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A indústria brasileira reduziu pouco as diferenças econômicas entre as regiõese os ganhos continuam concentrados em apenas seis setores, que, somados, representam mais da metade de todo o valor produzido no país. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Anual (PIA) referente ao período entre 2003 e 2007, divulgada hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Em termos regionais, há um ligeiro ganho de participação do Nordeste, Centro-Oeste e Norte, com a perda de importância das regiões Sudeste e Sul no que se refere ao emprego e diminuição da diferença do salário médio", afirmou o economista André Macedo, da Coordenação de Indústria do IBGE.
De 2003 a 2007, o número de empresas no país subiu de 138,9 mil para 164,3 mil, um crescimento de 18%. O número de trabalhadores passou de 5,9 milhões para 7,2 milhões, um aumento de 22%. O Sudeste e o Sul, somados, concentram 80,3% do número de unidades industriais. As demais regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte são responsáveis por 19,7%.
Entre os setores que mais geraram ganhos, estão os de refino de petróleo e produção de álcool, com 15,3% do total; alimentos, com 12,2%; e produtos químicos, incluindo farmacêuticos, com 10 3%. Junto com fabricação de automóveis, com 8,5%; metalurgia básica, com 7,9%; e máquinas e equipamentos, com 6%; respondem por 60,2% de toda a produção industrial brasileira.
A comparação entre 27 diferentes setores da indústria mostrou que o período foi de ganhos desiguais para cada segmento. Desse total, 11 apresentaram melhora no número de trabalhadores empregados, dez reduziram o quadro de empregados e cinco permaneceram estáveis.
Entre os setores que mais contrataram estão as indústrias automotiva, de alimentos, vestuário e refino de petróleo. Já entre os que mais demitiram estão os de calçados, borracha e plástico, produtos químicos, madeira e têxtil.
De acordo com o economista do IBGE, dois fatores influenciaram especialmente essas diferenças: a abertura das importações e o câmbio. "Os setores que mostram um desempenho menos favorável são, principalmente, os mais intensivos em mão de obra. São segmentos mais tradicionais, que estão sujeitos competição no mercado interno e externo. Havia uma entrada maior de produtos estrangeiros que afetava a competição e o câmbio desfavorável afetava sua inserção no mercado internacional", disse.
Um dado que chamou a atenção do economista é o peso que certos produtos têm em nível regional. Ele destacou a importância da exploração de madeira nos estados do Norte e do Centro-Oeste. O setor representa a segunda principal atividade econômica em Rondônia, no Acre, em Roraima, no Amapá e em Mato Grosso.
Segundo ele, como na maior parte dos casos a atividade é ilegal e não sustentável, no futuro próximo a economia desses lugares poderá sofrer um colapso. "A questão ambiental tem uma relação com o futuro da atividade. Apreservação e o replantiosão fundamentais para a sustentação no futuro".