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Resumo:
Uma análise do que seja a pedagogia e suas atuais perspectivas.
Texto enviado ao JurisWay em 16/04/2015.
Última edição/atualização em 20/04/2015.
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1 A concepção atual de Didática
Para Gonçalves e Clemente (2014), atualmente, a didática, como área de conhecimento da Pedagogia, constitui-se em um campo teórico-prático que ajuda o professor a compreender a complexidade do cotidiano docente e, principalmente, a refletir a respeito da sua prática, subsidiando a (re)construção desta.
A maneira como se ensina, se organiza uma aula e se interage com os alunos e com o conhecimento, bem como a concepção que se tem ou se terá com relação ao significado social da profissão docente professor são objetos de reflexão da atual didática.
Basicamente, hoje em dia, a didática tem como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sociopolíticas e pedagógicas e as condições e meios formativos. Assim, nos dias atuais, a didática reflete e busca alternativas para as dificuldades educacionais.
2. Tendências pedagógicas/modelos de Didática
Tendência Tradicional : é uma concepção de educação em que prevalece a ação de agentes externos na formação do aluno, a transmissão do saber constituído na tradição e nas grandes verdades acumuladas pela humanidade e uma concepção de ensino como impressão de imagens propiciadas concomitantemente pela palavra do professor e pela observação sensorial. Tal tendência surgiu com a chegada dos Jesuítas ao Brasil Colônia e foi conservada ao longo da história educacional.
Nessa tendência, a escola tende a igualar o processo de introdução de valores e práticas para fortalecer os laços sociais, promover a coesão social, incrementar a divisão do trabalho social, conformar os indivíduos aos padrões da estrutura social. Nesse rumo, as ações de ensino estão centradas na exposição do conhecimento pelo professor. Essa tendência enxerga a didática como disciplina normativa, com um conjunto de princípios e regras que regulam o ensino.
Para essa tendência o meio principal de transmissão do conhecimento é a exposição oral. Os alunos fazem exercícios repetitivos e são recebedores da matéria. Além do que, o professor tende a encaixar os alunos num modelo ideal de homem. Quanto ao ensino prático, o material concreto é mostrado, mas o aluno não lida mentalmente com ele, não repensa, não reelabora seu próprio pensamento. Vige, basicamente a memorização.
Tendência Tecnicista: surgiu entre 1950 e 196o e foi imposta às escolas brasileiras pelos organismos oficiais ao longo de boa parte das duas últimas décadas, por ser compatível com a orientação econômica, política e ideológica do regime militar então vigente. Alberga uma didática instrumental interessada na racionalização do ensino, no uso de meios e técnicas mais eficazes. O arranjo mais simplificado dessa sequência resultou na fórmula: objetivos, conteúdos, estratégias e avaliação.
Quanto ao ensino, o professor é o administrador e executor do planejamento, o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos. Nessa época, a maioria dos livros didáticos utilizados nas escolas é elaborada com base na tecnologia da instrução.
Tendência Renovada : surge a partir do fim do século XIX e busca, basicamente, a valorização da criança, dotada de liberdade, iniciativa e interesses próprios, sujeito de sua aprendizagem. Além do que, reivindica tratamento científico do processo educacional, considerando as etapas sucessivas do desenvolvimento biológico e psicológico, respeitando as capacidades e aptidões individuais; e individualização do ensino conforme os ritmos próprios de aprendizagem.
Essa tendência assume um princípio norteador de valorização do indivíduo como ser livre, ativo e social. Para tal, o centro da atividade escolar não é o professor nem os conteúdos disciplinares, mas sim o aluno, como ser ativo e curioso. Por isso, é entendida como "direção da aprendizagem", considerando o aluno como sujeito da aprendizagem.
O que o professor tem de fazer, para essa tendência, é colocar o aluno em condições propícias para que (partindo de suas necessidades e particularidades) possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências. Ou seja, o professor incentiva, orienta, organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades e características individuais dos alunos.
Tal tendência oferta importância aos métodos e técnicas como o trabalho em grupo, atividades cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações. O professor ajuda o aluno a aprender. Portanto, o centro da atividade escolar não é o professor nem a matéria, é o aluno ativo e investigador.
Tendência Libertadora: tem sido empregada com muito êxito em vários setores dos movimentos sociais, como sindicatos, associações de bairro, comunidades religiosas. Por isso, é muito utilizada com adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate sobre a problemática econômica, social e política pode ser aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses populares.
Em relação à escola fundamental, não foi organizada uma orientação pedagógico-didática. Basicamente, não há uma Didática explícita. O professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos.
O ensino está centrado na realidade social, em que o professor e os alunos analisam problemas e realidades do meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades. Nesse processo em que se realiza a discussão, os relatos de experiências vividas, a pesquisa participante, o trabalho em grupo, vão surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito e consolidação de conhecimentos.
É uma didática que busca desenvolver o processo educativo no interior dos grupos sociais e, por isso, o professor é o coordenador ou animador das atividades que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos.
Tendência Crítico-Social dos Conteúdos: segundo essa tendência, o que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências socioculturais e a vida concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos.
O ensino significa a tarefa de proporcionar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, mediante a transmissão e assimilação ativa dos conhecimentos. O objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações com a aprendizagem. Além do que, a didática tem como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sociopolíticas e pedagógicas e as condições e meios formativos. Portanto, é uma didática que reflete e busca alternativas para as dificuldades educacionais.
3. A Tendência/concepção atual de Didática mais utilizada
Após a compreensão de todas as fases por que passou a didática, parece indubitável que, hodiernamente, este campo do saber represente a área da pedagogia responsável por estudar o processo de ensino e a aprendizagem dos alunos aprendentes de determinada área.
Nesse rumo, atualmente a didática tem como escopo, basicamente, orientar os professores à produção de uma aprendizagem voltada para a formação de cidadãos conscientes politicamente falando e capazes de racionar, pensar e intervir na realidade social, seja ativamente, por meio da reivindicação de direitos, seja passivamente, por meio do exercício de um trabalho de execução de alguma incumbência prática-social, como uma profissão por exemplo.
4. Contribuição da atual concepção de Didática para a prática do professor
Basicamente, sabendo que, atualmente, didática é a forma como o professor exala ao aluno o conteúdo ensinável, relacionando-o com os aspectos socioculturais desse aluno aprendente, bem como, lembrando que o objeto da didática é o processo de ensino e a aprendizagem, várias são as contribuições desta área da pedagogia para a prática docente.
Como exemplo, podemos remorar as ideias do filósofo do século XVI João Amós Comênio, e dizer que a didática oferece ao professor: a) possibilidade de organizar a forma como será ensinado o conteúdo e o que será ensinado; b) factibilidade de mostrar ao aluno as aplicações práticas do que lhe é ensinado; c) possibilidade de normatizar e controlar o lapso de ensino, garantindo que tudo será ensinado em seu devido tempo, para, assim, auferir-se a compreensão dos princípios gerais e das especialidades de determinado assunto; d) possibilidade de respeitar as diferenças entre as culturas, os assuntos e os alunos e suas histórias de vida, adequando, desse modo, a forma de ensino.
Referências
GONÇALVES, Juliana Brassolatti; CLEMENTE, César. Metodologia do ensino de matemática /Batatais, SP : Claretiano, 2014. 154 p.
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