualização em 24/09/2015.



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É generalizada a percepção de que o Brasil precisa melhorar em vários aspectos. Tanto em relação a política, que no nosso país é revoltante devido à alta corrupção e também pela ineficiência em prestar serviços públicos de saúde, educação, transporte, etc, quanto em relação a criminalidade que aumenta a cada dia juntamente com a impunidade, e também em relação a cidadania, cultura e educação de um povo.

Tudo só pode ser melhorado por meio da Educação. A boa educação faz com que o cidadão se torne mais participativo na economia, política e que contribua para a melhora de seu país. Aumenta a cultura, espírito cívico e solidário e reduz a criminalidade.

 

Só pessoas com espírito cívico e cultura solidária serão bons políticos, por isso a cultura no país precisa ser modificada, no espírito de cada um. Deve-se eliminar a cultura do “jeitinho brasileiro”, do querer dar uma de esperto e passar os outros para trás sem se preocupar com o próximo.

 

Com a melhora da Educação e cultura, a criminalidade pode ser reduzida, pois o cidadão deve ver em seu país oportunidades de crescer, de ter emprego, para que não se torne um cidadão à margem, revoltado com o sistema, gerando a violência e os crimes.

 

E a Educação no Brasil não está das melhores. Conforme a série “Destino: Educação – Diferentes países, diferentes respostas”, projeto desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho e o Canal Futura, em parceria com o Serviço Social da Indústria – SESI, redigida por Maria Helena Guimarães de Castro:

 

A divulgação dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) a cada três anos quase sempre não traz boas notícias para o Brasil. Na primeira edição, em 2000, cujo foco foi a Leitura, o país ficou em último lugar entre 32 países. A média dos alunos brasileiros não foi suficiente para ultrapassar o nível 1, considerado elementar na compreensão de textos. A Finlândia, que ocupou o primeiro posto, classificou a maioria dos seus estudantes no nível 4. ( Série “Destino: Educação – Diferentes países, diferentes respostas”, 2011, p. 115. )

 

Nota-se que o Brasil precisa urgentemente de uma reforma educacional. O Brasil se desenvolveu rápido nas poucas décadas de regime democrático para se tornar uma das sete maiores economias do mundo, mas o desenvolvimento social, cultural e educacional não conseguiu acompanhar. Somente em 2010, mais de quatro mil engenheiros de outros países vieram para o Brasil por falta de mão de obra especializada.

Os países que estão nas primeiras posições no ranking PISA, como Finlândia, China, Chile, Coréia e Canadá apresentam em sua estrutura educacional, em maior ou menor medida, alta valorização da profissão docente, com altos salários, fazendo com que os jovens desejem muito essa carreira e se esforcem para consegui-la.

 

Em contrapartida aos altos salários, há uma grande seletividade para o ingresso nos cursos de formação para docentes, fazendo com que apenas os estudantes mais qualificados se tornem professores.

 

Também há nesses países um forte sistema de controle e incentivo a qualidade do ensino. Os professores passam por avaliações de desempenho, são constantemente avaliados pelos diretores de escola e órgãos superiores, a exemplo do que ocorre na China. Passam por um contínuo processo de formação e aperfeiçoamento realizado em grupos de professores com atividades práticas. Apesar dos docentes terem carreira estável, são submetidos a avaliações de desempenho e se forem considerados como “insatisfatórios”, passam por uma capacitação e se mesmo assim não melhorar o desempenho, são afastados da profissão, como ocorre no Chile.

 

O Canadá passou por uma grande reforma educacional bem sucedida, devido à descentralização da sua execução, com a criação de secretarias que acompanhavam bem de perto e sem entraves burocráticos, o processo de reforma, garantindo que ela fosse implantada. Contou com “times de apoio” formados por professores, diretores e especialistas das disciplinas que passavam por um rigoroso processo de seleção e eram respeitados pelas equipes das escolas. Atuavam diretamente na ponta, em cada escola, o que foi o fator chave de sucesso para a real implantação da reforma.

 

Contrariamente, no Brasil as reformas traçadas nunca são concretizadas. De acordo com o artigo publicado na série “Destino: Educação – Diferentes países, diferentes respostas”, por Maria Helena Guimarães de Castro:

 

“O primeiro plano nacional de educação brasileiro entrou em vigor em 2001, com duração de 10 anos. Entre as metas do plano estava a erradicação do analfabetismo, a redução em 50% da repetência e do abandono escolar e a implantação do piso salarial e do plano de carreira para o magistério. Nenhum desses objetivos foi integralmente cumprido”. ( Série “Destino: Educação – Diferentes países, diferentes respostas”, 2011, p. 122. )

 É o que acontece sempre no Brasil. São criados planos de reforma, mas essas nunca são concretizadas, pois as mudanças não são acompanhadas de perto como no Canadá. Como se escrever um plano de reforma fosse capaz por si só de garantir que as mudanças sejam implementadas. É preciso também estabelecer ações práticas que façam com que o objetivo seja cumprido, não somente traçar diretrizes, que escritas no papel não resolverão nada.

 

As leis no Brasil são muito abstratas. São estabelecidos objetivos altamente justos, utópicos, inalcançáveis, mas que sem estabelecer os meios de como atingi-los nunca serão de fato implementados.


A reforma deve ser acompanhada de perto, na ponta, como se fez no Canadá. Com a separação de equipes bem selecionadas e incentivadas para ajudar a aplicar as mudanças em cada escola. Com a capacitação de diretores e professores.

 

A profissão docente no Brasil precisa ser valorizada para atrair os jovens mais qualificados a ingressar na carreira.

 

Em contrapartida, com a valorização da profissão, e o desejo de muitos jovens de consegui-la, o processo de seleção para ingresso na profissão pode ser mais seletivo para garantir que os futuros professores sejam realmente qualificados.

 

Deve haver avaliação de desempenho constante e capacitação contínua, avaliação das aulas dos professores por diretores bem capacitados e órgãos de ensino superiores. A avaliação de desempenho deve servir para que os professores com bom desempenho obtenham bônus salariais e aqueles com desempenho insatisfatório sejam re-capacitados e se o seu desempenho continuar ruim por três vezes que perca o cargo.

 

Deduz-se a partir da série “Destino: Educação – Diferentes países, diferentes respostas”,que o comportamento dos alunos nas escolas é influenciado por fatores históricos, a exemplo do que ocorre na Coréia do Sul e na China. São países onde os alunos respeitam seus professores, os consideram como adultos significativos em suas vidas e a educação e o conhecimento são valorizados por tradição. E no Chile, onde os professores e visitantes são recebidos de pé e em silêncio pelos adolescentes na sala de aula. Diferente da atitude agressiva entre alunos e docentes brasileiros, onde às vezes ocorre até crimes nas escolas, de alunos contra professores.

 

Os professores encontram muita dificuldade em lecionar, devido à indisciplina dos alunos em sala de aula, onde é visto culturalmente, como bonito, por outros alunos, o fato de algum aluno desobedecer e debochar de seu professor.

 

Esse tipo de comportamento e cultura dificulta o processo de educação brasileira. E os professores, que já recebem baixos salários, ficam desmotivados com esse mau comportamento dos alunos e com a dificuldade em dar aula.

 

Os alunos indisciplinados somente obedecem aos seus professores pelo temor. O professor tem que impor respeito, pois o mau aluno debocha do professor que não tem autoridade para organizar a sala de aula.

 

Infelizmente, a maior parte dos alunos, só estuda por necessidade e não porque gosta. Quando tem a necessidade de conseguir nota nas provas, no caso. O processo de leitura ajudaria na educação brasileira, no fator de alfabetização, como compreensão de textos, melhora no vocabulário, indução do pensamento reflexivo e espírito crítico, melhora em redação e também no fator cultural de conscientização e educação.

 

A ferramenta de ficha de leitura, utilizada em algumas escolas, funciona. É um método em que o aluno tem um prazo para ler algum livro, apropriado para a sua idade, e depois faz uma avaliação do que leu, para medir se realmente o aluno entendeu o que estava lendo, valendo nota.

 

Deveria ser obrigatória, a ficha de leitura em todas as escolas, não esporadicamente, como ocorre, mas pelo menos, uma vez por mês, valendo quase a metade dos pontos totais do bimestre, pois a leitura é ferramenta muito importante e influente no aprendizado, alcançando melhores resultados do que as provas que tendem a memorização. A leitura deve ser incentivada e fomentada.

 

Os alunos devem ser conscientizados da necessidade do estudo, que não tem a finalidade de satisfazer aos interesses dos professores, que muitas vezes são vistos como oponentes dos alunos, mas pelo interesse deles mesmos, que futuramente poderão encontrar dificuldades ao tentar ingressar no ensino superior, principalmente em universidades federais, mas só quando chegam a esse momento que percebem isso.

 

Também é necessário que se inclua disciplinas de Filosofia, Ética, princípios básicos de Direito Constitucional, no ensino Básico e Fundamental, para que as crianças e adolescentes já tenham desde novas uma boa percepção da realidade e o conhecimento de que podem exercer a cidadania ativa e mudar os rumos do país, participando ativamente das decisões na gestão pública.

A sociedade de antigamente e mesmo a de hoje é alienada. Não tem uma boa base de percepção da realidade, tanto ética, quanto filosófica, como política. O Brasil só irá mudar, quando mudarem as pessoas que residem nele. O nível de alfabetização aumentou nos últimos anos, mas mesmo assim a Educação ainda se encontra bem defasada. Estudantes dos últimos períodos de Direito tem uma mínima consciência política e participativa. Mas isso deveria ter todas as pessoas desde a Educação Básica, e não uma consciência mínima, mas relevante, para que todos possam mudar os rumos da política de nosso país.

O Governo ainda não está atento a isso, principalmente na situação que estamos atualmente, que é a de corte de gastos. Mas quando a Reforma Educacional for iniciada, deve ser bem implementada e fiscalizada para que efetivamente aconteça. As equipe encarregadas de implantar a reforma devem trabalhar na ponta, em cada escola, para garantir a efetividade desta. Os professores devem ser melhores qualificados, para isso devem ser bem remunerados para que a profissão atraia os jovens mais preparados. Devem ter seu desempenho avaliado periodicamente, para se evitar a má qualidade escolar.

Esperemos que o Governo realmente reforme a Educação e com efetividade. Para isso todos nós podemos cobrar, sermos participativos na política, participar de reuniões deliberativas, protestar, publicar artigos, etc. A cidadania deve ser exercida ativamente e todos desde a Educação Fundamental devem ter consciência de seus direitos e de sua participação na sociedade.

 

 

 

 

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