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O QUE PROMOVE A GENEALOGIA DA MORAL DE FREDRICH NIETZSCHE


Autoria:

Cristiano Gomes Feitosa


Cristiano G. feitosa, Inspetor da Polícia Civil do Ceará; concludente do curso de Direito - 2013.I - da Faculdade Paraíso do Ceará - FAP CE.

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Resumo:

Propomos analisar a polêmica obra, A Genealogia da Moral, de F. W. Nietzsche, tecendo uma crítica à moral existente no meio social, de sua época buscando origem dos princípios morais da tradição na sociedade.

Texto enviado ao JurisWay em 09/05/2013.

Última edição/atualização em 13/05/2013.



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Autor: Cristiano Gomes Feitosa [1]

Co-autor: Gislane Maria dos Santos

Co-autor: Leonardo Magalhães Gino

 

RESUMO

O artigo ora em comento propõe analisar a polêmica obra, A Genealogia da Moral, de F. W. Nietzsche, que tece uma crítica à moral existente no meio social partindo do estudo da origem dos princípios morais da sociedade em sua época. O termo genealogia significa o estuda da origem, da gênese das coisas, investigando o cerne e o nascimento do que se investiga. Desta forma, com base nesta explicação apresentada, entendemos uma investigação sobre as origens disso que a tradição filosófica chama de moral, vindo a demonstrar aquilo que a promova. A moral, tradicionalmente, é vista na filosofia como princípios dos costumes e deveres do homem em grupo, e é justamente o que o livro busca investigar dentro do contexto histórico do qual surgiu e as modificações que sofrera ao longo do tempo. O texto traz como principais pontos a moral, o ascetismo, a vontade, a vingança e transvaloração e notas sobre psicologia da consciência moral, pois Para Nietzsche, bem e mal, bom e mau surge por influencia de interesses de classes, estas, claro, do poder dominante. 

Palavras-chave: Genealogia da moral, Má consciência e Asceticismo. 

Sumário: 1 Primeiro tratado. 2 Segundo tratado. 3 Terceiro Tratado. Conclusão. Referências.  

INTRODUÇÃO

O livro instiga a Investigação, histórica da evolução dos conceitos morais nas sociedades buscando revelando todo o existente, vendo que o homem nada mais é do que um ser instintivo, negando a superioridade. O cerne do método é explicar tudo pelo seu contrário, mostrando a real verdade pela genealogia dos conceitos e à etimologia das palavras conhecendo a história de sua evolução como forma de penetrar na fonte de onde brotam a moral e os valores sociais. Nietzsche é contra todo tipo de razão lógica e científica por isso faz crítica à razão especulativa e a toda a cultura ocidental seja na religião, na moral, na filosofia, na ciência ou na arte.

1 PRIMEIRO TRATADO

No primeiro tratado, Nietzsche busca as raízes etimológicas dos conceitos de bom e mau em várias línguas, e imagina o contexto em que surgiram. As palavras bom e mau expõem uma psicologia do cristianismo, onde é realizada uma análise do surgimento do espírito de ressentimento contra dos valores naturais e nobres. Afirma que seriam primeiramente características próprias da nobreza, que as classes inferiores tentariam copiar, e, com o advento do cristianismo, que prega que o bom é aquilo que é pobre, simples e sem força, esta moral teria se invertido. Tal análise é um primeiro passo para a transvaloração de todos os valores.

Como bem explana Nietzsche (2007, p.25):

Para mim é evidente em primeiro lugar que essa teoria procura e fixa a origem de emergência do conceito “bom” num lugar em que não está: o juízo “bom” não emana daqueles a quem se prodigalizou a “bondade”. Foram os próprios “bons”, os homens nobres, os poderosos, aqueles que ocupam uma posição de destaque e tem a alma enlevada que julgaram e fixaram a si e a seu agir como “bom”, ou seja, “de primeira ordem”, em oposição a tudo o que é baixo, mesquinho, comum e plebeu”.

Desta feita, paralelamente a tudo que é baixo, mesquinho, comum e plebeu está no conceito de mau.

O vocábulo bom e mau expõem uma psicologia do cristianismo, onde é realizada uma análise do surgimento do espírito de ressentimento contra dos valores naturais e nobres da sociedade. Essa conceito de ‘bom’ e do ‘mau’, nasce da oposição da divisão das classes sociais, nasce do pensamento de que o homem é um ser dominante por natureza onde vive, estando intrínseco seus instinto de dominação que a genealogia da moral encontrou sua real expressão.

Nietzsche analisa morfologicamente a palavra alemã schlecht (mau), descobrindo que esta palavra é idêntica à schlicht (simples). Daí, ele chega ao schlichtsweg (simplesmente) e schlechterding (absolutamente), o que traz, desde suas origens, a função de designar o homem simples, plebeu. continuando sua análise da estrutura das palavras, Nietzsche, espelhando-se no latim, faz uma outra analogia com a palavra malus, relacionada com melas (negro) e usada para designar o homem plebeu, de cor morena e de cabelos pretos (hic niger est). O “bom”, o “nobre”, o “puro” é o de cabelos loiros.

Essas análises sempre em busca de provar que as palavras nascem dentro das circunstâncias da realidade histórico-social da época. O que nos revela que a classe dominante acabou associando a classe plebeia ao conceito daquilo que é mau, em oposição a classe da nobre, o que o leva a entender que os homens privilegiados estão na nobreza e, sendo esta quem promove o conceito de bom. Esta é a à visão de que estes conceitos foram ensinados ao povo por sua utilidade, e afirma que surgiram pela influência de povos dominadores sobre povos dominados, os nobres sobre os plebeus.

Diante deste primeiro tratado, verificamos a oposição dos valores infinita, e que Nietzsche nos desperta a refletir (2007, p.51): “Aquele que nesse ponto começar a refletir, como fazem decerto meus leitores, dificilmente acharam saída, o que é também para mim razão suficiente para concluir este capítulo, porque creio que se terá adivinhado o que entendo por essa perigosa palavra de ordem, talhada sob medida para meu último livro: Além do bem e do mal...”.

As questões levantadas pelos os psicólogos ingleses, não levam a nada, não trazem a origem do bem e do mal, principalmente na sua origem, na sua história, importando na psicologia nietzschiana, a busca da verdade de uma forma imparcial, investigativo na construção de uma verdadeira história da Moral na sociedade.

2 SEGUNDO TRATADO

Neste segundo tratado, a culpa, má consciência encontra-se uma psicologia da consciência que consiste em não possuir dívidas com os deuses, o que seria uma segunda inocência. Nietzsche busca a raiz também histórica do pecado, daquilo que é ou não é permitido ou aceitável na sociedade perante a bíblia e afirma que a figura do Deus de todas as sociedades primitivas se baseava em uma figura histórica que teria fundado tal sociedade e que as gerações posteriores deveriam agradecê-lo sempre em forma de rituais e sacrifícios, e daí teria surgido o sentimento de falta para com o deus fundador, a má consciência advém também deste sentimento de falta.

A má consciência é, pois, a consciência da culpa. Dando a entendera conceituação de culpa tem sua origem na dívida, e que essa dívida, até Hoje, origina-se continua a dizer respeito à dívida. Exemplificamos: se alguém que se sinta culpado, ela está em dívida com alguma coisa; logo existe uma referência à consciência da obrigação, da reparação desta dívida, que será cobrada.

Assim, é que o autor mostra que o credor tinha o direito de “descontar” quanto achava que valesse a sua dívida no devedor. Pelo menos tinha uma satisfação, tinha uma consciência daquela dívida, o que Nietzsche entendia como uma satisfação íntima, o que fazia um abrandamento, uma melhor satisfação ao credor. A figura do credor e devedor, afirmando que o credor tinha nas mãos inclusive a própria vida do devedor, podendo agir com ele da forma como bem entendesse. O sentimento de falta e má consciência, portanto, sempre foi próprio dos pobres e fracos que estavam nas mãos dos credores, dos mais fortes.

Muita vezes essas dívidas eram pagas com o mal para satisfazer, com violência, pelo castigo, o direito do devedor, como descreve corajosamente o festejado filósofo Nietzsche (2007, p.63):

... concedendo ao credor certa satisfação a título de compensação e pagamento, a satisfação de exercer impunemente seu poder com relação a um ser privado de poder, o deleite de fazer o mal pelo gosto de fazê-lo,... Pelo castigo de seu devedor, o credor participa do direito dos amos... É nessa esfera, no direito das obrigações, portanto, que se encontra a origem, no mundo dos conceitos morais, de “falta”, de “consciência”, de “dever”, de “caráter sagrado do dever” – seu início foi, como o começo de tudo o que há de grande na terra, fundamental e longamente banhado de sangue”.

Na visão crítica do autor ao cristianismo, ele diz ter esta lógica se subvertido, porque deus se sacrifica em sua própria honra, em carne e espírito em agradecimento e pagamento da própria dívida com a morte, como Cristo, a dívida dos pobres foi paga pelo sacrifício de cristo pelos pobres, o autor não fala pela humanidade, já que cristo pregava a humildade e estava entre os pobres.

3 TERCEIRO TRATADO

No terceiro e último tratado, o mais extenso, Nietzsche analisa os ideais de ascese e o que estes significariam. A ascese é o exercício prático que nos leva à realização da virtude da plenitude da vida moral. Sem deixar de lado o ponto de vista histórico da própria sociedade em que vivia, a Europa do século XIX, os ideais de pureza e castidade, a espiritualidade superior que caracterizaram os monges e sacerdotes.

O autor inicia fazendo uma analise do porquê de o compositor Richard Wagner ter os ideais de um asceta, já que não tem nada a ver com arte? Para Nietzsche, a arte é mentira e se orgulha de sê-lo, é uma invenção, uma criação que não tem um fim definido, e não segue um ideário próprio, o que torna a arte uma antítese da ascese, que tem como base e como fim um ideal seja ele religioso ou de verdade, buscando na filosofia e nas ciências. A origem dos ascetas está na necessidade das classes inferiores de moverem seu ressentimento para um fim, surgindo a figura do sacerdote, que dirige todos estes baixos sentimentos da população para uma causa além do terreno e do palpável, para o divino, amenizando o sofrimento das pessoas. Afirma ainda que, longe da ciência e da filosofia serem as contra-partidárias deste ideal, são elas sim a afirmação atual mais fiel destes ideais, pois também filosofia e ciência se baseiam em teorias e dogmas, estão também comprometidas com a verdade e seus “sacerdotes” buscam a origem do sofrimento em causas que não são diretamente relacionadas com a vida real, assim como os sacerdotes ascetas, que professam que a vida não é um fim em si mesmo, porém apenas um meio para se chegar a uma outra vida que estaria no além da vida terrena.

Como transcrevemos o dizer de Nietzsche (2007, p.153/154):

Era até hoje o único sentido, um sentido qualquer vale mais que nenhum sentido; com relação a tudo, o ideal ascético era por excelência o “mal menor” que se oferecia até o presente”.

E ainda, como bem explanou Alabarce (2009),

Traduzamos isso: Contra a falta de sentido, contra a falta de certeza, contra a natureza da mudança, presente na vida, nasce o asceticismo, dando um sentido ao “por quê” do sofrimento, retirando do homem o perigo do niilismo. Entretanto, as conseqüências são bem piores do que se imaginava, criou-se um homem ressentido em relação à vida... Poderia parecer melo-dramático, mas podemos usar até a palavra mágoa neste contexto. Esta mágoa, porém, é reativa, pois se trata de estar magoado profundamente com a vida, de tal maneira que a ação do homem agora converge para nega-la, e, tendo reagido assim, construir todo um ideal pós-morte, onde exista uma outra vida, mais digna, mais aceitável e sem... Sofrimento!”

 

Na história da Humanidade, o espírito de vingança é determinante de diversas atitudes do homem. E nessa vingança voltada sobre os plebeus, inverteram-se as premissas, os valores; antes o bom era o nobre; agora o bom é o comum. O chama-se de transvaloração, que é um processo operado através de vingança, por sacerdotes. Num comportamento marcado pelo asceticismo. Daí ser chamado de ideal ascético o local para onde é convertida a impossibilidade, o ressentimento diante da vontade de poder/eterno retorno, sendo uma nova valoração, agora uma moral de escravos, não mais uma moral nobre.

O sacerdote ascético é caracterizado como aquele que altera e conduz o rumo do ressentimento. Assim, o ressentido é manipulado pelo sacerdote a acreditar que ele é o único culpado do seu ressentimento. Fazendo com que o sacerdote conserve a vida evitando uma comoção entre os indivíduos. O ressentimento e espírito vingança acabam se transformando numa vigilância resultante no que seria justo aos ascéticos.

 

CONCLUSÃO

Concluímos entendendo que Nietzsche afirma que os filósofos, compartilham do ressentimento típico do sacerdote e, se desconsiderarmos o ideal ascético, o animal homem, não teve até agora sentido. Sua existência sobre a terra não possuía finalidade. Com isso vai se perdendo o sentido da vida, a finalidade das coisas, é o que o gênio provocativo de Nietzsche traz a baila para nos aprofundar nesse conhecimento.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ALABARCE, Daniel. Diário filosófico: Atitude Crítica para Transvaloração. 2009. por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar no Orkut.

NIETZSCHE, Fredrich. Col. Grandes Obras do Pensmento Universal. 2007. Nº20 – Ed. Escala. SP-SP.

[1] Graduandos do curso de Direito da Faculdade Paraíso – FAP, 10 (décimo) semestre, turno noturno.

 

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