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"O rico venderá a corda para se enforcar, se com isso obtiver lucro"


Autoria:

Fábio Carlos Rodrigues Alves


FÁBIO CARLOS RODRIGUES ALVES Escritório Av. Feijó, n.582, Sala 02. Centro. CEP: 14801-140. Araraquara, São Paulo. Fone: (16) 3335-3350; (16) 99600-8092. jus.fabiocarlos@ig.com.br ADVOGADO OAB/SP 316450 Mestre. UNIARA. CÍVEL - TRABALHISTA - PREVIDENCIÁRIO - FAMÍLIA E SUCESSÕES - CONSUMIDOR - CONTRATOS - INDENIZAÇÕES - AMBIENTAL - EMPRESARIAL - REVISÃO DE CONTRATOS - INVENTÁRIO - AÇÕES DE ALIMENTOS - DIVÓRCIO - REVISÃO DO FGTS - APOSENTADORIAS E BENEFÍCIOS

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Resumo:

As empresas visam e buscam o lucro a qualquer preço.

Texto enviado ao JurisWay em 21/02/2013.

Última edição/atualização em 23/02/2013.



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Eu sempre tive uma visão crítica em relação ao papel desenvolvido por algumas empresas, principalmente de grande porte. As empresas visam e buscam o lucro a qualquer preço. Acredito que elas seguem a lei, mas uma legislação voltada para elas próprias, que se descumpridas geram multas, mas a multa é questionada judicialmente e quando preciso, após muitos anos de batalha judicial, é paga.

 

O filme “As Corporações” me ajudou a fundamentar com mais precisão minha visão crítica, trouxe exemplos reais, e me fez reafirmar uma posição que trago comigo: somos mais manipulados do que imaginamos. Também achei muito interessante a análise Corporação X Psicanálise, que literalmente colocou as empresas no divã. Michel Moore também deixa o documentário mais ácido com suas declarações.

 

Para mim, atualmente, as empresas se apresentam como verdadeiros “anjos” na mídia. Por meio de publicidade, elas dizem que respeitam o meio ambiente, que ganharam o selo verde, dizem que não empregam mão de obra escrava e tampouco infantil, afirmam que seguem a lei e a legislação trabalhista, enfim, dizem que seguem a Política de Responsabilidade Social da Empresa, política que elas mesmas criaram.

 

Dessa forma o consumidor, que também é deverás acomodado, sente que adquiriu um produto de qualidade, sente que pode usufruir daquele produto sem se preocupar com o trabalho escravo e subumano da China, além de não estar contribuindo com o aquecimento global. Contudo, o consumidor está iludido, está alienado no mercado capitalista. A cadeia produtiva de uma empresa e a sua responsabilidade vão muito além do espaço físico que ocupa, não possuem fronteiras.

 

Dois exemplos podemos dar neste sentido: a corporação com sede no Brasil mas que importa uma peça dos EUA, para fazer parte da linha de produção e assim parte do produto final da empresa. Essa corporação brasileira está contribuindo com o aquecimento global, para o derretimento das calotas polares, pois a peça importada é produzida em um país que ignora flagrantemente os limites estabelecidos de emissão de gases e poluentes soltos na atmosfera.

 

Outro exemplo é de uma multinacional, com filiais no Brasil. Essa corporação resolve lançar uma promoção: comprando quatro embalagens de nosso produto você ganha um bicho de pelúcia. “Nossa que promoção bacana”, pensa o consumidor. Ele compra os produtos para alimentar seus entes queridos e ainda ganha um brinquedo para dar a sua filha pequena, é mesmo lindo. Entretanto o bichinho de pelúcia é importado da China. Esse mesmo brinquedo que iluminará a infância de sua filha estará ceifando a infância de uma criança chinesa.

 

Dessa forma algumas empresas causam mal os empregados, causam mal à saúde humana e animal, possuem um descaso contumaz com a segurança alheia, elas seguem a lei que acham oportuna, quando descumprem a lei pagam a multa e seguem a vida, usurpam os bens naturais que são de propriedade de todos, e nós consumidores assistimos a tudo e pouco fazemos. Estamos mais preocupados com nossa vida particular e não com a coletividade, não com a natureza, não estamos preocupados com esses direitos difusos e coletivos, pois acreditamos que o Governo está cuidando deles. Se estamos empregados, então estamos bem.

 

De outro ponto pergunto: as empresas não deveriam ser responsabilizadas pelas embalagens que disponibilizam no meio ambiente? Se o consumidor adquire uma embalagem de Leite UHT, por exemplo, essa embalagem é reciclável, pois o fabricante deixa isso explícito. Mas ninguém garante que a embalagem será efetivamente reciclada. Assim as empresas não assumem os riscos dos produtos que vendem.

 

Durante o regime de Adolf Hitler, muitas empresas foram acusadas de negociar com o regime nazista. Após a derrubada de Hitler, tais empresas foram obrigadas a dar explicações. Uma empresa com sede nos EUA foi acusada de fornecer os cartões em que ficavam as informações dos prisioneiros do regime. Por exemplo, o cartão poderia vir com as informações para identificação dos prisioneiros:

 

a) - O número 1 para Judeus;

b) - O número 2 para Testemunhas de Jeová;

c) - O número 3 para Negros;

d) - O número 4 para Homossexuais.

 

E ainda outras informações:

 

a) - O número 1 para morte certa;

b) - O número 2 para trabalhos forçados;

c) - O número 3 para morte certa, mas diferenciada: câmara de gás ou bala;

d) - O número 4 para trabalhos especiais, geralmente na casa de oficiais nazistas.

 

Essa empresa continua forte no mercado. Sua diretoria informou que vende computadores e cartões, mas que não é responsável pelo destino dado aos equipamentos. Será que não é responsável mesmo?

 

Dessa forma faz-se necessário refletirmos: Qual o papel real das empresas? Qual o nosso papel enquanto consumidores? Estamos garantindo um meio ambiente equilibrado para as futuras gerações? Até que ponto somos manipulados na formação de nossas opiniões?

 

Obs: The Corporation, um filme de Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan.

 

 

 

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