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"1984"


Autoria:

Osvaldina Karine Santana Borges

Resumo:

A produção trata-se de uma resenha sobre o livro "1984" do brilhante autor George Orwell.

Texto enviado ao JurisWay em 16/04/2011.

Última edição/atualização em 18/04/2011.



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ORWELL, George. 1984. Tradução de Wilson Velloso. São Paulo: Editora Nacional, 1996. 23ª edição.

 

*Osvaldina Karine Santana Borges

 

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu e 1903, em Bengala, na Índia, filho de um funcionário britânico e uma francesa. Em 1911 retorna com seus pais à Inglaterra e passa a estudar em um internato. De 1917 a 1921, estuda no Eton College, uma das mais tradicionais escolas inglesas, onde tem aulas com o escritor Aldous Huxley. Em 1922, recusa uma bolsa para a universidade e volta à Índia para trabalhar na polícia imperial durante cinco anos de formação na Birmânia. Retorna à Inglaterra em 1928, época essa em que passa por necessidades, chegando à mendicância. Em 1933, publica seu primeiro livro, ”Na Pior em Paris e Londres”. Em 1936, convencido dos ideais socialistas, foi para a Espanha e alistou-se na Brigada Internacional em apoio ao recém-eleito governo popular. Tal experiência resultou no segundo livro “Lutando na Espanha”, de 1938. Durante a II Guerra Mundial, na condição de jornalista, trabalhou como correspondente de guerra para a BBC de Londres. Em 1945 publicou “A revolução dos bichos”, uma sátira swiftiana sobre a Rússia stalinista, reconhecida até hoje como sua obra mais popular. Um livro, também muito conhecido que foi por ele escrito é o que ora é objeto desse trabalho, que tem como título “1984” e foi criado em 1949, trata-se de uma sátira pessimista sobre a ameaça de tirania política no futuro. Além dessas obras, também escreveu “Dias na Birmânia”, em 1934, “O Caminho de Wigan”, em 1937, “Por Que Escrevo”, em 1946, dentre outras. Também foi o criador de artigos e ensaios. George morreu em 1950 na Inglaterra, vítima de tuberculose.

A obra em análise conta a história de Winston Smith, inspirada na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40. Ele é membro do partido externo e trabalha no Ministério da Verdade, alterando dados de acordo com o interesse do partido, visto que esse ditava a verdade que deveria ser seguida por todos. Todos deveriam venerar o ditador que se auto-intitulava “O Grande Irmão”, ele tolhia toda e qualquer forma de liberdade, mas, percebe-se que as mais reprimidas eram as liberdades de imprensa e pensamento, essa, pela denominada polícia do pensamento. Na tentativa de fugir dessa situação, Smith, fazia suas anotações em um caderno que havia comprado clandestinamente.

Como já salientado o livro 1984 é um trabalho no qual o seu autor conta com uma riqueza de detalhes, práticas cometidas por tiranos no futuro. Passa-se em Londres, na cidade principal da Pista Nº 1, terceira entre as mais populosas províncias da Oceania. Lá existiam quatro torres gigantescas que podiam ser vistas de qualquer ponto da cidade, essas torres serviam de base para os quatro Ministérios que tinham o papel de manter o poder da forma tirânica que ele se encontrava, sob o nome de partido INGSOC e tinham como lema “Guerra é Paz. Liberdade é Escravidão. Ignorância é Força”. Havia o Ministério da verdade, que se ocupava das notícias, diversões, instrução e belas artes; o Ministério da Paz, que se ocupava da guerra; o Ministério do Amor, que mantinha a lei e a ordem; e, o Ministério da Fartura que cuidava das atividades econômicas.

Winston, assim como todos os que lá viviam, trabalhava para manter as coisas inalteráveis, veneravam O Grande Irmão (Big Brother), participavam de momentos como os dois minutos do ódio, no qual, parte do dia escutavam o Grande Irmão falar das suas conquistas e do ódio que deveriam ter por seus inimigos, tomando como verdade, colocavam em prática tudo o que ele dizia. A grande quantidade de propagandas do partido permitia que ele controlasse o presente, passado e futuro de todos. Era impossível manifestar-se com tanta vigilância, tolhiam de forma veemente qualquer pessoa que sequer imaginasse em mudar algo e o passado cada vez mais se distanciava dos pensamentos de todos, que só lembravam-se do que o partido lhes dizia.  Em cada cubículo que era chamado de apartamento, em que eles viviam, tinham uma teletela, utilizada para vigiar todos que na cidade viviam e de forma opressora coibir toda e qualquer manifestação contra o governo atual, como dito, não era permitido falar, ou ao menos pensar em algo que não fosse ditado pelo grande cabeça do partido.

Para desempenhar seu trabalho, Smith, alterava a realidade de acordo com o que O Grande Irmão ditava e jogava no incinerador, chamado de buraco da memória, o que antes era tido como verdade. O próprio Smith tomava para si aquela nova realidade e era como se antes nado houvesse existido aquele respeito. Mas, com o tempo ele começou a perceber essa verdadeira realidade, que tudo não passava de uma invenção, e, de forma clandestina adquiriu um caderno, passando a partir daí, a anotar todos os dias tudo que passava pela sua cabeça, cometendo então, crimidéia, na novilíngua significava crime de ideia. Tal crime era tido como um dos piores, e quando descoberto era punido severamente, as pessoas que o cometiam simplesmente evaporavam.

Em uma ida ao antiquário, que Winston frequentava a fim de comprar seus objetos proibidos pelo governo, encontrou uma mulher que pensava ser uma espiã da polícia do pensamento, mas, descobriu que ela possuía interesse nele e acabaram se relacionando as escondidas, pois, as normas do partido só permitiam que seus membros se comunicassem a respeito de trabalho. Para manter o romance com essa mulher que tinha por nome Júlia, ele alugou um quarto no antiquário que não tinha teletela e com ela compartilhou seus sentimentos e indignações.

Um membro do partido interno, O’Brien procura Smith, esse juntamente com Júlia vai até o seu apartamento, lá ele desliga a sua teletela, pois tais membros possuíam regalias , inclusive a de desligá-latela por alguns minutos. Percebe Smith, que juntamente a ele O’Brien também não aceita a situação como ela se encontra, tendo uma veia revolucionária bobeando sangue para todo o seu corpo. Pouco tempo depois o membro do partido interno lhe manda um livro, que para todos era estritamente proibida a leitura, ele o lê de forma voraz, mas, havia uma teletela por traz de um quadro do quarto que pensavam estar a salvo dos olhos e ouvidos do grande Irmão e de repente guardas invadiram o quarto e levaram Júlia e Smith. Provavelmente foram presos em celas no Ministério do Amor. Ao encontrar O’Brien ele fala que já foi pego a muito tempo e assim Winston percebe que havia sido enganado, pois aquele não passava de um espião.

Winston é conduzido a uma sala, onde O’Brien o tortura, questionando o que estava escrito no diário daquele e enfatizando que a verdade pertence ao partido, já que ele controla a memória,  e será tudo que ele bem quiser. De tanto ser torturado e drogado, Smith percebeu que já estava aceitando o que a ele estava sendo imposto, estava passando pela fase de adaptação que era aprender, entender e aceitar a verdade que o partido assim desejar. Mas, ainda faltava a ultima fase de adaptação que era a passagem pelo quarto 101, segundo o que o torturava, o pior lugar do mundo. Nesse quarto, a pessoa passa pelo seu maior medo, visto que, o medo que o assombrava era o de roedores, colocaram em seu rosto, uma máscara com uma abertura para uma gaiola cheia de ratos famintos separada apenas por uma portinhola. Torturando-o até que amasse O Grande Irmão acima de tudo e todos e renegasse o perigo ao partido.

Winston e Júlia escapam do quarto 101, mas não são mais as mesmas pessoas, finalmente amavam O Grande Irmão. Estavam completamente adaptados ao sistema, não conseguiram liberta-se dessa tirania, na qual, quem tem o poder exerce sobre todos os demais um controle tão nefasto, que passam a agir como se sua verdade fosse, tudo aquilo que é imposto pelo outro.

A conduta do Estado frente ao povo é de inexorável intolerância e opressão, características marcantes que os relacionam com ideais nazistas, fascistas, ou seja, têm estrita correlação com governos que impõe a sua vontade aos subordinados, criando uma massa que pensa de acordo com a mente de seus governantes. Tolhendo liberdades que são de indubitável importância para uma vida digna, que são dentre muitas outras, o direito a liberdade de pensamento, de reunir-se, de imprensa, de dispor do próprio corpo e mente, que caracterizam um verdadeiro afastamento do Estado Democrático de Direito.

O governo tirano traz como foco a pessoa que o encabeça, enquanto o povo trabalha para satisfazer as suas vontades, como pode ser observado na obra referenciada, em contrapartida, o poder que o Estado exerce na sociedade para tornar o seu governo democrático é exatamente o contrário, servindo os governantes como propagadores dos ideais de liberdade, mantendo o povo no topo das prioridades e sendo o bem comum o primordial objetivo.

Um Estado que preconize o ideal de liberdade não pode vigiar a população tal como acontece na célebre obra em comento, a utilização do teletela é inconcebível, todos tem direito a privacidade. A utilização desse mecanismo de vigilância incessante também impede a efetivação primeiramente, de pensar, visto que na própria casa não se era possível externar aquilo que sentisse em ralação a própria vida e o que achava do poder; e, de reunir-se, pois, qualquer manifestação de pessoas em conjunto poderia resultar na tentativa de retirar do poder aqueles que lá estavam por imposição. Nesses tipos de governo em que a vontade do povo não é levada em consideração só o próprio povo pode manifestar-se a fim de modificar a realidade e tolher desde já a raiz do problema impede que ele nasça.

Vale ressaltar também a liberdade de imprensa, a censura também é ponto marcante da obra, O Grande Irmão além de transmitir somente o que ele quisesse, as pessoas eram obrigadas a assistir aquilo que ele transmitia. Assim como as demais liberdades essa é muito utilizada por chefes de governos totalitários, para eles qualquer meio de controlar o povo é viável aos seus objetivos. Hodiernamente, de forma teórica, não há censura e temos o direito de assistir o que desejamos, mas é notável que os meios que veiculam informações não a fazem de forma imparcial para que a partir do conhecimento possamos proferir o nosso juízo de valor, nos passam a todo o momento uma carga gigantesca de informações atreladas ao entendimento que temos que tirar do que foi dito, e com os dias de hoje tão corridos para alguns e a falta de informação para muitos faz com que essa censura disfarçada permaneça e cada vez mais adquira força. Com o mundo globalizado de hoje informação se tornou crucial na vida de todos.

Para fazer valer todos esses direitos e todos os demais que cada cidadão necessita para viver de forma digna é de vital importância que no poder estejam pessoas conscientes disso e que sejam lá colocadas pelo próprio povo, legitimando assim, o cargo que ocupam. Faz-se necessário também a criação de leis que resguardem os direitos de todos, como a nossa Constituição Federal, mas só o seu surgimento não é o bastante, também tem que ser colocado em prática, que a população tenha conhecimento de seus direitos e a educação é o melhor caminho tanto para conhecê-los como para também saber reclamá-los e efetivá-los.

Depois de todo o exposto pode-se notar que a obra “1984” é recomendada não só para estudantes de Direito, pela extraordinária quantidade de detalhes que podem ser levados para os seus estudos. Como, para todos que tenham sede de conhecimento, pois a riquíssima gama de informações nos faz perceber como é a vida da população que vive sob a égide de um governo totalitário, independentemente do qual está sendo salientado na obra, pois, independe o lugar e o momento em que aconteça, o objetivo dos que encabeçam tais governos é sempre controlar da forma mais eficaz possível aqueles que poderiam reunir-se para promover a derrubada desse poder e a informação é o melhor meio para que possamos nos prevenir. 

 

*Acadêmica do 10º período do curso de Direito da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – AGES, situada em Paripiranga – BA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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