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Rio - A Prefeitura do Rio vai montar um ‘Big Brother’ nos 700 pontos de táxi da cidade, que serão regularizados e monitorados por 1.400 câmeras da CET-Rio. Apenas veículos autorizados vão poder parar nos pontos e para isso, todos os 30 mil taxistas da cidade vão passar por cadastramento. A medida vai ajudar a identificar e combater veículos piratas. Nesta quinta-feira, dois criminosos que se disfarçavam de motoristas de táxi foram presos. Um deles estuprava as passageiras.
O projeto ‘Táxi Boa-Praça’ vai começar regularizando os pontos dos aeroportos Tom Jobim e Santos Dumont e Rodoviária Novo Rio. A partir de 26 de setembro, os 2.580 taxistas que operam nos três locais terão que preencher questionário pela Internet confirmando que querem permanecer naqueles pontos. No primeiro ano, bastará se cadastrar para conseguir uma licença provisória para permanecer no local. Mas quem não cumprir determinadas regras, como evitar ultrapassar 20 pontos na carteira ou ter o carro lacrado, pode perder a vaga a qualquer momento.
Para não perdê-la, os motoristas também não poderão exceder 20 pontos na carteira, nem ter o carro lacrado por fiscais. Eles também terão que fazer curso de direção defensiva e falar inglês ou espanhol. A Rio-Tur oferecerá curso gratuito de inglês para capacitá-los dentro do prazo. Em quem já sabe o idioma será aplicada prova.

“A nossa intenção não é retirar os taxistas dos pontos e sim capacitá-los”, explicou Alexandre Sansão, secretário municipal de transporte.
Os próximos pontos a serem regularizados estão no arredores do Píer, Pão de Açúcar e Cristo Redentor.
Competição por vaga
Os taxistas que não seguirem as normas da prefeitura vão perder o direito de usar o ponto. Com isso, será aberta uma vaga, publicada em um banco de dados na Internet. Qualquer motorista de praça do Rio poderá se inscrever para ocupá-la.
Foram criados critérios de avaliação, que darão uma nota para o motorista de 0 a 100. Quem tiver a maior pontuação ganha a vaga. Entre o itens estão tempo de permissão, multas, escolaridade, equipamentos e conhecimento de um idioma estrangeiro.
Piratas flagrados em Copa
As câmeras do corredor de ônibus BRS de Copacabana já ajudaram a prefeitura a identificar taxistas piratas. “Um carro que se passava por táxi foi flagrado passando pela faixa exclusiva. Ao multá-lo, constatamos que ele não tinha licença. Intensificamos a fiscalização na área e apreendemos dois veículos irregulares”, revelou o subsecretário de fiscalização, Eduardo Frederico de Oliveira.
Falso condutor
Desde abril, André Leonardo da Silva Valores, 31 anos, se passava por taxista para estuprar passageiras. A conclusão é do delegado Maurício Mendonça, da 32ª DP (Taquara). O Fiat Siena, originalmente um táxi legalizado, fora roubado. Desde então, passou a ser um veículo de praça pirata.
Segundo o delegado, André atuava de madrugada. Ao embarcar, a vítima era ameaçada com pistola, amordaçada e levada para um motel. Após o crime, ela recebia R$ 5 para voltar de ônibus.
A polícia chegou ao criminoso após jovem de 24 anos denunciar o crime. Ela foi atacada na madrugada de sábado, quando pegou o táxi no Largo do Tanque, em Jacarepaguá. Ele só liberou-a à tarde, em Sulacap. “Apesar de vendada, ela viu detalhes do motel, como paredes azuis e corrimão de madeira. Fomos a mais de 20 estabelecimentos e quando encontramos essas características, pedimos as imagens e o identificamos”, contou o delegado. Outra vítima de André em maio também o reconheceu.
No ano passado, taxista foi atacado
A briga entre os taxistas para usar os pontos de táxis do aeroportos do Rio já virou caso de polícia. Em julho do ano passado, o motorista Kleber Luis Oliveira da Rosa, 31 anos, foi atacado com chutes e socos na cabeça por cinco taxistas que faziam ponto no Aeroporto Tom Jobim, na Ilha do Governador.
A promessa é de que o projeto ‘Táxi Boa-Praça’ acabe com essa rivalidade e com a venda irregular de autorizações para operar nos pontos de táxi.
Reportagem de Fernanda Alves e Isabel Boechat