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POR MICHEL ALECRIM,
Livre do risco de novo racionamento de energia, consumidor descobre que investir em eletrodomésticos tem retorno em até dois anos. Simples troca de geladeira pode render economia mensal de até R$ 100 nas despesas da família
Rio - Quando a conta de luz começa a ficar fora de controle, é sinal de que não adianta apenas mudar os hábitos da família. Para reduzir os gastos com energia elétrica, muitas vezes alguns investimentos precisam ser feitos. Trocar eletrodomésticos antigos e reformar a fiação elétrica são recomendações de especialistas. Com a redução na fatura, as mudanças se pagam em um ou dois anos.
Além do avanço na tecnologia, que permitiu a fabricação de aparelhos mais eficientes, os eletrodomésticos mais antigos levam desvantagem por causa do desgaste. O tempo faz com que o consumo de energia seja ainda maior.
Chefe da Divisão de Eficiência Energética na Oferta da Eletrobrás, Emerson Salvador explica que depois de 10 anos de uso, o gás refrigerante das geladeiras perde capacidade de gelar. Com isso, o motor é forçado a trabalhar mais. A perda de aderência da borracha da porta é outro fator de desperdício. “Com 15 anos de uso, o consumo pode até dobrar”, diz o especialista.

Para saber se está levando vantagem na hora da compra, o consumidor precisa verificar se o modelo tem categoria A no Selo Procel, criado pela Eletrobrás. Ele só é dado para produtos que usam materiais mais modernos e motores mais eficientes. O professor Angelo Telesforo resolveu trocar sua geladeira velha de duas portas por nova de uma. Espantado com a redução na conta, religou a antiga por um mês para testar. Era isso mesmo: a diferença chegou a R$ 100. “Nos dias em que tiver visita em casa, acho que o espaço será pequeno. Mas com certeza valeu a pena”, avalia ele.
Graças à certificação oficial, outros produtos ficaram econômicos. Há cerca de um ano, os ventiladores de teto, que pesam na conta no verão, ganharam o selo. O resultado é que agora estão saindo de fábrica 60% mais econômicos. Ter um antigo é queimar dinheiro na corrente elétrica.
No Natal, já devem chegar às lojas as primeiras TVs de LCD com selo Procel. A certificação, no entanto, só vai valer para o modo stand by (ligada apenas na tomada). Mas, ao contrário do que muitos pensam, silenciosamente esses aparelhos também gastam. Com o selo, a economia por ano deve ser de R$ 54. A perda de energia dentro de casa não ocorre apenas no uso de eletrodomésticos e eletrônicos obsoletos. A rede elétrica antiga e o acúmulo de aparelhos numa mesma tomada têm como resultado conta cara.
O perigo de curto-circuito reforça a necessidade dos cuidados. Segundo a engenheira Regina Moniz, do Conselho de Energia do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio (Crea-RJ), a cada 10 anos, as casas precisam de revisão na rede. Com 15 anos de idade, o desperdício médio é de 20%. Segundo ela, o problema maior é ter chuveiros elétricos ligados na rede comum da casa, em vez de ter um circuito só para eles. “O mais importante é a questão da segurança, mas investir na reforma da rede elétrica baixa a conta também”, explica.