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FALCÃO – MENINOS DO TRÁFICO
Laiane Santos de Almeida*
Soraia Nascimento
RESUMO
A obra trata do relato pessoal de MV Bill e Celso Athayde sobre os bastidores de um documentário de mesmo nome, que mostra a vida de meninos que trabalham no tráfico de drogas em favelas de várias partes do Brasil. Os autores narram, sempre em primeira pessoa, experiências que viveram antes e durante a produção do documentário. Ao longo do trabalho, Bill e Celso tratam de temas polêmicos como segurança pública, repressão policial, racismo e a importância do Hip Hop para os jovens que vivem na favela.
PALAVRAS-CHAVE: meninos; drogas; racismo; favela; hip hop.
1 – INTRODUÇÃO
Durante seis anos, MV Bill e Celso Athayde colheram depoimentos e gravaram cenas chocantes de dezessete jovens de favelas brasileiras que trabalham no tráfico de drogas. Até o final das gravações do documentário, apenas um dos dezessete meninos entrevistados estava vivo. Quatorze deles foram mortos em apenas três meses, vítimas da violência própria do ambiente em que viviam.
O livro tem o mesmo nome do documentário, e pretende mostrar o lado humano dessas crianças e adolescentes, seus sonhos, razões, angústias, maldades, loucuras e contradições. O objetivo de Falcão é conscientizar a população acerca da realidade dos jovens que vivem nas favelas brasileiras, e não, conforme dizem os autores, apresentar soluções para a criminalidade.
Contudo, a obra abriu uma discussão para a questão da segurança pública e é uma importante ferramenta para quem quer entender o problema da violência no Brasil. Para Celso Athayde:
O Falcão não é um caso de polícia, não é uma denúncia, não é uma lamentação. Falcão é, sobretudo, uma chance que o Brasil vai ter para refletir sobre uma questão do ponto de vista de quem é o culpado e a vítima. Falcão é uma convocação para que a ordem das coisas seja definitivamente mudada (Celso Athayde, 2006).
2 – FALCÃO
O nome da obra é Falcão em razão do termo ser utilizado nas favelas para designar aquele que deve vigiar e informar quando algum grupo rival ou a polícia se aproximam. “Falcão não dorme, ele só descansa”, declarou um dos falcões.
O que se nota ao longo da obra é que o tráfico de drogas influencia muito na vida dos jovens que vivem na favela, e convivem com esse ambiente hostil, além disso, a obra mostra que por trás do “bandido” existem pessoas que têm sonhos e bons sentimentos impedidos de ultrapassar seu íntimo, em razão da necessidade de muitos garotos de trabalharem no mundo das drogas para poder sustentar sua família.
Esse é um depoimento do único dos garotos que sobreviveu: "Eu queria é ser palhaço. É meu sonho desde pequeninho. Se conseguisse entrar em uma escola de circo, saía da boca agora". Um outro garoto disse o seguinte: "Isso aqui destrói a vida do homem. Destrói o cara que ele não vira nada. Mas é dele que nós ganha dinheiro". Num depoimento sobre as mães, um falcão disse: "Eu trafico pela minha mãe. Minha mãe fez tudo por mim, agora tenho que fazer alguma coisa por ela".
Porém, não é só a pobreza que leva os jovens ao mundo das drogas, mas também a degradação que o instituto da família vem sofrendo ultimamente. Relatou um adolescente: "Não conheci meu pai, não sei se tá vivo ou se tá morto. Tenho 17 anos e, até hoje, nunca tive um aniversário. Ninguém fez um aniversário pra mim".
3 – CONCLUSÃO
A obra apresenta uma viagem ao devastador mundo da marginalidade e das drogas. Ao associar suas memórias aos relatos, os autores demonstram que conhecem bem a situação em que se encontram esses jovens, e se tornam as pessoas certas para explicar sobre esse mundo que todos precisam entender, uma vez que todos os cidadãos são responsáveis por essa situação.
O Brasil só será, verdadeiramente, um Estado Democrático de Direito, um país humano quando essa matança acabar e quando conseguir implantar programas sociais voltados a garantia da dignidade da pessoa humana, como prevê a Constituição Federal, especialmente no tocante as crianças e adolescentes, para que seja atendida a proteção integral prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Que a realidade narrada pela obra de MV Bill e Celso Athayde possa alcançar uma parte do país onde ainda exista indignação, solidariedade e responsabilidade, afim de fazer valer os direitos dispostos na Constituição Brasileira e no Estatuto da Criança e do Adolescente.
REFERÊNCIAS
ATHAYDE, Celso; MV Bill. Falcão – Meninos do Tráfico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.
Falcão – Meninos do Tráfico. Disponível em:
%A3o_-_Meninos_do_Tr%c3%A1fico. Acesso em 08 nov. 2009.
Falcão – Meninos do Tráfico. Disponível em:
*Estudantes do curso de Direito da Faculdade AGES.
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