Rio -  No primeiro dia de suspensão da venda de chips de celulares da TIM no Rio, ontem consumidores ainda encontravam o produto em pontos alternativos de vendas. Camelôs e ambulantes que atuam no Centro da cidade ofereciam chips livremente. No entanto, alertavam que, embora a venda continue fora das lojas da operadora, a ativação dos serviços não pode ser feita. Ontem, a Justiça manteve decisão da Anatel de suspender a comercialização das novas linhas de celulares da TIM.

 

Foto: Maíra Coelho/ Agência O Dia
Foto: Maíra Coelho/ Agência O Dia

A gerente administrativa Marisa Estrela, 56 anos, foi ao camelódromo da Uruguaiana para comprar um chip TIM, por conta de serviço que havia despertado interesse. E ela encontrou. “Mas já fui informada de que, mesmo que eu ligue para ativar o serviço no call-center da operadora, eles não vai ativar”, disse.

Mário Souza, 55, que vendia o chip para Marisa, deu informação errada à consumidora, ao afirmar que a venda do serviço não foi proibida pela Anatel. No entanto, ele chegou a explicar que a ativação não está sendo feita na TIM.

“A vendas diminuíram, mas não foi um impacto grande”, conta Souza, ressaltando que muitos usuários optaram por outras operadoras. Foi o caso de Marisa: “Por conta disso, acabei escolhendo a concorrente”, afirmou.

Na Uruguaiana, a autônoma Isabela da Cruz, 17, conta que costuma comprar dez chips de cada operadora para revender. Porém, ontem foi diferente, ela não comprou nenhum da TIM.

Juiz diz que punição “dura e austera” foi “necessária” e lícita

Juiz do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF), em São Paulo, Tales Krauss Queiroz negou ontem pedido de liminar da TIM para acabar com a proibição da venda de chips, determinada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo o juiz, a medida visa garantir qualidade de serviços para o consumidor.

“Avalio que a medida da Anatel não foi ilícita e nem desrespeitou o devido processo legal. A medida foi dura e austera. Mas era necessária”, afirma Queiroz. Ele acrescenta: “Não há, obviamente, uma solução fácil. Mas é preciso que se chegue a uma solução de compromisso, intermediária e equilibrada, que alinhe os objetivos econômicos das teles com os anseios do consumidor. O consumidor, legitimamente, quer pagar menos e falar mais. E quer um serviço de qualidade”.

Em nota, a TIM informou: “Lojas próprias e de parceiros não poderão oferecer, temporariamente, aos clientes os seguintes serviços: portabilidade, mudança de área de registro (troca de DDD) e transferência de titularidade”.