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No mundo capitalista, dinheiro e poder é tudo?


Autoria:

Abelardo Dantas Romero


ABELARDO DANTAS ROMERO - ADVOGADO - FORMADO NA FACULDADE AGES -PARIPIRANGA/BA.

Texto enviado ao JurisWay em 06/11/2010.



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No mundo capitalista, dinheiro e poder é tudo?

 

                      

                             Abelardo Dantas Romero

                          Aluno da Faculdade AGES

 

O século XXI é uma consequência vigente de situações que ocorrem em séculos anteriores. Há muito tempo, já havia a ambição e a vontade de querer mais, os mais espertos sempre sobressaiam e conseguiam dominar o espaço e se apossar de bens materiais para dominar, de certa forma, a sociedade, visto que, aqueles que nada conseguiam tornar-se-iam subordinados o que fez surgir, primeiro o trabalho escravo, depois o trabalho assalariado. Desta forma, a cada dia é mais urgente a necessidade de dinheiro e poder para que o homem possa se sentir útil. De acordo com Rubem Fonseca:

 

Existem pessoas que não se entregam à paixão, sua apatia as leva a escolher uma vida de rotina, onde vegetam como “abacaxis numa estufa d’ananases”, como dizia meu pai. Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia. Carrego um gravador a tiracolo. Apenas quero falar, e o que eu disser não será passado.  jamais para o papel, e assim não tenho necessidade de buscar o estilo requintado que os críticos tanto elogiam e que é apenas um trabalho paciente de ourivesaria. (FONSECA, 1982, p.3)

 

Ser capitalista é resultado de vários fatores que nos transformaram em pessoas que colocam o capitalismo a frente do motivo que rege a felicidade, ou seja, ser feliz estar ligado ao dinheiro, por isso, muitas pessoas deixam de viver intensamente cada momento para viver o trabalho, o dinheiro que faz delas incompreensíveis, insensatas e capazes de qualquer ação para adquirir mais e mais.

O que estão a fazer de suas vidas? Onde todos vão parar? Será que o dinheiro é capaz de transformar a vida? Podemos até pensar que sim, mas muitos fatores catastróficos ocorrem por conta dessa dominação, é como se o próprio fosse “o rei dos reis” e um vício dominante da raça humana. É imprescindível repensar esta ótica da dominação, visto que o homem agora não mais é um ser racional, um ser humano, mas passa a ser um capitalista estremado, sem pensar nas conseqüências de juntar capital, apenas o quer e quanto mais, melhor, não importa se é demais e não há o que fazer com tanto dinheiro, mas será que este é o caminho para a verdadeira felicidade, será que não é isso que transforma a sociedade mais injusta e catastrófica? Se continuarmos a andar pela ótica de que “em um mundo capitalista, o dinheiro é fonte de tudo”, será crescente o número de amizades interesseiras e relacionamentos capitalistas a gerar uma bola de neve em que todos os outros problemas sociais que necessitam de justiça.

Vale destacar:

Vagueia entre as mesas, sua capa negra-asa-de morcego, e brada que Feliciano perdidamente apaixonado submeteu-se a todos os caprichos da formosa Laura e que neste dia, ao apresentar-se como pretendente à sua mão, ela recebeu-o com desdém e sarcasmo dizendo que ia casar-se com outro, quenão é esbelto como Feliciano o era, e nem inteligente e sensível, e nem tão nobre, um comerciante cuja única virtude é ter a burra cheia de ouro. O que restaria ao pobre Feliciano após tão horrenda humilhação e desencanto senão a corda, a escopeta ou o veneno?Matou-se, o pobre desgraçado. (FONSECA, 1982, p.19,20)

 

 

Assim, é perceptível o quanto estamos sujeitos à futilidade a que nos propomos, basta analisar o individualismo, a falta de perspectiva em construir base, acomodar-se com o dinheiro já é suficiente, talvez esse seja a resposta de o porquê ocorrem tantas tragédias numa sociedade, cada vez mais egoísta e que pensa apenas no lucro exarcebado. Felicino era um rapaz desprovido financeiramente, mas tinha uma inteligência invejável, mas foi trocado por “um saco de ouro”. Essa é a base para a felicidade? O dinheiro é a fonte de riqueza material, Mas será de felicidade espiritual? Qual o verdadeiro motivo de um homem se tornar um ser tão capitalista? A cede de se tornar melhor que o outro traz uma briga que precisa ser repensada. A justiça está acima desta situação e vai buscar resolver os problemas que o capitalismo causa.

O capitalismo é o principal responsável por todos os problemas enfrentados na sociedade atual. Todos os conflitos que vivenciamos há uma justificativa, pois se a miséria existe é porque existe o poder e a divisão de classes sociais. Caso todas as pessoas tivessem as mesmas oportunidades e desfrutassem da mesma beleza e da natureza, muitos problemas deixariam de existir, é claro que não todos, pois a dimensão de cérebros a pensar e agir de diversas formas é visível, mas o dinheiro e o poder não vêm a ser o melhor, nem é o ponto primordial para a felicidade.

 

Numa sociedade baseada sobre a troca de mercadorias, o dinheiro não é simplesmente uma ferramenta mais ou menos importante; ele é um meio necessário de socialização econômica. Os produtores individuais de mercadorias não constituem o seu relacionamento social uns com os outros como pessoas. Apenas os seus produtos mantêm-se em relacionamento uns com os outros, como Valores. Precisamente porque indivíduos isolados desaparecem por trás dos seus produtos, a coesão social deve — num sentido muito literal — tornar-se reificada (do alemão verdinglicht, coisificada), restringida por uma coisa: o dinheiro. O dinheiro não é simplesmente — como mantem a escola neoclássica — uma simplificação do processo de troca, a qual poderia em princípio ser dispensada. O dinheiro é, antes, o meio pelo qual indivíduos isolados produtores de mercadorias são capazes de manter relacionamento uns com os outros.(MICHAELHEINRICH- http-//resistir.info/)

 

Ser humano é o início primordial, buscar viver intensamente o que a vida proporciona seria o mais exato caminho, sem as velhas preocupações com problemas que nos tornam máquinas destruidoras da vida. O mundo pós-moderno é assim, repleto de jogo de interesses, quanto mais se tem mais se quer possuir, o dinheiro é a fonte de vida e nos tornamos dependentes deste. Observe essa passagem de Rubem Fonseca:

 

Eles se reuniam no Bar do Anísio, todas as noites. Marinho, dono da principal farmácia da cidade, Fernando e Gonçalves, sócios num armazém, e Anísio. Nenhum deles era natural da cidade ou mesmo da Baixada. Anísio e Fernando eram mineiros e Marinho cearense. Gonçalves viera de Portugal. Eram pequenos comerciantes, prósperos e ambiciosos. Possuíam modestas casas de veraneio no mesmo condomínio na região dos lagos, eram do Lion’s, iam à igreja, levavam uma vida pacata. Tinham ainda em comum um grande interesse por todas as formas de jogo a dinheiro. Costumavam fazer apostas, entre eles, em jogos de cartas, jogos de futebol, corridas de cavalos, corridas de automóvel, concursos de misses, em tudo que fosse aleatório. Jogavam alto, mas nenhum deles costumava perder muito dinheiro, uma fase de perdas era sucedida quase sempre por uma de ganhos. Nos últimos meses, todavia, Anísio, o dono do bar, vinha perdendo continuadamente. ((FONSECA, 1982, p.26)

 

O que se pode discutir é a forma como a sociedade se limita e torna-se dependente do capitalismo exacerbado, o dinheiro é a fonte de vida, a busca pela felicidade depende do dinheiro o que torna-se um vício, as pessoas contraem o mal-do-século “a depressão” e vivem como se nada mais surtisse efeito. As famílias se desfazem, os relacionamentos são interesseiros, nada mais importa a não ser uma vida conturbada, cheia de aflições e derrotas. Falta aquilo que Deus deixou “a paz e harmonia”, restou revolta, ambição.

 

O comércio e a produção não deveriam gerar só dinheiro, deveriam também gerar continuamente somas crescentes de dinheiro. A generalização da produção de mercadorias só é possível quando a própria produção é transformada em produção capitalista, quando a multiplicação e o aumento da riqueza abstracta torna-se o objectivo directo da produção e todos os outros relacionamentos sociais são incluídos (subsumed) neste objectivo. O "poder destrutivo do dinheiro", o qual era objecto de grande crítica em muitos modos de produção pré-capitalista (por muitos autores da Grécia antiga, por exemplo) está enraizado precisamente neste processo da capitalização da sociedade resultante da generalização do relacionamento pelo dinheiro.(MICHAELHEINRICH- http-//resistir.info/)

 

 

Não adianta tentar viver em meio a conflitos, é essencial que se busque vencer o dominador, como afirma Rubem Fonseca, não adianta ter dinheiro se não se tem a felicidade, mas muitos ainda confundem-na, pensam que estar bem, resume essencialmente em ter capital. É claro que o dinheiro é bom, visto que nos proporciona bem-estar e conforto, mas causa-nos sérios problemas e conflitos e se o fosse bem distribuído, muitos problemas seriam resolvidos, a sociedade não estaria a viver uma crise existencial.

 

Um guarda de trânsito prendeu em flagrante o motorista. Duas testemunhas afirmaram que o ônibus vinha em grande velocidade. O local do acidente foi isolado cuidadosamente. Uma velha, mal vestida, com uma vela acesa na mão, queria atravessar o cordão de isolamento, “para salvar a alma do anjinho”. Foi impedida. Com os outros espectadores, ela ficou contemplando o corpo de longe. Separado, no meio da rua, o cadáver parecia ainda menor. Ainda bem que hoje é feriado, disse um guarda, desviando o trânsito, já imaginou isso num dia comum ? ((FONSECA, 1982, p 73,74)

 

Eis um exemplo claro de crise existencial, sem contar tantos outros que fazem parte da história e nos transformam em seres incapazes de refletir sobre a própria vida. As pessoas vivem mais apressadas, mais preocupadas com o trabalho, com o dinheiro, o que leva a destruições a falta de entendimentos, a não saber o porquê de tentas catástrofes. Existem várias situações para uma única justificativa: o capitalismo. A falta ou o excesso causam conflitos. A pressa do motorista está ligada a busca urgente por dinheiro, visto que, precisa de mais e mais por conta de o salário não o satisfazer, deixar a desejar.

Tais situações são demonstradas no decorrer de “O cobrador”, uma época em que a humanidade passa por transformações e é obrigada a adequar-se ao meio. Isso fez com que, de uma forma ou de outra, a sociedade passasse por problemas pessoais que foram se manifestando através de várias maneiras, é por isso que o homem do século XXI se tornou um capitalista exarcebado na busca da felicidade, estranho, é como se papeis nos trouxessem a sensibilidade, a vida. É certo que o dinheiro é importante, mas quando em excesso pode destruir a tão desejada felicidade, bem como a escassez pode causar revolta e trazer sérias complicações.

A tecnologia invadiu o espaço e quem mais ganha é quem mais tem, por isso, o capitalismo trouxe consigo a revolta e o trabalho “escravo”, as pessoas vendem por uma mixaria e não dão o verdadeiro valor ao que sabem, pois a valorização do saber vai muito além do poder capitalista.

 

REFERÊNCIAS

 

LYRA, Filho Roberto. O cobrador. Editora Brasiliense, 11ª edição. São Paulo: 1982.

 

http://resistir.info/

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